segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

ainda a tempo...



Quase que não chegava a tempo de me despedir do ano velho, este que foi um ano muito novo para mim.


Aconteceu este espaço, meio ao acaso, meio em socorro por uma mudança urgente nos meus dias e que agora se preenchem com o carinho de quem aqui passa. Aqui fiz novos amigos, mesmo sem lhes conhecer o rosto e fiquei mais próxima dos que já conhecia.


Aconteceu o quiosque, que realizou um sonho antigo e vem consolando uma paixão de sempre.


Aconteceu ver os meus muitos crescerem, com preocupações de ontem, alegrias de amanhã e recordações de todos os dias.


Do Natal ficaram os sorrisos dos meninos, ao abrirem os presentes ao ritmo das adivinhas a que tinham que responder (e o G. a reclamar, porque não estava a perceber nada!!!).


Pela primeira vez, colocamos os presentes por baixo da árvore, depois de esclarecer que afinal o Pai Natal não vinha da Lapónia nem entrava pela chaminé da sala.


Não foi nenhuma onda desmancha prazeres, mas razões imperiosas de educação não consumista, depois de ouvir dizer...


- O que é que te incomoda se o presente custa muito dinheiro, não és tu que compras, é o Pai Natal...?!



E mais uma vez passamos (eu e o pai, naturalmente) o serão do Natal de rabo para o ar, a montar as construções que lhes oferecemos, a ler livros de instruções, a aparafusar peças e a evitar que algumas vão parar à lareira, com a mesma música de fundo...


- Já está!!!
- Está quase...




Porque as cartas de Natal foram abertas, encontramos uma surpresa bem à medida dos meninos: uma história em que cada um deles é o protagonista, com detalhes adequados aos amigos que o rodeiam, aos seus gostos e preferências.

- Como é que eles sabiam que e não gosto de bacalhau?





- Pois é, eu sou do Porto (FCP)!!!



- Ah, as minhas melhores amigas chamam-se assim?!!







No dia de Natal já se reúne a tribo toda, quando chegam os meus irmãos, e eu já posso ser um bocadinho filha...


Agora aqui a doceira tem que ir para ali fazer umas rabanadas... ;)
Bom ano novo!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

shiuuuuu

Estes são para oferecer...mais logo...




















Este chegou à minha caixa do correio, e deixou-me muito feliz. Obrigada Rita!


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

É Natal...


Chegaram a casa com os trabalhos de Natal que fizeram na escola.
Lindos, para os olhos da mãe e não só.

O presépio foi obra do G., que identificou o José, a Maria e o Jesus.



- Lindo, filho, foste tu que os fizeste?

- Não, eu só pintei a estrela...


A mãe também teve trabalho...para casa...


Os chapéus de Pai Natal que vão alegrar a cabeça dos meus muitos na festa de Natal não vieram da China, mas da máquina de costura, às 2h30m de hoje.

Sabe bem melhor assim!

P.S.: Depois de escrever este texto é que reparei que o J. estava aplicado ao contrário. Desmancha, inverte, cose e remata. Só acabou depois das 3h...mas a criança foi bem identificada.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

yooo


Depois da 145662081º birra, e num teste à minha paciência, diz-me:
- Não fales de mal, fala a sorrir.

Passada a neura, experimentou o gorro novo, uma estreia da mãe nas agulhas circulares.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

popular

No Domingo passado festejamos o aniversário da L. com os seus amiguinhos.

A festa foi, como habitualmente lá em casa que se encheu de gente, como é comum nas festas da L.

Ela é a típica miúda popular, dá-se com todos, é grande amiga de todos os colegas e não é capaz de deixar ninguém de parte.

Corri o risco de a deixar fazer a lista de convidados e ela só parou nos 35: os da escola, os do ATL, os da música, as do ballet e os da catequese.


- Mas tu já vais levar um bolo para a escola, não podíamos dispensar estes convites.

- Os meus amigos da escola ainda não vieram brincar a nossa casa.

- E este menino da música, acabaste de o conhecer?

- Mas somos muito amigos..!!!

Lá me conformei, na expectativa de algumas ocupações com festas, circo e outros compromissos infantis (que maldade a minha) e imprimi os convites para entregar aos amigos (o que eu poupei em telefonemas...).

Os convites iam chegando às mãos dos meninos e sem registo de imprevistos, à excepção do ballet, em que eram mais as candidatas que os convites. Não que eu os tenho limitado, mas porque a L. não se lembrou dos nomes de todas as meninas (ufa!). Mas como é incapaz de deixar alguém pendurado, e em face de alguns impedimentos de algumas, tratou logo de reencaminhar o convite para quem não estava na lista


-Ah não podes ir? Que pena...Então dá-me o convite para entregar à B... e tu queres ir à minha festa?
Ai ai, ai, que ainda tenho muito que lhe ensinar...


Chegou finalmente o dia, e o movimento fez-se sentir... Eu e o pai mal conseguimos respirar, mas valeu a pena pela alegria que se via no rosto de todos, que entre umas pipocas e um gole de sumo, não pararam de saltar e brincar aos disfarces ou às vendas na mercearia.

Recebeu presentes bem ao seu gosto, com muitos livros e com dedicatória.

És muito engraçada!

Fazes rir todas as meninas do ballet, desde as mais pequeninas às maiores.

É bom ter-te como amiga.

...

Ao bolo de aniversário passou-lhe um vento norte, e só consegui fotografar o restinho que ficou na mesa, logo este que foi decorado com a ajuda da aniversariante.


Só falta dizer que 7 anos só se completam amanhã, mas a agenda de uma mãe de 2 meninos que nasceram no mês do Natal não é fácil. E no próximo Domingo, lá vamos nós (ou melhor, lá vêm eles) a outra festa, esta com direito a jantar e alguns doces para além da gelatina e da mousse de chocolate.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Esqueço-me

...da máquina fotográfica, mais vezes do que desejaria...


Sempre gostei de fotografar, apesar de nunca o ter feito bem. Não entendo nada de luzes, nem de sombras, nem de enquadramentos.

Interessa-me sempre registar o momento, em vários movimentos, como de uma cena de banda desenhada se tratasse.

Nas viagens é na minha mão que anda a máquina e parece que não estive lá, porque estou sempre do lado de cá da objectiva.

Às máquinas de filmar nunca prestei grande atenção, por não prever grandes oportunidades para ver o resultado das filmagens.

Para mim, as fotografias são diferentes, vejo, revejo, reproduzo e exponho. Nunca tão bem como a minha amiga, mas vou organizando uns álbuns para uns e para outros.


