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segunda-feira, 25 de junho de 2012

precioso



Esperamos por um momento especial para oferecer a cada um dos nossos filhos um símbolo da profissão da nossa fé, que procuramos partilhar com eles em palavras, em atitudes e agora num pequeno objeto.

Por ocasião da primeira comunhão do Gonçalo e da profissão de fé da Leonor, prometemos a todos um presente especial e oferecemos-lhes um tesouro.

Guardados numa pequena bolsa, como verdadeiras preciosidades, esperamos que os terços que receberam os confortem e os fortaleçam nos momentos em que tenham necessidade de sentir Deus na pele.

Guardo o meu à cabeceira, que tantas vezes sossega as preocupações que me acompanham ao deitar, e que se vão suavizando à medida que as contas se desfiam por entre os dedos.




Já encontrei os deles debaixo da almofada. Parece que Deus já passou por lá!

terça-feira, 13 de março de 2012

crescer




À medida que os meninos crescem, sinto que é cada vez mais difícil ser assertiva na sua educação.
Quando iam para o quarto pensar uns minutinhos, era bem mais fácil, para eles e para nós. Já se diz que o tempo é o melhor remédio e nestas ocasiões é melhor que qualquer ralhete ou uma surra bem aviada.
O tempo arrefece e refreia os ânimos e os estragos acabam por ser menores. Os problemas mingam e a consciência surge para distinguir o certo do errado.
Mas agora cresceram e mandá-los para o quarto "pensar" é coisa do passado. O isolamento, se alivia a tensão inicial, rapidamente se transforma em afastamento e alimenta o motivo que gerou o conflito. 
Se insistir, ainda me pedem que encoste a porta e ligue o rádio na RFM.
Mesmo com tão pequena diferença de idades, noto que o mais novo tem crescido com uma energia tal que toma vida própria do alto dos seus 8 anos. Cada contrariedade é um conflito aberto e cada repreensão uma batalha titânica. Quando me salta a tampa (e salta-me tantas vezes a tampa), ainda o aviso que está a perder a noção do perigo…
- Que perigo?-pergunta ele.
- O perigo de levares uma surra!
Mas é tempo perdido e energia desperdiçada, porque os irmãos não se educam pela mesma cartilha e o que era suficientemente persuasivo para uns, não roça os calcanhares do receio para outros.
Também o que se poderia esperar dos filhos quando os educamos para pensar e questionar, quando desenvolvemos o seu espírito crítico e os impedimos de aceitar um “porque sim”?! Há que ser criativo, sem deixar de ser determinado e o mais possível assertivo.
Com o G. tenho aprendido muito nesta nova abordagem da educação e da disciplina e esgoto todas as formas de disciplinar que a imaginação me permite.
Para já, vai funcionado e acabamos de sair gloriosamente de uma semana de castigo. Castigo não, “período de avaliação”, como lhe chamamos. Apesar da dificuldade em cumprir e das limitações que lhe foram impostas, ele mostrou ter percebido que tinha ultrapassado os limites e acatou pacientemente o decurso do tempo. É claro que tentou negociar e encurtar o tempo que ainda lhe restava sem direito a televisão, mas não desobedeceu nunca. É uma grande vitória!
Sobretudo, ganhamos tempo de qualidade, com jogos e histórias lidas a dois ao serão, passeios de bicicleta e jogos matraquilhos, onde me deu uma abada monumental. Faz-me pensar que, agora, sou eu que preciso de um “período de avaliação” e concluir que a televisão tem vindo a ser uma baby-sitter de péssima qualidade, enquanto me ocupo nos afazeres do fim de tarde.
No fim da semana, felizes com a forma que encontramos para resolver o problema, abraçamo-nos longamente.
- Parabéns filho, esta semana cresceste imenso!
- Pois foi, cresci no pensamento!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Fui eu que fiz!

Em nossa casa, como certamente em todas as outras com gente lá dentro, há sempre muitas coisas para fazer.

