quarta-feira, 19 de outubro de 2011

cheira a frio



Nos últimos tempos, em que viraram a nossa vida do avesso, a ver sobrar-nos cada vez mais mês no fim do dinheiro, parece que nem os meses sabem a que estação pertencem.

O calor estendeu-se mais do que podia, e seduz-nos para manter o ritmo das férias que já não temos.

Mas parece que o frio, finalmente, já está a chegar e com ele o cheiro a canela...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

coser as saudades

Nestas férias de Verão terminei, finalmente, uma manta para a cama do João.
Há mais de um ano, ele pediu-me para fazer uma manta para ele. Escolheu o modelo neste livro e as cores ao seu gosto, retiradas dos intensos sólidos das prateleiras da loja.



Animada pelo entusiasmo dele, logo de seguida cortei os moldes e depois os tecidos e planeie o trabalho.
No entanto, o ritmo dos dias trocou-me os planos e este trabalho juntou-se a tantos outros que acumulam pó nos sacos e caixas do quarto de costura.
Dia após dia, olhava para os tecidos prontos a coser sem tempo para lhes pegar e finalmente dar corpo àquele monte de tiras. O João perguntava-me insistentemente pela manta, com pena por não a ver crescer.
Com a consciência no chão, adiava o trabalho por isto e por aquilo, pelos presente de Natal e de aniversário e pelos milhões de coisas que se atravessam para fazer todos os dias.


Quando finalmente fiz o topo da manta, coloquei-a na cama para experimentar e reparei que era demasiado larga e curta para a cama dele.

Fiz, desfiz e refiz e voltou a ter forma, quase pronta para acolchoar.



Mas foi preciso o rapaz sair de casa para um acampamento de muitos dias, para me dar o empurrão que precisava. 

Enquanto pensava nele e na fantástica experiência que estava a viver, cosia as saudades com linha de algodão na manta que ele tanto desejava.


E aí, as horas rendiam e sobravam pela noite dentro, com o coração retalhado de uma mãe mimalha, que empurra os filhos para o mundo, a esconder uma lágrima no olho.



Ele regressou de lá novo, feliz, crescido e com uma manta nova para o cobrir nas noites de Verão.

Se calhar nada acontece por acaso e esta manta podia bem chamar-se "saudade"... 


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Patch Solidário 2011

Desta vez também vou participar no Patch solidário, este ano dedicado à Ajuda de Mãe




Vai ser uma excelente oportunidade de fazer o bem a fazer o que se gosta.

Obrigada às talentosas organizadoras que se veem dedicando a esta causa e que mobilizam o esforço de todas as participantes num objetivo tão bonito: dar aconchego ao sono dos bebés da Ajuda de Mãe.

Os blocos já tomaram o caminho e chegaram primeiro a Lisboa. Eu irei atrás!





sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Fui eu que fiz!

Em nossa casa, como certamente em todas as outras com gente lá dentro, há sempre muitas coisas para fazer.

Também aqui, como provavelmente nessas outras casas, o encargo maior fica por conta da "mãe" da casa que, para além de se encarregar pela sua gestão, executa grande parte das tarefas domésticas.

Foi sempre assim, e se calhar vai ser sempre assim, sem peso, sem mágoa, sem culpa. Acredito que faz parte da natureza das mulheres este empenho na busca da harmonia do espaço onde vivem, onde trabalham, onde estão e onde passam. É inato a qualquer mulher, colocar os objetos aos seu gosto e as rotinas ao seu jeito, mesmo as que rejeitam qualquer semelhança com o conceito de "fada-do-lar". Podemos resmungar, reclamar, protestar, mas no fim, o toque final é sempre nosso. 


Isto é o que me parece, que não sou homem, mas pelas amostras que tenho em casa dizem-me que deve ser mesmo assim.


Sem lamentos nem constrangimentos, que este blog não tem espaço para isso, digo que também estamos muito bem assim!


Na verdade, mesmo que a sensibilidade não desperte, nem o género facilite, o dever obriga e todos somos chamados ao esforço comum, mulheres e homens, meninas e meninos.


Com a chegada da "troika", o plano de contenção da despesa também se aplicou em nossa casa e houve necessidade de distribuir novas tarefas que chegam bem para todos.