No entanto, desde que tenho a máquina digital, tiro cada vez mais fotografias e imprimo cada vez menos (não deve ser só comigo...)


Aos meninos nunca poupei no flash e o J. tem uma boa conta de albuns, mais do que um para o mesmo ano de vida.

Com a L. a quantidade diminuiu e com o G. nem se fala. O que vale é que ele é igual ao irmão e sempre se podem desviar algumas do J. para o album dele... ;)


O blog veio espevitar novamente o uso da máquina. Acho que este espaço tem mais piada com imagens.

Os meninos até já me dizem:


- Agora tira-me uma com cabeça...

No entanto, o título deste texto é esqueço-me...

É que eu esqueço-me tantas vezes de andar com a dita, sobretudo nas festas, de Natal, de fim de ano, nas audições ou nas aulas abertas.

Arrelio-me, lamento-me e já não me adianta nada porque a máquina ficou mesmo em casa e aqui o telemóvel da menina só faz e recebe chamadas.


Mas como não sou de me lamentar, e para aliviar a consciência, dou volta aos pais mais aplicados e troco mails para me enviarem as fotografias, que até são tiradas com máquinas XPTO...


Pelo menos nunca me esqueci das partituras nem do fato de ballet ... nem de nenhum deles pelo caminho ... já é bom! E poder vê-los com os dois olhos bem abertos e ter as mãos livres para bater muitas palmas é outro consolo!!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Presentes


... para quem cuida do meus muitos, durante todo o ano, durante todo o dia ... durante o tempo que eu gostaria de passar com eles ...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Luzes de Natal


Na terra dos Pais Natais, como apelidou o meu sobrinho mais velho, em que quase todas as casas têm as janelas, varandas, chaminés e jardins iluminados, a nossa casa tem resistido à iluminação exterior. Não é por falta de desejo da pequenada, que bem apela e compara, mas admito que, por insistência minha, as luzes só se ligam cá por dentro.
Este ano, no entanto, fui excluída da votação e tive que aceitar a iluminação do damasqueiro da entrada.
Mas ontem, no regresso a casa, num dia mais iluminado que o habitual dos dias do J., ele repara:
- Estas pessoas não devem ser felizes...
- Porquê?- pergunto eu.
- Não têm luzes em casa. Não conseguem sentir a alegria do Natal!
Então ilumine-se não só a árvore, mas também os frutos, os jardins e a casa toda.
Que venha a luz que traz essa alegria que tem andado arredada por aqui.
E numa onda de luz, também o mais pequeno chegou feliz da escola por ter pintado um estrela cardente.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Uma mãe de encantar!

Na sexta feira passada quis fazer uma surpresa aos meus muitos e pensei levá-los ao cinema ao fim da tarde (pensar não pensei, porque se o tivesse feito tinha ido direitinha para casa).
Galguei do meu trabalho até à escola para os levar a tempo da sessão das 18.55h (eu estudei o cartaz com antecedência).
Antes de retomar a viagem para o centro da cidade ainda tive que resolver um qui pro quo entre os manos mais velhos que de vez em quando se lembram de brincar à luta livre americana (mas onde é que eu estava com a cabeça...) e lá dei corda aos pneus porque o tempo passava.
No caminho falei-lhes onde íamos, e que lá teriam que se portar bem porque a mãe estava sozinha e não se consegue virar para 3 lados ao mesmo tempo. Além disso, estávamos mesmo em cima da hora e tínhamos que andar ligeiros para dar tempo para comprar pipocas.
A L. a ajudar:
- G. não podes parar em todos os carrinhos (aqueles onde nós não pomos as moedas), ok?
Fui ao cinema do costume e cheguei à bilheteira às 18.53h, onde me deparei com uma sessão na versão original e duas crianças abaixo dos 6 anos.
Lamentavelmente, não estudei suficientemente o cartaz. Mas sabia que noutro cinema a sessão era às 19h e esta sim, em português.
Galgamos mais uma vez para o carro e daqui para o cinema (que fica a uns 5-10 minutos de carro).
Chegados lá (em segurança, garanto), compramos os bilhetes, as pipocas e desviamos o G. de 2 ou 3 carros. Finalmente às 19.10h sentamos-nos calmamente a ver o filme que tinha acabado de começar (benditos anúncios).
O filme era "Uma história de encantar", que conta a história de uma princesa que caiu no mundo real, vinda do país dos contos de fadas. Aqui, trocou o seu príncipe encantado pelo homem por quem se apaixonou, com quem ficou a viver feliz para sempre. Durante a história, cantou muito, dançou mais ainda e sorria, sorria imenso. A cena final é da princesa na sua nova casa com a nova família a brincar, a pular e a cantar.
Ainda não tinhamos saído da sala do cinema e sou brindada com a seguinte afirmação:
- Ó mãe, podias ser uma mãe assim, como a princesa!!!
Não são de modernices, os meninos. Gostam é de uma mãe que faz vestidos com os cortinados e limpa a casa com a ajuda da bicharada.
Isto de ir ao cinema e comprar pipocas é programa sem piada nenhuma.
Depois disto eu ainda lhes dei batatas fritas. Eu mereço...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

:(

Custa-me menos ouvir dizer que o meu filho foi mal educado, rebelde, irreverente, irrequieto do que triste.

Não consigo suportar essa tristeza.

Sei cuidar dele, aliviar-lhe as dores de barriga, tratar as marcas das quedas, preparar-lhe a comida que mais gosta e ajudá-lo a estudar.

Sei brincar, construir legos e montar playmobil, só não consigo aliviar-lhe a tristeza.

Não consigo sequer perceber o que tanto o entristece, se a incapacidade de lidar com as suas próprias frustrações, se a falta de confiança, se algo mais ao fundo onde não consigo chegar.

Quando me apercebo de alguma fragilidade, ninguém me segura e vou até onde posso ir e se calhar onde também não posso.

Faço tudo o que a uma mãe é permitido, mas não lhe consigo aliviar a tristeza.

Choro, por tudo e por quase nada.

Mas não aguento ouvir dizerem-me que o meu filho é um menino triste...porque eu também sei disso e o meu amor não chega para lhe aliviar essa tristeza...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Upgrade


Os meus estudos comprovam que os 2ºs e 3ºs filhos vêm com upgrade de desenrascanço.
Não serão bem os meus estudos, talvez mais a minha experiência, mas como é vasta, acho que permite considerar-se de análise cuidada e avaliada.