Também aqui, como provavelmente nessas outras casas, o encargo maior fica por conta da "mãe" da casa que, para além de se encarregar pela sua gestão, executa grande parte das tarefas domésticas.

Foi sempre assim, e se calhar vai ser sempre assim, sem peso, sem mágoa, sem culpa. Acredito que faz parte da natureza das mulheres este empenho na busca da harmonia do espaço onde vivem, onde trabalham, onde estão e onde passam. É inato a qualquer mulher, colocar os objetos aos seu gosto e as rotinas ao seu jeito, mesmo as que rejeitam qualquer semelhança com o conceito de "fada-do-lar". Podemos resmungar, reclamar, protestar, mas no fim, o toque final é sempre nosso. 


Isto é o que me parece, que não sou homem, mas pelas amostras que tenho em casa dizem-me que deve ser mesmo assim.


Sem lamentos nem constrangimentos, que este blog não tem espaço para isso, digo que também estamos muito bem assim!


Na verdade, mesmo que a sensibilidade não desperte, nem o género facilite, o dever obriga e todos somos chamados ao esforço comum, mulheres e homens, meninas e meninos.


Com a chegada da "troika", o plano de contenção da despesa também se aplicou em nossa casa e houve necessidade de distribuir novas tarefas que chegam bem para todos.


O grosso dos trabalhos está a cargo dos graúdos, mas os miúdos assumiram igualmente funções muito importantes na organização da casa. Ainda que não apeteça, nem a preguiça permitam, não deixam de desempenhar com zelo e boa cara. Até porque, se não o fizerem, mais ninguém o fará. Foi este o acordo de família!


Se a Leonor não regar as plantas, elas murcham, se o João não levar o lixo lá fora, fica a cheirar mal cá dentro e se o Gonçalo não tirar a roupa dos cestos da roupa suja, ela nunca aparecerá limpa nas gavetas.


Aos poucos, vão sentindo que são parte de uma engrenagem que só funciona se todos fizermos um esforço. Afinal, só poderemos usufruir da companhia uns dos outros, a conversas, a brincar ou simplesmente a "estar", se tivermos concluído as tarefas de que nos encarregamos.


Mesmo que possa parecer repetitivo, cansativo e entediante colaborar, às vezes também é desafiante e eles vão sentindo que estão a crescer e que podem cuidar da família tão bem como os pais. 


Em tempo de férias, sem os deveres da escola a ocupar-lhes demasiado o tempo, têm ousado outras experiências em casa, para além das tarefas da "escala". O João já faz algumas vezes o jantar, ainda que sejam os pratos que ele mais aprecia, mas também não poderiam ser só desvantagens e tem-se saído muito bem, folgando-me uns preciosos minutos no fim do dia. 


Agora a Leonor também se juntou na cozinha e fez há dias a sua primeira sopa que, para ela, foi a sopa mais saborosa que alguma vez comeu. 


O Gonçalo deita a mão na massa para moldar uns apetecíveis biscoitos de canela.

Nesses dias a refeição é muito mais saborosa porque, dizem eles:
- Fui eu que fiz!



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

como novos...


Regressamos das férias há muito tempo e estamos diferentes!

Temos vindo a conhecermos-nos de novo, calmamente, a sentir e a perceber tudo o que esta mudança fez em cada um de nós.

É fantástico como uma viagem faz tanto pelas pessoas, sobretudo pelas pessoas, umas com as outras. Para mim, e agora para eles também, as viagens e as experiências que vivemos enriquecem-nos e fazem de nós aquilo que somos e queremos ser, são património nosso.

Atrevemo-nos a ir de carro, porque Paris é muito mais do que a Disney, mas Paris, mais Disney, mais 5 cadeiras no avião, somam euros a mais. Até por isso, crescemos mais, conscientes das necessidades de gestão permanente dos recursos, definindo objectivos e fazendo opções.