O grosso dos trabalhos está a cargo dos graúdos, mas os miúdos assumiram igualmente funções muito importantes na organização da casa. Ainda que não apeteça, nem a preguiça permitam, não deixam de desempenhar com zelo e boa cara. Até porque, se não o fizerem, mais ninguém o fará. Foi este o acordo de família!


Se a Leonor não regar as plantas, elas murcham, se o João não levar o lixo lá fora, fica a cheirar mal cá dentro e se o Gonçalo não tirar a roupa dos cestos da roupa suja, ela nunca aparecerá limpa nas gavetas.


Aos poucos, vão sentindo que são parte de uma engrenagem que só funciona se todos fizermos um esforço. Afinal, só poderemos usufruir da companhia uns dos outros, a conversas, a brincar ou simplesmente a "estar", se tivermos concluído as tarefas de que nos encarregamos.


Mesmo que possa parecer repetitivo, cansativo e entediante colaborar, às vezes também é desafiante e eles vão sentindo que estão a crescer e que podem cuidar da família tão bem como os pais. 


Em tempo de férias, sem os deveres da escola a ocupar-lhes demasiado o tempo, têm ousado outras experiências em casa, para além das tarefas da "escala". O João já faz algumas vezes o jantar, ainda que sejam os pratos que ele mais aprecia, mas também não poderiam ser só desvantagens e tem-se saído muito bem, folgando-me uns preciosos minutos no fim do dia. 


Agora a Leonor também se juntou na cozinha e fez há dias a sua primeira sopa que, para ela, foi a sopa mais saborosa que alguma vez comeu. 


O Gonçalo deita a mão na massa para moldar uns apetecíveis biscoitos de canela.

Nesses dias a refeição é muito mais saborosa porque, dizem eles:
- Fui eu que fiz!



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Vizinhos

Os vizinhos são os amigos de fim de tarde, de fim de semana e das férias do Verão.

Em tempo de aulas, se não há testes ou deveres para o dia seguinte, correm todos lá para fora ao encontro dos vizinhos. Eles estão sempre por lá, pela rua ou no ringue

É verdade, a nossa rua tem um ringue, meio esquecido, meio maltratado, mas que ganha vida quando os vizinhos se juntam por lá a brincar. E aí, a imaginação é o limite. Jogam à bola, andam de bicicleta ou de patins e saltam de skate, em acrobacias impróprias para espetadores mais sensíveis. Têm quase todos idades diferentes, mas encontram sempre interesses comuns quando se fala de brincadeira. Até a pequenina Leonor de 2 aninhos, se quer juntar aos vizinhos mal ouve as gargalhadas que vêm de lá de fora ao fim da tarde. 

Por lá os vizinhos, são os "vizinhos do ringue" e se falha algum do grupo, batem-lhe à porta a chamá-lo, não vá ter-se esquecido.

Agora nas férias, quando o calor aperta e a tarde ainda é longa, dão uns mergulhos na água, a fingir que a nossa rua é um resort e continuam a brincadeira na nossa casa.

Dos vizinhos ninguém se cansa, com os vizinhos ninguém se zanga, são uma espécie de irmãos de rua, numa amizade descomprometida e descomplicada.

Lancham ou jantam de vez em quando em casa uns dos outros, e o recado dá-se à janela, de lá, onde a mãe nos ouve. E comida, não há como a da vizinha!

Os meus vizinhos eram os amigos do "souto", o parque de austrálias bem no centro do Curro, para onde corria toda a criançada do lugar. As mães chamavam para o jantar do alto da rua, porque sabiam que estávamos todos lá. Uns chegavam com os joelhos esfolados  outros a choramingar por um arrufo mais resolvido (esta era eu!). Mas no dia seguinte, estávamos lá todos outra vez.

Cá para mim, os vizinhos deviam ser elevados a património histórico mundial!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Feira do livro


Terminou ontem a 81ª edição da Feira do Livro do Porto e nós estivemos lá!

A pretexto das promoções ou dos presentes de última hora, qualquer motivo é suficiente para mais uma visita. 
Mesmo que hoje haja excelentes livrarias e a oferta de livros seja tão vasta, a vida que se vive dentro da feira do livro não tem igual. Se antes atraía pelo deslumbramento dos livros que estavam um ano inteiro atrás de longos balcões, inibidos por enorme prateleiras de difícil acesso para quem só queria consolar a vista e dar gosto aos dedos, hoje atrai pelo seu ambiente peculiar.