O J., com os privilégios dignos de um primogénito, entrou aos 2 anos para o infantário a comer nada mais do que sopa e ainda esta à "lei da bala". Sólidos só mesmo os rissóis com que a avó o mimava ( e nós que tínhamos lidos nos livros que fritos, nunca antes dos 3 anos...).
Foi caricata a primeira entrevista com a Directora que nos perguntava qual era o alimento que ele não gostava e nós...não sabíamos...
- Ele não come nada, como é que vou saber o que ele não gosta?!!
Já cresceu entretanto, come todos os sólidos, aliás, muitos sólidos. É o leão das batatas fritas, como gosta de se gabar.
A L. já chegou mais expedita (ou não fosse mulher) e poucas resistências fazia na alimentação, nos cuidados de higiene e na hora de dormir (salvo um período conturbado em que se recusava a pregar olho, mas isso já passou e eu nem gosto de me lembrar...).
Desde cedo que se veste sozinha (ainda hoje é a primeira), come pela sua mão e estuda sem ninguém mandar.
Dificilmente espera que a atendam quando pede ajuda e resolve directamente as suas pequenas dificuldades.
Muitas vezes é ela quem acalma a fera que se dá pelo nome de G. e brinca às mães com o irmão mais novo.
Confesso que frequentemente me surpreendo com o seu crescimento acelerado.
Mas o G., definitivamente, veio com um upgrade de última geração.
Tem tanto de mau feitio como de independência. Tem pressa para atingir o ritmo dos irmãos e recusa-se a ser tratado como o mais pequeno.
Ontem mesmo, depois de quase se ter lançado ao pescoço da irmã para a destronar do banco do piano onde pensava que queria tocar, veio-me ajudar a arrumar a louça da máquina e a por a mesa e o resultado foi aquele, com os talheres alinhados e os copos distribuídos.
Depois, fez questão de tomar banho sozinho e de chuveiro (comigo à espreita, naturalmente).
Esta manhã, não me deixou ficar no quarto quando o acordei porque se queria vestir sozinho, mas mesmo sozinho, sem ninguém a vigiar. E é que não se esqueceu de nada.
Quase 4 anos, quase um homenzinho!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

com o leite...


As embalagens do leite que a pequenada bebe têm trazido um jogo de cartas com várias imagens de animais legendadas com o seu nome em inglês.
Para quem, como nós, que compra leite a granel (enquanto o pai não cumpre a ameaça de comprar directamente uma vaca e instalá-la no andar de cima da casa, nos tempos em que também trazia um copo de leite aqui para a mamã grávida), as ofertas que "gentilmente" os produtores juntam às embalagens podem ser um benefício ou um grande transtorno.
Depois de me fartar de apanhar pelo chão as imensas peças do puzzle do abecedário ou depois de esconder as bolas insufláveis, antes que eu própria não conseguisse entrar em casa, eis que surge "atrelado" ao leite uma oferta interessante.
Depois de bem distribuídas as cartas por cada um dos muitos, durante uns dias eles entusiasmaram-se a descobrir e memorizar os nomes dos animais em inglês.
O G. apreciou a oferta bem mais que os irmãos e, todas as manhãs, depois de deixar os mais velhos na escola, vamos os dois a jogar às cartas até ao infantário. Ele pergunta e eu respondo:

- Abelha?
- Bee.
- Certo! Rã? (não dá para ver o sexo do bicho???)
- Frog.
- Boa mãe! Cavalo? (Ah, é verdade, não diz gavalo)
- Horse.

Com as sucessivas repetições, o G. já vai fixando alguns nomes, e então é ele quem diz:

- Cat?
- Gato.
- Certo! Lion?
- Leão.
- Muito bem!...

Mas às vezes baralha-se...

- Max?
- Cão.
- Certoooo!!!

O dog ficará para a semana...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Quem me quer bem!



Quem me quer bem ofereceu-me estas flores, sem data marcada nem comemoração a lembrar.
Quem me quer bem surpreende-me assim e sabe que me faz feliz.
Quem me quer bem respeita o meu tempo, dá-me espaço e chega-se a mim quando também lhe quero bem.
Quem me quer bem ouve mais do que fala e acalma a fúria do meu viver.
Quem me quer bem cresceu comigo, fez-me crescer e, lado a lado, geramos novas vidas.
Quem me quer bem quer-me muito, tanto quanto eu lhe quero!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Conversas....

...no carro.
-Eh mãe, tu fizeste uma curva!!!- admira-se o G.
- Não foi a mãe que fez a curva, a curva já estava feita!!!- Diz a L., com a "mania".
- Não foi nada, foi a mãe.
- Não foi!
- Não...

- Chega!!! - diz a mãe.

...no banho.

- Esta semana vamos trabalhar o tempo todo. - informa o G.
- Ah sim, então porquê? - como se eu não soubesse.
- Porque estamos de castigo. Só a N., a A.e a B. é que vão brincar.

Mete-se a L.:


- E tu o que é que fizeste?
- Não fiz nada.
- Não fizeste nenhuma asneira?!
- Eu não, fizemos todos!...menos a N., a A. e a B....

A L. ainda sem perceber...


- Se tu não fizeste nenhuma asneira, a mãe tem que falar com a Ana (a educadora) porque isso não é justo.
- Não mãe, não fales!!! - já estava aflito.

Eu não abria a boca, mas a L. dava-lhe forte:


- Mas TU fizeste alguma asneira?
- Eu não. Nós é que estragamos os livros da Ana, só os que estavam na prateleira de baixo, os de cima não (certamente porque nem chegavam lá...)
- Então!!! (parece que se convenceu a mandona)
- Mas não fui eu, fomos NÓS!



Uma questão de identidade fundamental no que toca à consciência do pequeno.
O peso do castigo é muito mais leve quando a responsabilidade é solidária.

Sabe muito e ainda não sabe Direito. Imagine-se se fosse Advogado...!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ai que frio!!!