Todos usufruímos da viagem com muita curiosidade e vontade de conhecer o caminho que percorremos. Com pouca electrónica e muitos jogos e histórias, fizemos umas centenas de km e pernoitamos em Bilbau. Conhecemos o imponente museu Guggenheim e tiramos um par de horas para brincar e recuperar forças.

No dia seguinte já a língua era outra e o sonho estava cada vez mais próximo de acontecer.
Estivemos 3 intensos e divertidos dias nos Parques da Disney, onde testamos todos os nossos limites. Eu já tinha estado lá há muitos anos, mas só agora com o estatuto de mãe. Ignorei os meus medos, esqueci o comodismo e lá fomos nós, em subidas e descidas alucinantes, loopings não recomendáveis, com emoções irrepetíveis. Gostaria muito que a Leonor fosse menos parecida comigo e não sentisse os mesmos medos que dão voltas à barriga e fazem saltar as lágrimas dos olhos. Nestes momentos, o nosso abraço forte e as mãos bem juntas confortam, mas não aliviam. Ela teve medo, muito medo, mas não quis deixar de sentir nenhuma destas emoções.

O João cresceu, cresceu muito e mostrou-nos que é mesmo ele o filho mais velho. Ajudou-nos na logística dos mantimentos e no apoio aos irmãos.



Geriram muito bem o impulso consumista que nos atingiu a todos, espicaçado por todas aquelas lojas repletas de histórias, de brilhos e animação e andaram 3 dias a escolher o brinquedo que seria a sua principal recordação destes dias.

A Leonor deslumbrou com a Princesa Tiana, curiosamente (ou se calhar por isso) a única que não é verdadeiramente uma princesa e ficou sem fôlego quando ela passou mesmo à sua frente e lhe disse "Bonjour!"

Ficamos sempre até à noite para ver o fogo de artifício e trazer a magia da animação para os nossos sonhos. E valeu sempre a pena. Apesar de esgotados, aguentamos até ao brilho do útimo fogo e num desses dias ouvi do Gonçalo a declaração de amor mais linda da minha vida:



- Vês mãe, isto (o fogo de artifício) foi tudo para ti, só para ti!

Retribui com colo, abraços e beijos!

Depois chegou a vez da cidade da Luz, a única que me enche realmente as medidas e deslumbra em cada esquina, a cada passo.


É a quarta vez que estou em Paris mas a primeira com o Rui, que também já a conhecia de outros tempos. Foi uma viagem diferente também para nós que juntamos ainda mais a nossa história com mais de 21 longos e bons anos. Subi pela primeira vez à Torre Eiffel e percorri o Sena ao cair da noite e foi muito bonito. Sei que para ele também foi diferente, porque sentiu nos pés a imensidão da cidade e viveu intensamente cada uma das histórias que partilhamos de todos aqueles lugares únicos.
Para os meninos foi magnífico! Eles revelaram uma resistência irrepreensível e uma vontade imensa de reter tudo aquilo que os olhos lhe mostravam. Queriam saber porquê, quando e quem, exactamente onde... Ficou prometido um regresso, com 3 dias guardados para o Louvre e mais 1 para D'Orsay, com um fim de tarde no Pompidou e uma subida a La Défense, onde se avista a cidade, numa perspectiva muito nova.




 Depois, chegou a vez deles de nos contarem a história de Quasimodo e das gárgulas, que ganhavam vida ao cair da noite e da bela princesa que se apaixonou por um monstro.


O João atingiu a primeira maioridade em Paris, um privilégio para quem faz anos nas férias! Nesse dia era ele o Rei e levou-nos a La Villette, curioso com as projecções tridimensionais em La Geóde que lhe falei. Acabamos um dia com gelados e crepes a fazer a vez do bolo de aniversário. Não cabia em si de contente e nós com ele!
Com chuva a cair na pele, percorremos os Champs Elysées, em busca do obelisco da Place de La concorde, onde o Gonçalo deu um monumental tombo no chão, felizmente sem estragos.
E tinha mesmo que ser, porque durante toda a viagem, ele caminhou o dobro dos kilómetros que cada um de nós percorreu porque saltou de meco em meco, subiu e desceu escadas, alheio aos passeios e às ruas, sem dar a mão nem pedir colo, e nunca deu sinal de cansaço.  Ao fim de alguns dias, o mapa do metro não tinha segredos para a Leonor que, dominada pelo seu espírito matemático, decifrava sozinha o trajecto que teríamos que seguir para chegar a qualquer ponto da cidade.



