sexta-feira, 29 de junho de 2007

A história da noite

Desde pequeninos que os meus muitos estão habituados a ouvir uma história antes de dormir, ou uma parte de uma história, ok, ou uma historiazinha, porque o tempo nem sempre dá para tudo!!!
Sempre tentei incutir-lhes este hábito da leitura, que também tenho desde pequena, e que não me fez mal nenhum. Eu ou o pai e até a avó, quando é cravada para tomar conta deles, procuramos preservar este hábito que é comum a muitas famílias, felizmente.
Desde que o J. aprendeu a ler, tentamos que seja ele a ler uma história para nós, e ele adere bem à proposta até porque sempre sentiu um certo consolo em ser o centro das atenções (resquícios de 1º filho e único com créditos de filho único...).
Depois foi a L. a aprender a ler, e eles vão-se revezando na oratória.
Mas isto da leitura ao deitar é tudo menos pacífico. A confusão começa com a escolha do livro, que nunca, mas mesmo nunca é unânime e à falta de argumentos e de paciência, admito, acaba sempre a ser "proposto" pelos pais, até porque o tempo está a contar até à hora de desligar a luz.
Depois é o quarto onde vai ser feita a leitura do dito livro, ou todos querem que seja no seu próprio quarto ou não querem ver sequer a sombra dos irmãos dentro dele. É o problema de haver 3 quartos para 3 crianças. Não são só vantagens...
Por último, e porque a odisseia não acaba por aqui, é decidir a proximidade com que cada um deles fica em relação ao leitor, e em condições de boa visibilidade para as imagens do livro. Se quem lê consegue ver bem as letras, isso já não lhes interessa nada, que se desenrasque.
Ontem, fiz uma tentativa, admito já que foi um pouco frustrada, de ultrapassar todas essas fases de acesa discussão e ler umas páginas de um livro aos meus filhos.
Receita:
- escolhi um livro que tinha acabado de comprar e que ainda não ido para a prateleira de nenhum dos quartos;
- decido ler o livro na minha cama, dentro do meu quarto;
- coloquei os meus filhos mais velhos um de cada lado e o mais pequeno deitado no meu colo.
Consegui ler 3 páginas, pegaram-se muito pouco (só o G. que é o menos democrático dos 3 e certamente vai ser líder sindical) e só fiquei com uma dor de braços e nos olhos, por ter esticado tanto os braços para que pudessem os 3 ver as imagens do livro e no limite da minha capacidade de visão.
Tenho que ganhar coragem até à próxima leitura da noite. E não me ralhem por às vezes eu os ameaçar (e cumprir) que o castigo pela asneira que fizeram é não haver história. É que às vezes também preciso de uma folga!!!

1 comentário:

Bem-Trapilho disse...

Ah, ah, ah!... Desculpa a gargalhada, mas dá para imaginar a cena! Eu só tenho uma e como te percebo!... É a escolha do livro (que a pesar de ser sozinha é difícil decidir-se), depois quer sempre mais uma história, outros dias quer que eu invente a história, ou então, se o livro tem muitas páginas quer que o leia até ao final... E é claro que o livro tem sempre k ficar virado para ela (que já está deitada na caminha). Eu que me arranje para conseguir ler. às vezes vejo as imagens e invento! Às vezes conto-lhe historias minhas, mas só uma é que está ilustrada. Mas ela quer à mesma ver as letras viradas para ela! E ao contrário do que eu imaginava antes de ser mãe, a minha não fica nada mais calminha e relaxada depois da história. Parece que fica com a imaginação estimulada! É uma complicação adormecer! Passa sempre da hora.