As cores das encadernações, o cheiro das folhas repetidamente manuseadas, os comentários de quem passa e de quem oferece, sempre novos, mas sempre familiares.

Já com muitas páginas lidas, os meninos começam a perceber melhor o que são as editoras e que tipo de livros oferece cada uma delas. Agradou-me ver que procuram livros, que chamam pelo nome e não se deixam iludir pela publicidade de um expositor avançado.

Também eu me perco a ler o que contam os livros que "namoro" pela capa e que fui durante meses adicionando à lista dos favoritos. 
Apetece sentar e ficar por ali horas, a ouvir a música e a respirar o ar das palavras, que parecem sair das páginas escritas. E o ambiente criado este ano atraía para esse envolvimento. Estava-se bem por lá!

Depois de percorrermos todas as bancas, atraídos pelas preferências de cada um, houve um livro que nos cativou mais que os outros, diferente para cada um de nós.

A Leonor escolheu, sem hesitar, o Diário de Anne Frank, depois de ler A Lua de Joana,  numa incursão na escrita sem final de feliz.

O João não queria acreditar que tinha encontrado toda a coleção dos livros de Mangá, até o volume 4, que, pelos vistos, não se encontra em lado nenhum. Desconheço o conteúdo ou o tipo de histórias, mas percebi que, para um rapaz que aprende com os olhos, as imagens valem mais que mil palavras.

O Gonçalo, entre saltos e cambalhotas, sentou-se calmamente a ler um livro de piadas e fazia rir quem por ali passava. Trouxe este para casa, cujas anedotas já sabe quase de cor.

Eu, sem saber bem por onde escolher, tantos são os items na minha lista, optei pelo mais recente livro de Ildefonso Falcones, A mão de Fátima, depois de finalmente ter começado a ler A Catedral do Mar, que envolve o leitor deste a primeira linha. Recomendo!

Não sei se algum dia irá diminuir a minha lista de favoritos ou sequer o monte de livros à espera de serem lidos. Também não me incomoda, os livros são companheiros de viagem, parceiros de vida, testemunhos de vida, que durante algum tempo também é nossa! 

domingo, 1 de maio de 2011

da mãe

Volvidos 5 anos desde que aqui cheguei, é novamente dia da mãe!
Ao contrário do que aconteceu há 5 anos atrás, não tenho os meus "pintos" debaixo da minha "asa", que voaram para outros lados, em parelha com os amigos. Ficou connosco a Leonor que nos oferece a música de fundo deste fim de semana enquanto estuda piano para o concurso. Uma delícia para os ouvidos!
Os presentes, os abraços e os beijos foram ontem, em festejo vespertino entre mães, a deles e a minha.

Da minha mãe, recebi há algum tempo o melhor presente de filha, uma colcha de renda, feita em rosetas, ao longo de 30 anos, seguramente.

Depois de terminar a colcha da cama dela, às vésperas do seu casamento, com 420 rosetas e ziliões de "rabinhos de porco" na franja, a minha mãe sempre teve vontade de fazer uma colcha de renda para a cama de cada um dos filhos. Louvo-lhe a coragem!

As rosetas andavam sempre na bolsa, de rua e de viagem (quando ainda se podia embarcar com agulhas de crochet) e iam-se completando uma a uma, em contagem decrescente para um número que também ascendia às centenas.


Planeada para a cama de solteiro do meu irmão, rapidamente o rapaz cresceu mais depressa que a colcha, e saiu de casa sem a levar. 

Sem concorrentes à vista, pedi para mim esta magnifica colcha, e guardar com ela todas as memórias da minha mãe a dar a volta ao fio e ao quadrado, um após outro,  ano após ano, em tantos momentos e em tantos lugares do mundo.

Muda-se a cama, aumentam-se as rosetas, prolonga-se o tempo e ficou planeada para o dia do meu casamento.


O tempo voltou a andar mais rápido e foi a colcha de núpcias da minha mãe que fez as núpcias do meu casamento. Que grande honra!


Mas esta continuou nas bolsas e depois nas caixas e contadas as peças (550) ,escolhemos a renda para as juntar. E assim ficou pronta e se tornou um autêntico tesouro de família!


Está na nossa cama desde que o sol decidiu vir para ficar, fazendo do nosso quarto um lugar ainda mais luminoso!