Depois de recuperarmos o fôlego desta viagem e quando o PEC nos der uma folga, gostaríamos de nos aventurar por outras paragens, conhecer outras gentes, outras culturas, da mesma forma, a passo, sentindo o cheiro e os sabores de cada lugar, sobretudo agora que temos excelentes companheiros de viagem.

domingo, 18 de julho de 2010

mãe de muitos mais


Este fim de semana, fui mãe de muitos mais. 

Aos 3 juntamos mais 3, um amigo de cada 1, 3 amigos para cada 1.

Parecendo mais difícil, tornou-se mais fácil, com tanta alegria e longas horas de brincadeira intensa. Ao fim da tarde de hoje custou-nos deixa-los ir de volta para casa, de tão nossos que foram estes dias.
Para o Leonardo a casa já não traz novidades e está sempre pronto para cá voltar. Diz que em casa do "primo" há regras e come-se de tudo, mesmo milho. Fecham-se os olhos e limpa-se o prato.


A Kika é a mais nova de 3 e uma casa cheia já não é surpresa para ela. Nova para nós foi a sua calma e tranquilidade, com interesses muito diferentes da Leonor, o que demonstrou que os opostos se atraem e se completam. Ela acabou mais vezes na água do que certamente era sua vontade e a Leonor sentou-se a reaprender o crochet e o tricot, o que não estava de certeza nos seus planos para o fim de semana.


O Simão era o mais novo dos amigos, e foi o único que estranhou a cama. Custou a adormecer e a noite não passou seguida. Apareceu no nosso quarto a meio da noite e juntou-se a nós como um dos nossos. Sossegou e voltou a adormecer, o que prova que abraço de mãe ou de pai é aquele que aconchega com carinho e protege dos maus sonhos. "Estava difícil, esta noite", diz ele despreocupadamente de manhã, ao sentar-se na mesa para o pequeno almoço.



Não falta nada para voltarem cá todos, estes e muitos mais!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Matilde




A Matilde é um elefante de tromba esticada, tem olhos dengosos e toque macio.
De cor azulada e do tamanho do abraço, dorme com a Leonor há mais de uma semana.
Depois de escolher o modelo, decidiu a cor e pediu pressa, muita pressa para ficar pronto.
Chama-lhe Matilde, que é o nome que gostaria de chamar a uma irmã, se assim acontecesse.

Hoje partiu dentro da mala que voou com ela para lá do oceano, onde também se canta em Português. Leva com ele o cheiro de casa, dos abraços da mãe, dos beijos do pai e das brincadeiras dos irmãos.

Conto com a Matilde para lhe aconchegar as noites e sossegar as saudades.

Às minhas, vou fazendo o que posso...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

saudades do sol e do mar

Antes que o sol se vá e o frio nos gele de novo, antes que as aulas recomecem e os dias voltem a ser curtos, fomos matar saudades da praia, e do sol, e do sol da praia.
A Leonor procurou canas com sons diferentes, negociou com os irmãos para lhe cederem as deles e com elas montou um xilofone vertical. Fez-me lembrar esta tarde de sol.

Os rapazes chegaram-se à irmã e também fizeram música.




Ainda encontramos amigos e comemos gelados. Foi muito bom!



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

palhaçadas


Andamos a preparar os dias do Carnaval, a escolher fantasias, a procurar acessórios, a imaginar brincadeiras e a planear partidas a quem se puser a jeito.

Da arca saem as roupas, reutilizadas e adaptadas à vontade do momento e ao espírito da personagem.