Depois da colecção Primavera-Verão, tivemos que vestir a Clara para o Inverno.
Desta vez brinquei sozinha, porque já não eram horas para a L. estar acordada, mas ela gostou do resultado. Não sem antes encomendar um guarda roupa completo para a Clara e para a Maria, que, pobrezinha, ainda só tem um vestidinho de Verão. O que lhe vale é a amiga, que lhe empresta o poncho de vez em quando.
Antes de se deitar ainda me disse:
- É mesmo fixe tu saberes costurar, mãe, porque assim posso ter muitas roupinhas para as minhas bonecas sem gastar dinheiro.
Pronto, já me comprou!
A L. também ganhou uma camisola nova, mesmo da cor dos seus olhos, que a mãe vestiu durante uns tempos mas que, em resultado de uma operação especial de feltragem na máquina de lavar (não importa nada que tenha sido acidental) ficou exactamente do tamanho da L. (de propósito não ficava tão bem.. :D)
E assenta-lhe que nem uma "luva"!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

novidades


Perdem-se com novidades.
Não devem ser só os meus filhos. Penso que todas as crianças (para nem falar dos adultos) se encantam quando recebem uma coisa nova e durante uns dias não lhe dão descanso.
Quando comprava algo para um, costumava ter a preocupação de comprar também para os outros, para que não ficassem tristes ou só para não aguentar mais uma birra. Mas, à medida que vêm crescendo, os seus gostos e as suas necessidades têm variado tanto que já me deixei disso e só compro aquilo que cada um precisa e quando precisa.
Ontem foi a vez do G., que não herdou os guarda-chuvas dos irmãos, que nem passam de um Inverno para o outro, e comprei um só para ele, do "oraanha" e uma meias anti derrapantes para as aulas de ginástica (que as da L. já estavam gastas). Ficou feliz a criança e andou a chamar a chuva pela casa toda...sem escorregar...
Para marcar o momento pediu-me para lhe tirar uma fotografia com os presentes que recebeu. E aqui estão eles: os gatos das meias e o homem aranha da chuva.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Bordados e Rendas nos Bragais de Entre Douro e Minho

Recebi um livro novo, uma edição esgotada de 1994, do Programa de Artes e Ofícios Tradicionais, intitulada Bordados e Rendas nos Bragais de Entre Douro e Minho.

Este achado não foi fruto do acaso, mas o resultado de uma consulta prévia a um grande alfarrabista do Porto, a quem foi pedido "tudo o que tiver pr'aí guardado sobre bordados".


É assim que o meu pai tem encontrado os livros que vão enriquecendo a minha biblioteca, numa busca insaciável de novas raridades.


Este livro tem ainda um sabor especial, porque foi recebido em troca de outros livros, escritos pelo meu pai, no seu trabalho de investigação histórica, que o vem preenchendo há mais de duas décadas e que assegura o registo fiel das tradições e costumes dos lugares que estuda.

Como me disse ele, "este livro chegou a ti pelas páginas que escrevi..."



Além de uma vastíssima informação sobre as tradições artísticas desta região do país, esta obra é enriquecida com excelentes imagens (que eu não fui capaz de reproduzir condignamente) que enchem os olhos a qualquer apreciador destas artes.


Parei na página das rendas de bilros, onde figura o pano do sol, uma renda executada pela Maria da Guia, uma talentosa rendilheira do Museu das Rendas de Vila do Conde, das mais importantes mestres dessa arte, em cujo mister se iniciou com apenas 4 anos de idade.


Com ela eu tive a honra de aprender a trabalhar com os bilros e fazer as minhas primeiras rendas.






"Bordados e Rendas nos Bragais de Entre Douro e Minho abrem os olhos ávidos de ver os segredos escondidos em arcas e cómodas de guardar enxovais, tesoiros para noivar e transmitir, objectos que se possuem e quase nunca se usam. Ficam sempre para filha ou neta, como a fotografia desbotada, sépia, nítida de uma parente de quem mal se lembra o nome, mas se tem orgulho em mostrar, ascendência que testemunha a raiz de uma família. Contudo, a mais das vezes, o gesto miúdo, o aperfeiçoar do ponto pertenceram a gente que vivia da jorna, ganhava de comer e era paga pelo gosto de fazer o que fazia. Legaram-nos, com excepção de um ou de outro caso, patrimónios sem assinatura, monumentos construídos de arquitecto desconhecido, porque os gestos eram saber daquelas terras e a sensibilidade tinha a sua satisfação no criar do maravilhoso que ainda agora nos encanta ao olhar estes objectos."




Eu já estou encantada, e profundamente agradecida, por os poder admirar em livro.

Já está!

Concluídas as candidaturas, as contempladas são a Mónica, a Paula e a Célia.
Agora ... pay it forward...
E agora com licença que tenho que ir trabalhar!

domingo, 18 de novembro de 2007

Pay it forward



Deixei um comentário desanimado aqui por ter chegado tarde na cadeia Pay it forward.


Mas afinal não, fui admitida à 2ª volta e vou ser uma das felizes contempladas com um presente da Luísa.
Nos próximos 6 meses, é certo, mas mal posso esperar por ter nas minhas mãos uma das suas preciosidades.


Para não romper o ciclo, e como o espírito da iniciativa pretende, vou eu também enviar um presente surpresa, às 3 primeiras pessoas que deixarem um comentário neste post e que tenham um blog, para que depois também o façam no seu. O prazo é de seis meses e já está a contar...


A contar também está o número de livros que tem recheado a minha biblioteca de crafts.
Pelas mesmas mãos, mas desta vez sob o olhar técnico da minha mãe.


Estes vieram de Roma, onde eu gostava de ter voltado...




e estes foram resgatados na Feira do Livro do Museu Soares dos Reis, no Porto...


Tenho muito onde me inspirar!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

na cama da mãe

Desde que sou mãe que são raras as noites em que não me aparece uma visita nocturna, ou duas, ou ... três na cama.

Seja à hora a que for, não me vale de nada oferecer resistência e tentar levá-los de volta para a sua cama, porque eles vêm para ficar, de preferência ao meio e todos do mesmo meio.


Eu li os livros (quase) todos sobre o assunto, sei que não se deve promover nem mesmo conformar com a invasão dos filhos na cama dos pais, que cada um tem o seu espaço e eu concordo com isso tudo...mas às 4 h da manhã também concordo que preciso de continuar a dormir porque dali a nada tenho que me levantar.


Enquanto era só o J., facilitávamos muito mais e qualquer gemido do menino dava direito a ninho dos pais.


Com a L., a coisa complicou-se mais um bocadinho, mas arranjava-se sempre espaço para os dois, senão ao J. cresciam os ciúmes.


Quando o G. nasceu é que o caldo se entornou, sobretudo durante o 1º mês em que ele ficou no nosso quarto, porque amanhecíamos 5 na mesma cama.

Isto do amanhecer é uma força de expressão, porque depois de ser arremessada por mais 3 na mesma cama, eu já não pregava olho.

Muitos eram as noites em que eu e o pai fazíamos a transfega para a cama de um deles e deixávamos a nossa cama entregue ... à criançada.


