...ouvir os pais a ameaçar os filhos de "porrada"...
"Não faças isso senão eu bato-te"
"Olha que vais levar"
"Anda aqui para eu te bater"(juro que já ouvi esta?)
"Queres apanhar?" (Será que estão à espera que lhes responda que sim)
"É agora que te vou dar uma galheta." (Vá lá que avisam...)
E depois...nada.
Não é que eu pense que o castigo físico resolva alguma coisa, porque para mal dos meus pecados, não castigo os meus filhos com palmadas e vejo-me bem negra para que me obedeçam. Eu já sei que se lhes batesse já não era eu que o fazia, mas toda a minha ira, toda a minha irritação e, apesar de ser advogada, não respondo por ela.
Mas irrita-me ouvir estas ameaças todas, alto e bom som em locais públicos, de preferência em supermercados, centros comerciais, salas de espera, de mão em riste, para que toda a gente saiba quem manda em casa e depois, nada, os meninos continuam a "pintar a manta", a "aviar" bofetadas uns aos outros e a arremessar objectos pelo ar.
Irrita-me esta tendência para impor a lei do mais forte, da aparência, da prepotência dos adultos em relação às crianças, não as tratando com o respeito e a dignidade que elas merecem, castigando-as quando assim tem que ser para que aprendam o que está certo e o que está errado.
Não é preciso bater, não é preciso gritar, basta acabar com a festa dos meninos, tirar-lhes da mão o que lhes dá prazer e ensiná-los a acalmar, ainda que a reflexão seja forçada, porque naquele sítio ninguém contratou palhaços para o espectáculo...!
Admito, tenho que admitir que não havia coisa mais eficaz para me fazer comer as ervilhas quando era pequena como o beliscão silencioso da minha mãe por baixo da mesa que só eu percebia, e de que maneira. Teve resultados: hoje como ervilhas, adoro ervilhas e nem imagino o que me incomodava comê-las quando era pequena.
Mas eu não ando irritada, só achei que era muito assunto para escrever só num post.