A Leonor escolheu, de entre as roupas que usou nos espectáculos do ballet, um fato de palhaço de calças largas e chapéu em bico.

Juntamos um nariz vermelho com buzina, uma peruca azul e um laço de esguicha ao pescoço. Na lista de pedidos ainda havia uma almofada de p... de gases, mas ficou fora das compras, que nós não queremos cá ninguém com flatulência.

Uma espingarda prendeu a atenção do Gonçalo e a única solução foi transformar um pirata em cowboy, que por ele vai vestido de qualquer maneira, desde que leve munições.

O João, que eu pensei que já estava noutra onda, escolheu um chapéu de Indiana Jones e uma pistola com coldre ao ombro e ao fim do dia já houve tiroteio de plástico entre os rapazes.

O palhaço dali de cima, foi feito pelo Gonçalo no ano passado e andava aqui em rascunho desde essa altura.


;))




quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Voltaram

Voltaram os relógios, as rotinas, as regras e os trabalhos de casa.

Voltaram as horas de deitar e as desoras para acordar.

Voltaram as birras pela manhã e os despertadores silenciados à estalada.

Voltaram as mochilas para a escola, os lanches reforçados, as garrafas cheias de água e os lenços para espirrar.

Voltaram os horários para alinhar, artes para conciliar, a pedir reforços dentro e fora de casa.

Voltaram os fatos de banho molhados, o uniforme seco todos os dias e uns sapatos do ballet maiores.

Voltaram as pilhas de livros para encapar e os lápis para identificar.

Voltaram as chuteiras bem atadas e a guitarra na mala do carro.

Voltaram os lanches fora de casa e as bolachas para enganar.

Voltaram os depósitos cheios de combustível para quilómetros intermináveis.

Voltaram os lápis de cor e os cadernos para pintar.

Voltaram as agulhas de tricot para o saco, para as horas de espera e as filas de trânsito.

Voltaram os
invasores do ano passado, mas desta vez não me enganaram.


Até a minha agenda voltou à densidade habitual, com rasurados e correcções, das marcações e desmarcações.

E já tenho o nosso horário numa tabela de muitas entradas, com muitas cores, tantas quantas as actividades, em tantos outros lugares diferentes e demasiado distantes.



Dias assim fazem mais pela elegância do que um circuito de manutenção.


Estou como quero!




quarta-feira, 29 de julho de 2009

destes dias


Vai para 3 semanas que temos visitas em casa, entre sobrinhos e amigos dos meninos, à mesa nunca somos menos de 6 nem mais de 10 (e ainda nem chegaram as férias, a dos adultos, é claro!).
Montamos uma piscina maior, reforçamos a despensa com bolachas, iogurtes, pão e salsichas para os cachorros e maçãs, vários quilos de maçãs e temo-nos entendido cá todos. As camas também estão todas ocupadas e às vezes despacham-se 2 para a casa ao lado. À parte as habituais pegas entre irmãos e um ambiente sonoro com decibéis acima do permitido, ninguém resiste às rotinas da casa. Seja mãe, tia ou nada disso, aqui quem usa saia é mãe e se a mãe manda comer tudo, os meninos comem tudo e vêm o rosto espelhado no prato.
Com algumas folgas, obviamente, que eles não deixam passar despercebidas:
- Queres cenouras M.?
- Não, obrigado.
A L.:
- Eh, ó mãe, e nós temos que comer???
- Tem paciência, o M. não é meu filho e vocês são...
Diz ela...
- Ó tia!!!



Também já não me lembro de ir ver um filme para adultos e já sei os genéricos do Disney Chanell todos de cor. Em contrapartida, como pipocas sem constrangimento numa fila do cinema ocupada pelos netos da minha mãe e recebo mais abraços por dia do que poderia imaginar. Quando os ânimos se exaltam e os impulsos não se refreiam, vamos pintar, brincar e criar autênticas obras de arte.




Este foi o meu presente de aniversário, à minha espera desde as 7h30m da manhã, numa mesa posta com pratos e talheres para comer panquecas que eu haveria de fazer, enfeitado com um vaso desviado da janela da cozinha.



