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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Irrita-me também

...ouvir os pais a ameaçar os filhos de "porrada"...


"Não faças isso senão eu bato-te"


"Olha que vais levar"


"Anda aqui para eu te bater"(juro que já ouvi esta?)


"Queres apanhar?" (Será que estão à espera que lhes responda que sim)


"É agora que te vou dar uma galheta." (Vá lá que avisam...)


E depois...nada.


Não é que eu pense que o castigo físico resolva alguma coisa, porque para mal dos meus pecados, não castigo os meus filhos com palmadas e vejo-me bem negra para que me obedeçam. Eu já sei que se lhes batesse já não era eu que o fazia, mas toda a minha ira, toda a minha irritação e, apesar de ser advogada, não respondo por ela.


Mas irrita-me ouvir estas ameaças todas, alto e bom som em locais públicos, de preferência em supermercados, centros comerciais, salas de espera, de mão em riste, para que toda a gente saiba quem manda em casa e depois, nada, os meninos continuam a "pintar a manta", a "aviar" bofetadas uns aos outros e a arremessar objectos pelo ar.


Irrita-me esta tendência para impor a lei do mais forte, da aparência, da prepotência dos adultos em relação às crianças, não as tratando com o respeito e a dignidade que elas merecem, castigando-as quando assim tem que ser para que aprendam o que está certo e o que está errado.


Não é preciso bater, não é preciso gritar, basta acabar com a festa dos meninos, tirar-lhes da mão o que lhes dá prazer e ensiná-los a acalmar, ainda que a reflexão seja forçada, porque naquele sítio ninguém contratou palhaços para o espectáculo...!


Admito, tenho que admitir que não havia coisa mais eficaz para me fazer comer as ervilhas quando era pequena como o beliscão silencioso da minha mãe por baixo da mesa que só eu percebia, e de que maneira. Teve resultados: hoje como ervilhas, adoro ervilhas e nem imagino o que me incomodava comê-las quando era pequena.
Mas eu não ando irritada, só achei que era muito assunto para escrever só num post.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Irrita-me

Há coisas que me irritam, irritam-me muito.
Irrita-me ouvir pais chamar os filhos pelos seus nomes próprios, isolada e indistintamente.
"Anda cá Carlinhos"
"Olha que eu zango-me Daniel"
"Não batas ao teu irmão Eduardo"
"Huguinho anda beber o iogurte"
Olho para trás espantada, não, a Senhora não tem 4 filhos, são dois, cada um deles com 2 nomes e a mãe faz questão de os gastar bem.
Será que ainda ninguém explicou a estas pessoas que os nomes, sobretudo os nomes próprios, servem para individualizar cada pessoa e são para cada um de nós uma referência de identidade...
Não tenho nada contra os dois nomes próprios. Apesar de os meus filhos só terem um nome próprio, a L. quase esteve para se chamar Maria L., não fosse o pai embirrar com o nome. E bem falta me fazem os 2ºs nomes quando tenho que lhes ralhar...e lá vou recorrendo ao apelido para ver se o tom engrossa um bocadinho.
Escolhemos os nomes dos nossos filhos antes de os conceber (há gente para tudo!) e um dos critérios de escolha foi o dos diminutivos que lhes poderiam vir a "colar", e talvez por isso os nomes sejam tão importantes para mim.
Se calhar foi por só ouvir "Isabel Celeste" quando a coisa corria mal para o meu lado que fiquei a pensar assim.
Se calhar é mesmo paranóia, mas eu sou assim, pronto!