Por essa razão, o passaporte do G. para ir para o quarto do irmão chegou ao 1º mês de vida e foi a melhor coisa que fizemos. Não que isso tivesse eliminado as visitas durante a noite, mas reduziu-as substancialmente, porque os outros sabiam que já não estava ali um hóspede fixo.


Eu só estou a pagar por aquilo que fiz, bem sei, porque muitas vezes invadi a cama da minha mãe, que, por alguma razão, era especial.

Durante os anos em que o meu pai andou a servir a nação, eu e a minha irmã escalávamos a vez de cada uma de nós dormir na cama da minha mãe, e posso dizer que as negociações não era fáceis. O que vale é que o meu irmão, que não era tão mimalho quanto eu, nem se metia no assunto, senão era mais um candidato ao lugar.

Lembro-me que, quando já era mais crescida (outra força de expressão, porque eu não cheguei a crescer...), e já parecia mal despachar o meu pai para Lisboa para poder dormir com a minha mãe, agarrava-me ao seu pescoço, quando me vinha dar um beijo de boa noite e puxava-a para a minha cama, onde ela me mimava um bom bocado.


Enfim, sempre pensei que esta tendência para gostar da cama da mãe era uma coisa de mimo, de afecto, de aconchego...mas não, também tem uma explicação científica, que me foi revelada pelo G. quando há dias se enfiou no meio da nossa cama:


- Aqui está mais quentinho!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

com a Brigada de Trânsito no banco de trás

É assim que eu ando, todos os dias, com 3 agentes da Brigada de Trânsito sentados no banco de trás do meu carro, disfarçados de filhos.
A L. manda-me andar devagar quando entramos na auto estrada.

- Eh lá mãe, estás a andar tão de força!!!

Atrapalha-se quando ultrapasso um carro.

- Deixa lá o carro ir à frente...

E faz questão de me avisar ao segundo quando o semáforo muda para verde.

- Já estáááá!!!

Ao J. agora deu-lhe para me repreender quando estou a fazer crochet ou tricot nas filas de trânsito.

- Achas que isto é sítio para fazer isso?!
- O quê?-pergunto entretida.
- Isso dos fios e das agulhas...

Não satisfeito quando lhe digo que estou atenta aos carros e não faria nada que pusesse em causa a nossa segurança...

-Estás atenta, estás, olha o carro da frente a avançar?!!!

Não me dá tréguas, este menino!
Crochet ou tricot, só depois de os deixar na escola e antes de os ir buscar.
Hoje foi a vez do G., quando parei atrás de um camião de limpeza e aproveitei para espreitar de onde vinha a mensagem que apitou no telemóvel.

- Ó mããããee, não está verde!!!

Ainda por cima enganou-se nas cores....
Quando tiver que parar numa operação stop, apresento-os aos colegas e garanto que já fui fiscalizada.
Uma mãe assim acanha-se!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

está a render...


Depois de acabar este, a minha patroa do meio fez-me uma encomenda.

A L. gostou tanto do meu, que quis um poncho igual, mas noutras cores, de preferência vários ponchos, de várias cores ... porque não se conseguia decidir pela cor que mais gostava.

Percebi que ela não estava para esperar duas semanas de semáforos para o vestir, então decidi-me a fazê-lo no sábado à noite, na raríssima oportunidade que tive de ver um filme (ehehehehehe).

Ficou quase, quase pronto, mas a patroa era exigente e tive que o acabar no almoço de Domingo, para ela o poder levar à festa de anos de uma amiga, onde ele certamente lhe iria fazer muita falta...

Acabei-o por ela e por mim.
Fico feliz por vê-la tão animada, a rodar os fios de lã, e fiquei feliz por mim por ter acabado mais uma coisa (estou a ficar mesmo crescidinha!!!)

No Domingo, saiu de casa toda animada, não sem antes me dizer:

- Agora podes fazer o azul! E faz outro para a Mariana (a professora de ballet) porque ela hoje também faz anos.
- Mas a Mariana é muito alta filha, demora muito tempo...
- Só tens que o fazer para 2ª feira, quando eu for ao ballet.
(que por acaso era o dia seguinte)
Como era de se esperar, nem o comecei, porque a professora é mesmo grande e estou a negociar outro acessório. Além disso, só estou mesmo motivada para vestir a minha "patroa".

Já o veste há 2 dias e anda toda feliz!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

estranhamente educados...

...ou apenas cumpridores dos seus deveres.
Não sei.
Os condutores quando não são empatas, são normalmente apressados, aflitos, intrometidos e demasiadas vezes agressivos para as distracções de uns (oops), as aselhices de outros e para os azares de alguns.
Hoje fiquei parada atrás de um carro que avariou na subida de uma rua de via e sentido único. Parou, estrebuchou e não mais se mexeu. O condutor esforçou-se imenso, ainda saiu do carro tentando-se desculpar pelo que estava a acontecer, mas nada conseguia fazer porque o seu carro fez mesmo greve. Voltou a entrar, ia dando à ignição mas o carro apenas soluçava.
Atrás de mim estava mais de uma dezena de carros e, para meu espanto, e satisfação, ninguém buzinou, mas também ninguém se mexia. Como tinha mesmo que ir trabalhar, sai do carro e do alto do meu metro e meio ofereci-me para empurrar o carro para uma zona que permitisse a passagem dos outros, não sem antes apelar ao condutor do carro de trás, que era moço jovem e mostrava ter força nos braços.
Passados uns segundos já éramos uns quantos, uns de fato, outros de tacões e aqui a menina de sapatos de verniz, a dar ao carro aquilo que ele não tinha.
O dono ficou mais tranquilo, embora o seu almoço ainda fosse demorar bastante a chegar, e nós podemos ir todos à nossa vida.
Fiquei contente, afinal nós, os condutores, os portugueses, não somo assim tão arruaceiros no que toca a andar na estrada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

makeover


Um dia uma amiga disse-me que aquilo que podemos mudar em nós é apenas o cabelo. O resto temos que aceitar, gostando ou não.


Sabemos hoje que não é tanto assim, que se pode mudar a cor dos olhos, o formato do nariz, do queixo ou de qualquer outra parte do corpo, tentando melhorar aquilo que nos parece feio.


Eu continuo a concordar com a minha amiga e acho que as melhores mudanças são as do cabelo e sempre abusei do argumento.


Casei com um cabelo imenso, sem precisar de postiços para o penteado, mas antes de viajar em lua de mel, cortei-o ao nível do pescoço, para arejar no calor do Brasil.