E agora com licença que eu vou festejar 35 anos a jogar bowling (e a levar com uma banhada de strikes marcados por eles) e a comer batatas fritas e pipocas, no meio de 4 abaixo dos 10 anos. Embora me apetecesse torrar ao sol da praia a fazer hexágonos de tecido, com agulha e linha, envolvidos nos papéis que eles me ajudaram a recortar. Mas não seria a mesma coisa...

domingo, 3 de maio de 2009

da mãe



3 filhos de primeira qualidade
300 gr de beijos

200 gr de abraços
100 ml de mimos
sementes de bilhetes, postais e presentes
1 colher de chá de risos
1 pitada de essência de amor


Levantar à hora que os olhos abrem e juntar-se aos filhos que o pai despertou.

De seguida, adicionar os beijos aos poucos, alternando com os abraços e deixar repousar.

Deitar na mistura as sementes de bilhetes coloridos com poemas de encantar, postais em forma de coração e presentes e presentinhos.

Dissolver nos mimos uma pitada de essência de amor e cobrir com uma colher de chá de risos.
Envolver tudo à mão, com muito cuidado e deixar no forno quente do coração...a vida toda!

Shhh...é esta a minha receita do dia da mãe.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

crafty boys

Desde que conhecemos o Magalhães em pessoa (como disse a L. na primeira vez que o viu na loja), ficamos com mais uma máquina de jogos electrónicos cá por casa, e mais birras por minuto também.

O G. não quer largar as teclas, para passar mais um nível de não sei o quê, e leva o meu nível de paciência a tal ponto que qualquer dia faço Game Over.


Não bastava a PSP colectiva, mais a PSP do J., mais o Game Boy restaurado a fita cola ou a XBOX herdada do tio (que está de quarentena há 2 meses) para pôr as crianças à estalada dia sim dia sim, agora vem o outro, o Magalhães, ajudar à festa. Quando a pressão aperta e se adverte que este vai fazer companhia à XBOX, a pequena diz que tem que ir ver o email, e tal, que não é para jogar nem nada...

Eu faço um esforço por motivá-los para outras coisas, para outras actividades, outros interesses, mas muitas vezes isso só acontece se as máquinas estiverem de castigo. Então eu que, que nunca gostei de jogar, nem sequer sei desligar os bichinhos, vejo-me aflita para entender aquele fascínio que eles sentem.


Há cerca de 1 mês tivemos uma semana sem máquinas, televisão incluída. Mais uma vez por castigo e não por opção. Mas talvez por lhes ter explicado que lhes ía ser retirado um direito, porque cada um deles incumpriu alguns dos seus deveres, a mensagem passou melhor. E posso assegurar que foram dos melhores dias dos últimos tempos.


Num desses dias, o G. esteve a tricotar no m
oinho e fez uma cobra gigante e colorida para brincar.

(Há um mês!!! Eu ando mesmo ausente destas paragens!!!)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Venham mais 5


Temos um amigo em casa esta semana, um amigo do J., de quem todos disputam a atenção.
São quase horas de jantar e eu estou pr'aqui online, com um ruído de fundo animado, de risos e brincadeira. Ninguém se zanga, ninguém se pega, ninguém se bate... Daqui a pouco vão à água e depois à sopa e ninguém reclama nem diz espeeeera! Não custa ir para o quarto e de manhã acordam antes da hora.
Parece que mais um é igual a menos dois e os muitos são muito mais mas fazem muito menos estragos.


Venham mais 5!


segunda-feira, 9 de março de 2009

pas de deux

Quando ainda sobram sextas-feiras sem trabalho, quando ainda falta um ano para fazer 6 anos, mãe e filho podem brincar a dois.
Só por um dia, os trabalhos esperam e o G. pode, de vez em quando, ser filho único!

