segunda-feira, 16 de março de 2009

zopinha de mazaz


Língua para cima, projecta para o céu da boca, atrás dos incisivos superiores. Isso, assim mesmo, agora diz le, la, la, la, repetir sempre 3 vezes, não afinal são 10, vamos, outra vez, la, la, la...le, le, le...li, li, li,...lo...lu, lu, lua. Muito bem! Agora a língua para baixo, atrás dos incisivos inferiores. Segura a espátula, empurra a língua. Boa força, agora repete sa, sa, já, xá, xá...exactamente, agora vamos repetir aqui, em frente ao espelho, mais 555000000 vezes.
Antes de dormir, (quase) todos os dias, temos os exercícios da Filó para fazer, com a L. há 4 anos e com o G. há dois,
- porque ua, diz-se Lua e a mãe chama-se Isabel e não Isabeu
- porque garro, lê-se Carro
- porque zaco, lê-se Saco
- porque esscola, diz-se Escola
- porque eu já nem sei como é que se fala, de tantos eles e esses, com a língua para cima ou para baixo e a espátula ao alto ou atravessada.
A ver televisão, a língua vai para a "casinha" e a escrever não se ferra a pobre, que se esforça tanto em estar no sítio. Aperta daqui, estende dali, que a língua é um músculo e não se pode desleixar.

Tem valido a pena e até eu já falo melhor. Deito o olho às bocas dos amiguinhos todos e nem os jornalistas e os ministros me escapam, a quem não fazia mal nenhum fazer umas sessões com a Filó. Como é possível que ninguém lhes disse que não é assim que se fala, que não se percebe nem fica bonito. Têm que pôr a língua no sítio e treinar muito, muito, muito.

Também fazem exercícios para corrigir a forma de pegar no lápis que, se não for com o polegar e o indicador, faz a letra torta, e calos desnecessários e dores musculares no antebraço. As coisas que eu sei!!!! Nem sei o que me segura para corrigir as meninas das lojas quando anotam o meu contacto, que pegam na caneta como quem pega num martelo e fazem aos dedos autênticos malabarismos caligráficos.

Quem me está a ler já anda às voltas com a língua, que eu sei, sem saber onde a pousar, que eu também sei e o que vale é que se pode mexer no rato com os dedos todos, porque quem escreve é o computador.

Estou como a L.,

- Pareço uma maluca!


4 comentários:

LIA MAR disse...

Estou a ouvir a minha mãe, que hoje teria 90 anos:
- Corrige esse miudo (a). Ensina-o (a) a falar.Pode ficar com maus hábitos para sempre.
- Mãe, ele tem toda a vida para falar bem. Deixa-o falar mal enquanto pode.
-Não ligues e depois não te queixes.
Quando o unico médico do concelho ajudava a nascer os miudos, tratava das amigdalas e arrancava os dentes, e era desconhecida a terapia da fala.

A minha mãe iria aplaudir o seu esforço.

Cumptos

Brikebrok disse...

não achas que a a logopedia começa a ser uma mania ? de facto a terapia da fala dantes não existia e todos aprendémos a falar decentemente ao longo dos anos ...
um famoso terapeuta da fala português a certa altura aconselhou-me vivamente a abandonar as outras línguas cá em casa para falar só e bem português ! ainda bem que pensei pela minha sensata cabeça, os meus filhos têm um pai "estrangeiro" e viverão (quase) sempre no estrangeiro, por isso é preciso falar outras línguas, óbviamente, que estreiteza de visão aquela !
hoje falam bem português e óbviamente conseguem também falar com o pai na língua dele e na escola com a língua da escola - e é isto o mais importante. Claro que foi dado o tempo ao tempo e, claro, sem terapeutas da fala !

isabel disse...

Para nós, a logopedia tem sido cansativa, mas continuo convicta de que tem valido a pena, sobretudo pela carácter transversal com que tem sido abordada. E a experiência que tenho tido com uns faz-me estar mais atenta aos outros e os resultados têm sido positivos. Compreendo o que dizes relativamente à língua, mas penso que não é isso que está em causa neste trabalho, que incide no modo de pronunciar as letras e não no modo de expressar as palavras. Ao longo deste tempo, eu percebi que é uma questão muscular, de posição da língua no interior da boca que, se não for trabalhada, pode causar malformações no maxilar. E isto vê-se em pessoas do nosso tempo.

vera disse...

claro, claro, o meu caso é diferente