Depois de os meninos nascerem, fui perdendo a farta "juba" que tinha (já herdada pela L.) e cheguei a fazer um levantamento de raiz (o nome horroroso que dão quando nos põem o cabelo com aspecto electrificado). Arrependi-me amargamente e lamentei não me ter dado uma dor de barriga valente antes de entrar no cabeleireiro.


De há uns anos para cá, centímetro acima, centímetro abaixo, não tenho alterado o meu penteado, sem que me tivesse apercebido realmente dessa apatia visual.


Fui assim apanhada de surpresa, pela minha cabeleireira de sempre, quando, depois de dar um ajuste ao corte do J. (que já está na fase de querer o cabelo comprido, para "impressionar as miúdas"), me disse:


- Senta-te aí e vamos dar um jeito a essa cabeça. Já estou farta de te ver sempre igual!

Eram 19.30h, tinha dois filhos comigo, o jantar por fazer e uma festa de aniversário a seguir, mas sentei-me. Confiei nas mãos dela, que faz milagres com a tesoura e num salão vazio, que não permitia desculpas para escapar.


Fiz bem, o resultado renovou-me por fora e por dentro.


Como é que um corte de cabelo pode ter este efeito?!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

já se percebe...


As suas vontades, os seus apetites, os seus desejos e até os seus gostos gastronómicos já se percebem há muito tempo.
É verdade, custou a aceitar, mas já não faço resistência quando me pede que o abasteça substancialmente de enchidos (os mais escuros possível), feijão preto e milho doce, a que é incapaz de resistir. Ontem até me pediu "aquela coisa boa que os avós compraram que se pega com a mão e eu não me lembro do nome...", também chamadas, costelas de porco na brasa.
Agora também já se percebem os seus desenhos, que deixaram de ser as rodinhas rabiscadas, amontoadas num minúsculo pedaço de papel. As pessoas ganharam forma pelas suas mãos num quadro de desenho muito disputado entre os irmãos, sem tronco, é certo, mas isso também não tem importância nenhuma.

Hoje foi uma manhã "daquelas", em que tive que cumprir um castigo de que há algum tempo o vinha a avisar. Depois de me deixar com o coração desfeito ao lembrar a cara triste com que ficou na escola, levando na mão o leite que se recusou a beber em casa, tinha que lhe dar este mimo ... e mais logo dou-lhe outros mimos.

Tão "bandido", tão lindo e tão meu!!!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

made in na ponta d'agulha



Esta é a primeira peça produzida pela nossa loja, na ponta d'agulha, que foi feita por mim para oferecer à minha irmã, como presente de aniversário.


O cachecol foi executado em pouco tempo, mas a horas que não se podem revelar.


Ela merece-o bem e o resto são desvios...


Parabéns maninha! E vê lá se vem daí o frio para fazeres publicidade à casa!!!

domingo, 4 de novembro de 2007

... em trânsito ...


Consegui acabar um poncho mesmo a tempo do frio do Inverno, com material já comprado para o Inverno do ano que passou.
Comecei e acabei no espaço de duas semanas, o que para mim é um bom tempo.
Mas só consegui dar-lhe o devido aviamento por aproveitar todo o tempo que tenho ... que é muito pouco.
Ao serão, que é quando tenho mais prazer em dedicar-me a estas lides, tenho cada vez menos oportunidades, porque só "desacelero" lá para a primeira hora do dia seguinte, que é a mais indicada para dar descanso ao corpo. Antes do jantar, então, é impensável (pensando bem, em muitos dias, o próprio jantar seria impensável, mas aí não há folgas nem take away).
Resta-me então o tempo passado nas horas de ponta e quando acompanho os meninos às actividades e às consultas.
Sim, eu faço a maior parte dos meus trabalhos de crochet ou de tricot em frente ao vermelho ou à espera de ordem do polícia na fila gerada à volta das obras do metro. Este poncho andou no meu colo todo o percurso e um vestido da L. também foi feito a olhar para os semáforos. É evidente que isto não dispensa umas buzinadelas, que eu considero amáveis chamadas de atenção para o sinal que já mudou...há que tempos.
Confesso que às vezes anseio pelo vermelho para acabar uma carreira ou rematar um ponto...
E nem vale a pena às autoridades aventurarem-se a me repreender, porque fazer crochet ou tricot nas filas de trânsito não está tipificado como infracção ao Código da Estrada, pelo que não poderá estar sujeito a punição (embora há quem defenda que não...blá, blá, blá...reminiscências da Faculdades de Direito). Por isso, até "multa" em contrário, assim vou continuar.
E valem-me também as horas que passo à espera na piscina, na música, no ballet (este ano escapei) ou na clínica médica, durante as longas consultas de terapia.
Não vejo mais ninguém nestas figurinhas, mas isso também não me incomoda nada. Um chama-me a "menina da renda", outra diz que pareço uma "avó", eu respondo que pareço é uma "neta", que o tricot está na moda e que não faz mal nenhum saber um pouco de tudo.
Há uns tempos, no Pediatra entregaram-me uma agulha, que foi encontrada no chão e pensaram que certamente seria minha, "porque é a única pessoa que faz bordados aqui...". Se não for a única, a minha fama já me traz vantagens.
Lamento apenas não ser conduzida até ao meu trabalho, porque em vez de duas semanas, fazia o poncho numa só, e a L. já me cobra pelo dela.
Por isso, quem vir uma maluquinha parada no verde a olhar para o regaço ou um carro a circular à noite com a luz de presença ligada, é porque eu ando lá por dentro. Não vale buzinar!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