Ele aprecia e eu também.
De vez em quando é bom ser mimado a sós, e esquecer que é um de muitos.
Jogamos as damas, a aldrabar as regras, porque nenhum dos dois se importa.
Com papel, tesoura e aguarelas desenhou-me numa flor e coloriu-a sem pressa.
- Pendura ali na parede, ao lado da minha.


E à tarde, já sente saudades dos irmãos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

cronometrado


Os dias passam a uma velocidade estonteante, já não sobram horas para quase nada e tudo se decide de um dia para o outro.


Por mais que programe, organize ou agende com antecedência, as coisas sucedem-se e o tempo não espera.


Com o J. no 5º ano e a dificuldade no estudo a adensar, vi-me na necessidade de registar os testes dele na minha agenda, para organizar todas as outras coisas que esta gente faz durante a semana, com tempo para estudar.


O teste de História estava marcado por estes dias, ainda longe, no mesmo dia em que uma amiga especial fazia 11 anos. O J. quiz oferecer-lhe um presente e pediu-me para fazer um cachecol com esta lã. Com tempo, pensava eu.

Mas os dias trocaram-se e o dia do teste, que era longe, deixou de o ser e afinal era no dia seguinte. Pois claro, o mesmo dia em que a amiga fazia anos.


Fiquei aflita, com o teste e depois com o presente da menina, que ainda não tinha entrado nas agulhas. E, a sair de um consulta às 8 h da noite, havia matéria para estudar, 3 banhos para dar, jantar para fazer e um cachecol para tricotar.


Inspira, expira, que não é assim que deve ser. Não sou eu que devo estar aflita e não é assim que ele vai estudar melhor a formação do Condado Portucalense.


Eles jantaram bem, cheiravam ainda melhor.

No dia seguinte, o J. foi com a matéria sabida e um presente na mochila, para aquecer um coração pequenino.


Ainda não me tinha visto nestes preparos...





segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

embalagem familiar




Esta é uma das preocupações quando vamos às compras: encontrar embalagem familiar dos ziliões de produtos que enchem o nosso carrinho de compras.

Mas isto do formato económico, não passa de mera publicidade ou ilusão de quantidade, porque a dose nunca chega, mesmo com 20% extra e grátis, dizem eles.

As espetadas são 4, os bifes são 4, até os iogurtes são 4 por embalagem. Quando são 5 deita por fora, está visto.

Para os fãs dos douradinhos, já há embalagem familiar, que embora não dê conta certa, depois de distribuir 6 para cada um (dos 3), ainda sobra peixe dentro do saco.

Talvez o defeito esteja mesmo nas bocas dos muitos, que não se ficam pelo menu infantil, nem com a ilusão do brinquedo. Os pratos ficam vazios e as travessas só voltam à cozinha com a salsa e as azeitonas. E o melhor é dar ao garfo, senão nem o nosso prato fica a salvo...

Ao Domingo, que sabe tão bem não fazer jantar, as crianças reclamam por um jantar de comida, comida mesmo, porque os crepes do lanche e as torradas com leite já não consolam e a canalha é de sustento!

E ainda que pareça estranho, o prato preferido deles é atum, com batatas cozidas, feijão frade e ovo...a seguir às batatas fritas, naturalmente, porque eles não são nenhuns extraterrestres!






terça-feira, 13 de janeiro de 2009

abelhinha



Sempre que nasce um bebé, dá vontade de o mimar, de o cheirar, de lhe tocar e de o trazer para casa.

Sempre que nasce um bebé, os sons da casa serenam para atender ao choro que se quer fazer ouvir. E não há intercomunicador que substitua os olhos e os ouvidos de quem lhe vigia o sono, porque não chega ver, é preciso ouvir bem o sopro da respiração.

Sempre que nasce um bebé dá vontade de ter outro, só nosso, um dos nossos!

Sempre que nasce um bebé, há motivo para festejar e para oferecer um presente.


