sábado, 14 de julho de 2007

Quem sai aos seus...


...não degenera.
A L. não herdou só a semelhança física da mãe, nem só o feitio "excomungado" que eu tenho, também tem o mesmo gosto para os trabalhos manuais...e a tendência para fazer vários ao mesmo tempo!!!
Ali está ela de tricotin em punho a resmungar contra a lã que resiste em ir para o seu lugar.
A minha mãe também é assim, apesar de nenhuma das mulheres da sua casa gostar destas coisas de agulha. Acho que já está nos genes e não vale a pena contrariar!
Esse defeito de gostar de fazer várias coisas ao mesmo tempo, porque cada técnica é um fascínio, porque cada trabalho é um desafio, ainda que dali a alguns dias, meses ou até anos, também passou de mãe para filha.
A minha mãe anda a fazer uma colcha de renda em rosetas há cerca de 30 anos, que já foi destinada à cama de solteiro do meu irmão, depois seria para o casamento dele, mas não ficou pronta, depois ainda era para o meu casamento, mas já passaram 10 anos e agora não é para dia nenhum, é para quando lhe apetecer, porque colchas destas só se fazem uma vez na vida e quando não se está no seu juízo perfeito... e a minha mãe já fez a dela, com 420 rosetas (a quantidade de vezes que eu ouvi este valor!).
A piada foi que esta colcha, a do enxoval da minha mãe, também cobriu a minha cama no dia do casamento e teve o mesmo uso no casamento da minha irmã. Já tinha que ser assim!
Mas isto não é lá grande virtude, achamos nós (eu e a minha mãe) e que até é um enorme defeito. Estou sempre a ouvir dela: "não sejas como eu, o que começares acaba, olha que depois fica pr'aí empatado!". E é que fica mesmo!
Para quem gosta desta coisa dos crafts, quase todos os tipos de trabalhos são interessantes. Estou sempre pronta para experimentar coisas novas e "mando-me" sempre para grandes projectos, que apesar de tudo vão-se acabando, mas alguns com anos de duração...
Até os bilros já dançam nas minhas mãos e nas da L., que tem um golfinho a caminho. É um consolo ouvir o som dos bilros a bater!!!
Só lamento não ter tempo para fazer mais coisas, para ensinar mais aos meus filhos (apesar de o J. também fazer umas coisas) e transmitir-lhes este fascínio por algo que é só nosso, do nosso tempo, porque saiu das nossas mãos, ainda que para as mãos de outra pessoa!

2 comentários:

APO disse...

É um gosto ler-te. Sabes que também é assim k sinto as minhas manualidades. Mas já a minha mãe era de acabar sempre o que começava. Fez umas três ou quatro colchas de renda, embora não tivesse tido tempo para acabar a última, entre muitas outras coisas. Eu sou mais de apetites. Agora apetece-me fazer isto depois já é akilo, e assim ficam uns quantos projectos a meio pelo caminho. Por vezes volto a eles e termino-os, outras nem tanto.

ticopei disse...

A minha mãe também sempre fez montes de coisas. Das que eu mais gostava era das camisolas de lã que ela tricotava e que incluiam bonequinhos e tudo. Ainda nests final de semana comentámos uma colcha que ela fez em algodão com duas agulhas, lindíssima, e que segundo ela já tem destino. Como não fez mais nenhuma e eu tenho mais uma irmã, a dita colcha não é nem para mim, nem para a minha irmã, mas sim para a minha filha Maria. A ver vamos como fica a coisa se a minha irmã tiver uma filha...Sempre quero ver como ela descalça a bota:)