viagem medieval



Fui aos rascunhos deste blog e encontrei um tema de que não cheguei a escrever: a visita à Viagem Medieval, em Santa Maria da Feira, nas férias de Verão deste ano.
Se calhar lembrei-me disto agora porque o sol de Verão se decidiu a ir embora e o frio chegou para ficar.
Estava prometida a história, não estava esquecida, mas está manifestamente atrasada.
Pois todos os anos lá vamos nós fazer a viagem medieval, com (quase) tudo a que temos direito: jogos, espadas, desfiles, sandes de carne de porco, bebida em jarro de barro, muito pó, muita confusão e, é claro, muita animação.
É extraordinária a forma como este evento tem vindo a ser organizado, com cenários e figurantes vestidos a rigor, cenas dramatizadas no meio da rua e numa envolvente geográfica única, com um castelo no alto e um rio a dividir o terreiro. O espírito da época está de tal modo enraizado no ambiente ao redor que nós é que nos sentimos desfazados de calças de ganga e sapatilhas.
Costumamos ir lá pela tarde, para que os meninos possam brincar e participar nos jogos organizados para o efeito e eles topam a tudo. A mim, deixam-me sossegada a segurar nos sacos e nos casacos, de máquina fotográfica em punho a registar o acontecimento. Felizmente para eles, o pai é mais dado à brincadeira e é ele que os puxa para jogarem em todas as "tasquinhas".
Todos os anos saimos de lá com uma espada e este ano até com escudo, o que me causa muitas arrelias nos dias seguintes em casa.
Também quem me manda cair sempre no mesmo erro. Enfiava-lhes um naco de fogaça na boca e estava feito, mas tenho a mania que sou "fixe"!!!
Com o avô por perto, então é impossível, porque ele satisfaz os pedidos da criançada sem qualquer negociação.
Este ano ainda assistimos ao desfile, que muito os impressionou, com "aqueles homens a deitar fogo pela boca" e os mochos que desfilavam ao ombro do tratador (já com a L. agarrada ao meu pescoço).
Pela primeira vez, assistimos às Justas Medievais, que encenam uma luta entre dois guerreiros a cavalo, cada um com as suas armas.
Sentamos-nos do lado dos vermelhos, que puxavam pelo seu guerreiro, contra os azuis, na bancada oposta.
Ao longo de toda a luta o vermelho saiu vencedor e exibiu um carisma arrogante e de desprezo perante o seu adversário, recorrendo mesmo à batota para não se ver vencido. Os miúdos estavam ao rubro, com a iminente vitória que se antevia. Contudo, numa viragem final, o azul ganhou e de forma justa e ordeira.
Foi aplaudido por todos, ou por quase todos...porque as crianças da equipa dos vermelhos, a que não escaparam os meus filhos, saiu frustrada com tão humilhante derrota.
Ainda me dei ao trabalho de explicar que não é pela batota que se ganha, mas pelo esforço, desempenho e perícia e nisso o azul foi superior.
Não entenderam!
Arrisquei-me dizendo que o vermelho mereceu bem a derrota, porque foi batoteiro e isso não é jogo...
-E....???? Nós queríamos é que ele ganhasse! Amanhã vimos cá outra vez e sentamos-nos do outro lado!
.................
Não fomos, obviamente, mas ficou muita coisa por esclarecer naquelas cabecinhas.

domingo, 28 de outubro de 2007

working


Não por falta de inspiração, nem de ocasião, se justificam as minhas ausências neste espaço com histórias novas dos meus muitos. Umas boas, outras engraçadas, outras bem ensarilhadas, com ralhetes e duros castigos à mistura. Mas também não me apetece pensar nisso porque hoje correu mal, ... mas já passou.

A verdade é que a falta de trabalho de há uns tempos atrás, levou-me à procura de uma solução que me impedisse de cair num estado a que me recusava a ceder.
Encontrei-a e "curei-me" com mais trabalho, muito trabalho...demasiado trabalho, e isso tem-me tirado tempo que devia ser deles.

Ando à volta das linhas, das agulhas, de referências, de fornecedores, facturas e outras papeladas menos divertidas, mas necessárias.

Para outro dos meus empregos, faço algum trabalho de casa e tenho sempre muitas dúvidas, até porque sou mais técnica que criativa, mais perfeccionista que intuitiva. E sempre que me surge um problema novo, um ponto que nunca executei ou uma técnica que nunca experimentei, lá vou cheirar aos livros, espreitar nos sites e, obviamente, pedir ajuda à minha artista de eleição.



Mais coca bichinhos do que eu, a minha mãe vira, revira, faz e desfaz até encontrar a solução, até descobrir o segredo.
Estes dias temos passado umas horas nestes preparos, que me lembram outros tempos de infância em que passávamos o serão com as minhas primas e a minha madrinha a cortar e a coser roupas, a crochetar colchas ou a tricotar camisolas. Ninguém percebia como é que isso nos divertia, mas ainda hoje me dá imenso gozo estar um par de horas com a minha mãe a descobrir como é que aquilo foi feito, nem que seja preciso tirar a amostra do álbum que ela fez na Escola de Formação Feminina. É lindo, rico e está tão perfeitinho, que não admira que lhe tenha dado a nota máxima no final do curso. Agora já é meu por afeição e por usucapião...




Mas para que não se pense que eu me desliguei das voltinhas dos meu filhos, uma das razões que me deixou mais agarrada a este teclado e menos abraçada a eles na hora de dormir, foi o esforço que eu e todos os pais da sua escola fizeram para salvaguardar o seu direito a ser crianças durante mais tempo, e que lhes fosse reconhecido o direito de não usufruírem de um benefício que alegadamente é facultativo, permitindo que cada um faça as suas escolhas.
Naturalmente que me refiro às actividades de enriquecimento curricular que se pretendiam intercaladas (chamam-lhe flexibilizadas) com as actividades curriculares (e não após o seu termo) e que os prendiam à escola para além do desejável.
Mas isso são outros quinhentos e com o alívio que agora sinto com a justa solução encontrada, também não me apetece falar disso.

Vou ali para o sofá continuar o meu trabalho de casa!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Blog action day

