sexta-feira, 16 de novembro de 2007

na cama da mãe

Desde que sou mãe que são raras as noites em que não me aparece uma visita nocturna, ou duas, ou ... três na cama.

Seja à hora a que for, não me vale de nada oferecer resistência e tentar levá-los de volta para a sua cama, porque eles vêm para ficar, de preferência ao meio e todos do mesmo meio.


Eu li os livros (quase) todos sobre o assunto, sei que não se deve promover nem mesmo conformar com a invasão dos filhos na cama dos pais, que cada um tem o seu espaço e eu concordo com isso tudo...mas às 4 h da manhã também concordo que preciso de continuar a dormir porque dali a nada tenho que me levantar.


Enquanto era só o J., facilitávamos muito mais e qualquer gemido do menino dava direito a ninho dos pais.


Com a L., a coisa complicou-se mais um bocadinho, mas arranjava-se sempre espaço para os dois, senão ao J. cresciam os ciúmes.


Quando o G. nasceu é que o caldo se entornou, sobretudo durante o 1º mês em que ele ficou no nosso quarto, porque amanhecíamos 5 na mesma cama.

Isto do amanhecer é uma força de expressão, porque depois de ser arremessada por mais 3 na mesma cama, eu já não pregava olho.

Muitos eram as noites em que eu e o pai fazíamos a transfega para a cama de um deles e deixávamos a nossa cama entregue ... à criançada.


Por essa razão, o passaporte do G. para ir para o quarto do irmão chegou ao 1º mês de vida e foi a melhor coisa que fizemos. Não que isso tivesse eliminado as visitas durante a noite, mas reduziu-as substancialmente, porque os outros sabiam que já não estava ali um hóspede fixo.


Eu só estou a pagar por aquilo que fiz, bem sei, porque muitas vezes invadi a cama da minha mãe, que, por alguma razão, era especial.

Durante os anos em que o meu pai andou a servir a nação, eu e a minha irmã escalávamos a vez de cada uma de nós dormir na cama da minha mãe, e posso dizer que as negociações não era fáceis. O que vale é que o meu irmão, que não era tão mimalho quanto eu, nem se metia no assunto, senão era mais um candidato ao lugar.

Lembro-me que, quando já era mais crescida (outra força de expressão, porque eu não cheguei a crescer...), e já parecia mal despachar o meu pai para Lisboa para poder dormir com a minha mãe, agarrava-me ao seu pescoço, quando me vinha dar um beijo de boa noite e puxava-a para a minha cama, onde ela me mimava um bom bocado.


Enfim, sempre pensei que esta tendência para gostar da cama da mãe era uma coisa de mimo, de afecto, de aconchego...mas não, também tem uma explicação científica, que me foi revelada pelo G. quando há dias se enfiou no meio da nossa cama:


- Aqui está mais quentinho!

4 comentários:

sophis disse...

E nós sabemos que é verdade. Lá, está mais quentinho...

celia disse...

Eu continuo a achar que a teoria é uma coisa, a prática outra, cada filho um filho...
Na nossa casa, tanto eu como o pai vamos busca-los à cama deles para nos consolarmos com o cheiro, os mimos, os abraços calorosos.
Sabes? Se calhar não vou ter mais filhos, e estes estão a crescer tão depressa que já me vai chegar quando a determinada altura me disserem que querem ficar sozinhos nas suas camas.

Tereclopes disse...

Como eu te compreendo, levei anos com esse tipo de invasões.Na altura tentava lutar contra elas, sem resultados práticos confesso. Mas hoje, recordo-as com uma saudade imensa, que saudades tenho dos meus meninos quando eram pequeninos, tão lindos e sempre tão cheirosos... Aproveitem ao máximos todos estes momentos, que são únicos, e, que mais tarde servirão de conversa, quando nos juntamos todos à mesa do jantar, dando origem a risota geral.

Marta Mourão disse...

Eu acho que cada caso é um caso e cá para mim um dia os teus 3 filhos vão comentar que uma das melhores recordações que têm de criança era o ninho dos pais :)