Mas há bebés ainda a caminho, como a Matilde, que vai ouvir o som da abelhinha, para chamar o sono. A Matilde é um bebé pequenino, que está na barriga da professora de ballet da L. Ela quis oferecer-lhe um presente feito por ela e quanto a mim, acho que se saiu muito bem!

Na nossa rua há um bebé novo, que, não tarda nada, vai-se fazer ouvir cá fora. Chama-se Leonor, e por estes dias também vai receber um presente nosso.




quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

zero euros

O G. perguntou:
- Se eu estivesse à venda numa prateleira tu compravas-me?
- Claro que sim!!!
- E quanto dinheiro davas mim?
- Todo!
O pai provoca:
- E tu, compravas a mãe?
- Sim! E pagava zero euros.


Como dizia o meu avô, o G. "deu-me um bigode". Não se pode dar um preço a alguém que se gosta tanto assim.

domingo, 30 de novembro de 2008

nem a feijões!

Seja a chutar à bola , a jogar o monopólio ou a contar anedotas, nenhum deles gosta de perder.


Então dão a volta ao resultado, anulam golos e colocam traves a meio da baliza. Para não perder declaram banca rota e cortam o financiamento do jogo.


Fazem fintas e rasteiras, mudam as regras a toda a hora e dizem que nós, os adultos, é que não sabemos nada, que o jogo nem é para a nossa idade, e quem sabe é quem joga, que é como quem diz, quem consegue ganhar!


Mas às vezes nada disso resulta e então há choro, baba e ranho. A bola é sequestrada e mais ninguém joga. E nós, os adultos, os tais das regras do jogo, somos injustos, e só fazemos isto para os arreliar, porque não gostamos deles e se calhar nem somos os seus pais.


Outras vezes, um deles põe-se do nosso lado, e é aí que se entorna o caldo.


Aconteceu assim há dias, quando a L. não aceitou os golos do irmão, porque ela ainda não estava preparada, porque ele não respeitou a distância regulamentar...porque ela não apanhava uma.


Farto de a aturar, o G. desabafou com o pai:


- Eu acho que a L. já está fora da validade!!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ideias/idées


Um dia chamaram-me idiota e eu fiquei ofendida.


Depois explicaram-me que um idiota não é um parvo chapado mas uma pessoa com ideias, muitas ideias!


Se é assim ou não, nunca me interessei, porque esta é a versão que me cai melhor.



Por isso eu gosto tanto desta revista e dou várias voltas às páginas para sugar cada uma das tantas ideias que as imagens mostram. Ideias que talvez nunca venha a materializar mas que me ficam na mente (eu ia dizer na ideia, que é como se diz por cá) durante muito tempo.


Hoje foi dia de ir deitar a L., num tempo sem minutos só para mim e para ela.


Eles escolheram os dias de cada um e hoje o dia era da L..


A sugestão foi nossa, a escolha foi deles: a 2ª feira é do J, a 3ª do G. e a 4ª da L.

A 5ª feira é minha e do pai e a 6ª é dos 3, a anteceder 48 h a 5.


Deitamo-nos as duas a desfolhar uma revista das que a mãe gosta e que traz as bonecas que ela adormece no colo.


Escolhemos as roupas da próxima estação e fizemos ajustes ao gosto da dona, que quer uma boina em vez de um gorro, assim inclinada para o lado, estás a perceber?






Pela primeira vez a L. voltou a página e encontrou outras imagens, muitas ideias que geravam novas ideias na sua cabeça e que ela partilhava com um gosto que não lhe conhecia.



O estojo de alfinetes transformado em cartão de boas festas e os alfinetes podem ter flores, e botas de Natal e caras de urso (salvo seja!) e estrelas e assim e assado.








A árvore de Natal, então, cheia de laços pode esconder um chocolate ou outra surpresa, uma coisa boa e o primeiro que a descobrir tem direito a abrir o primeiro presente. Era boa, não era?!



Para ela pediu este cachecol, tal e qual, vermelho e branco, com os quadradinhos em baixo, assim como este, quentinho.



A ver se faço e passo a ideia para as agulhas...