...há uns "days" atrás.
Li o blog da Rosa, da Rita, da Alice, da outra Rita e hoje da Sílvia. Comentei e pensei ter dado o meu contributo num tema que também me preocupa. Mas não me senti com autoridade para falar no assunto, nem agora sinto que tenha, mas pesa-me a consciência de não ter contribuído para outras perspectivas, outras formas de poupança e mais opiniões.
O que eu faço é uma espécie híbrida (e neste texto esta palavra até fica bonita!!!) entre poupança energética, ambiental e económica.
Pr'ó ambiente e energia:
- separo o lixo até à exaustão;
- tomo sempre banho de chuveiro;
- dou banho aos meus filhos em banheira colectiva, nunca mais de meia ou uma chuveirada rápida a cada um dos três (fechando a água entre ensaboadelas e champô);
- ligo as luzes essenciais para o que faço (o R. diz que ligo demais e a minha mãe diz que de menos, por isso eu acho que estou equilibrada);
- utilizo um único saco para as compras no centro comercial ou em lojas diferentes (desde que caiba e se possa misturar)...e é ver as vendedoras a olharem-me de lado, como mais uma maluquinha que por lá passou;
- como fruta da época, colhida no quintal do meu pai e a que compro é quase só fruta nacional;
- ligo as máquinas de lavar à noite e com carga máxima;
- estendo a roupa ao ar, poupando até ao limite a máquina de secar;
- reutilizo frascos de vidro e caixas de cartão para as mais diversas utilidades;
- o papel é reutilizado por adultos e crianças para anotações e desenhos.
Pr'ó poupança:
- cozo pão em casa;
- faço todas as festas de aniversário em casa;
- sou eu que cozinho toda a comida e todas as sobremesas para essas festas (com uma boa ajuda);
- faço doces e agora marmelada com a fruta do quintal do meu pai;
- todas as semanas há "jantar de aquecidos" para todos;
- tomo pequeno almoço em casa, e os meninos também;
- preparamos todos lanche para comer durante o dia;
- trago sempre no carro bolachas, água e pacotes de sumos sem gás, para evitar as tentações;
- corto o cabelo da rapaziada;
- executo a maioria dos presentes que ofereço;
- confecciono algumas roupas para a L. e para as filhas de amigas minhas;
- as roupas dos mais velhos são vestidas aos mais novos e ainda aconchegam alguns amigos;
- compro a roupa em saldos, de uns anos para os outros;
- vou acumulando nas liquidações e feiras potenciais presentes de aniversário para os amigos dos meus filhos (normalmente livros);
- uso mais a internet que o telefone/telemóvel;
- tenho 4 empregos!
Estou-me a esforçar:
- para poupar mais água enquanto cozinho (esqueço-me sempre de deitar no jardim a água das lavagens);
- por não me esquecer do saco de pano para as compras;
- por encontrar um local que aceite as tampas das embalagens, em continuação de uma campanha que infelizmente esmoreceu;
- por reutilizar mais do que reciclar;
- por poupar na compra de livros (xiii está a ser difícil).
Não consigo:
- deixar de usar o carro;
- fazer compostagem;
- cumprir tudo o que acredito que devia fazer.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

XXL


Aquela sou eu, em tamanho XXL...


Sempre fui gordinha, cheinha, redondinha, pelas minhas palavras, espaçosa...que pelo menos tinha graça e não era tão piedoso.


Na infância sempre usei vestidos sem cinta, para esconder a barriga indisfarçável.


O peso a mais precipitou a minha saída do ballet, aos 12 anos, que é uma frustração ainda não resolvida, até porque, naquela idade, foi de uma profunda injustiça da professora, que me excluiu por esse facto (logo eu, que nem era prima da Moby Dick..., mas havia lá quem fosse...)


De uma família de barrigas generosas e ancas largas (há quem diga parideiras, mas nenhum dos meus filhos saiu por lá...), sempre me desculpei com o factor genético para esconder a minha lambarice. A viver ao lado da mercearia do meu avô, manter a linha não era muito fácil...


Cresci gordinha, sempre contrariando essa tendência com exercício físico e só alcancei o corpinho top model nas vésperas do meu casamento, para o que contribuiu uma brutal gastroentrite nervosa.. :)


Vieram os filhos, sem grandes intervalos no meio e só depois do 3º é que a coisa voltou ao sítio.


Há alguns anos que visto S e até XS (que gozo que me dá perguntar se não tem mais pequeno!!!) e até compro as roupas à primeira (sem apertar na cinta, alargar na anca...excepto subir a bainha, porque esse registo não se resolveu...). Até já tenho número certo de roupa, coisa impensável há uns anos atrás.


A quem me pergunta como é que isso aconteceu, eu respondo que tenho 3 personal trainner's em casa.


Porque é que estou a falar disto tudo, que devia ser íntimo e reservado?


Porque quando encontrei esta fotografia deu-me uma vontade de rir incontrolável...de mim!


(Agora posso!)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

fora de horas


Eu e a minha PFAFF temos trabalhado fora de horas, para encher o "quiosque" de peças bonitas e personalizadas.
Eu a dar ao pedal e a mana a dar às teclas.
Do lado de lá do telefone, está ela a falar em referências e eu a falar em linhas.
O sono ameaça, mas eu arregalo-lhe os olhos.
Porque diabo o dia não tem mais umas horitas?!!!
Se não ficarmos loucas, vamos ficar felizes...
Eu já estou!

Tributo

...a uma grande amiga que hoje festeja o seu aniversário.
Este texto devia ser via email, de forma íntima e pessoal, mas não vai ser.
Decidi fazer publica(descarada)mente uma homenagem que ela bem merece.
Ela é também uma mãe de muitos, no caso são muitas, todas morenas e todas dependentes do colo e atenção da mãe. Queixa-se pouco dessa dependência, cansa-se muito, que eu sei, e desculpa-se dizendo que também ela foi assim em criança e por isso...
A minha amiga não é deste tempo, é uma mulher extraordinária, com uma força de viver inigualável e com uma generosidade que perturba quem convive com ela.
Como ela costuma dizer de outros, digo eu que ela "é tão boa que até mete nojo"!
A minha amiga é uma grande amiga, minha, dos meus e de todos os outros que vai encontrando na sua vida.
Se alguém pede que se baixe, ela deita-se e essa é a sua maior fraqueza.
A minha amiga não chora, para que ninguém note os seus olhos vermelhos e se preocupe com ela.
Assume como lema de vida que é ela quem tem que se preocupar com os outros e fazer da vida deles uma vida melhor. Não o assume, mas é assim que ela é.
Muitas (demasiadas) vezes não lhe é reconhecido esse valor, e a quem ela faz bem não lhe agradece a sua dedicação e não lhe retribui com respeito.
Trocamos desabafos, queixamos-nos do mesmo, e consolamos-nos sabendo que depois daquelas conversas os problemas já são um bocadinho mais pequenos.
Mas quando a sacudo e digo que não pode ser assim, que não pode viver a vida toda em função dos outros, e que tem direito a ser feliz, que tem que deixar de sofrer os problemas dos outros, ela responde-me:
- Eu sou assim, e não serei capaz de viver de outra maneira. Tenho tido a sorte de se cruzarem pessoas boas no meu caminho, sobretudo nos momentos de maior aflição!
Eu, encontrei-a a ela e agradeço-lhe por ser minha amiga!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

poema no tpc

O mar

O mar, o mar

é tão lindo

como o nosso

lindo lar,

é tão bonito

como o retrato

do seu melhor amigo.

O mar, o mar,

quando o vejo

só me apetece

cantar e brincar!




Depois de cavaleiro, agora quer ser poeta. O J. anda encantado em "pôr as palavras de par em par".
O desafio dos trabalhos de casa do J. nesta semana foi a elaboração e ilustração de um texto diariamente.
Despertou o seu gosto pela poesia.
Quem disse que os trabalhos de casa são desinteressantes?!! Eu estou a gostar!