sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Esqueço-me

...da máquina fotográfica, mais vezes do que desejaria...


Sempre gostei de fotografar, apesar de nunca o ter feito bem. Não entendo nada de luzes, nem de sombras, nem de enquadramentos.

Interessa-me sempre registar o momento, em vários movimentos, como de uma cena de banda desenhada se tratasse.

Nas viagens é na minha mão que anda a máquina e parece que não estive lá, porque estou sempre do lado de cá da objectiva.

Às máquinas de filmar nunca prestei grande atenção, por não prever grandes oportunidades para ver o resultado das filmagens.

Para mim, as fotografias são diferentes, vejo, revejo, reproduzo e exponho. Nunca tão bem como a minha amiga, mas vou organizando uns álbuns para uns e para outros.


No entanto, desde que tenho a máquina digital, tiro cada vez mais fotografias e imprimo cada vez menos (não deve ser só comigo...)


Aos meninos nunca poupei no flash e o J. tem uma boa conta de albuns, mais do que um para o mesmo ano de vida.

Com a L. a quantidade diminuiu e com o G. nem se fala. O que vale é que ele é igual ao irmão e sempre se podem desviar algumas do J. para o album dele... ;)


O blog veio espevitar novamente o uso da máquina. Acho que este espaço tem mais piada com imagens.

Os meninos até já me dizem:


- Agora tira-me uma com cabeça...

No entanto, o título deste texto é esqueço-me...

É que eu esqueço-me tantas vezes de andar com a dita, sobretudo nas festas, de Natal, de fim de ano, nas audições ou nas aulas abertas.

Arrelio-me, lamento-me e já não me adianta nada porque a máquina ficou mesmo em casa e aqui o telemóvel da menina só faz e recebe chamadas.


Mas como não sou de me lamentar, e para aliviar a consciência, dou volta aos pais mais aplicados e troco mails para me enviarem as fotografias, que até são tiradas com máquinas XPTO...


Pelo menos nunca me esqueci das partituras nem do fato de ballet ... nem de nenhum deles pelo caminho ... já é bom! E poder vê-los com os dois olhos bem abertos e ter as mãos livres para bater muitas palmas é outro consolo!!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Presentes


... para quem cuida do meus muitos, durante todo o ano, durante todo o dia ... durante o tempo que eu gostaria de passar com eles ...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Luzes de Natal


Na terra dos Pais Natais, como apelidou o meu sobrinho mais velho, em que quase todas as casas têm as janelas, varandas, chaminés e jardins iluminados, a nossa casa tem resistido à iluminação exterior. Não é por falta de desejo da pequenada, que bem apela e compara, mas admito que, por insistência minha, as luzes só se ligam cá por dentro.
Este ano, no entanto, fui excluída da votação e tive que aceitar a iluminação do damasqueiro da entrada.
Mas ontem, no regresso a casa, num dia mais iluminado que o habitual dos dias do J., ele repara:
- Estas pessoas não devem ser felizes...
- Porquê?- pergunto eu.
- Não têm luzes em casa. Não conseguem sentir a alegria do Natal!
Então ilumine-se não só a árvore, mas também os frutos, os jardins e a casa toda.
Que venha a luz que traz essa alegria que tem andado arredada por aqui.
E numa onda de luz, também o mais pequeno chegou feliz da escola por ter pintado um estrela cardente.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Uma mãe de encantar!

Na sexta feira passada quis fazer uma surpresa aos meus muitos e pensei levá-los ao cinema ao fim da tarde (pensar não pensei, porque se o tivesse feito tinha ido direitinha para casa).
Galguei do meu trabalho até à escola para os levar a tempo da sessão das 18.55h (eu estudei o cartaz com antecedência).
Antes de retomar a viagem para o centro da cidade ainda tive que resolver um qui pro quo entre os manos mais velhos que de vez em quando se lembram de brincar à luta livre americana (mas onde é que eu estava com a cabeça...) e lá dei corda aos pneus porque o tempo passava.
No caminho falei-lhes onde íamos, e que lá teriam que se portar bem porque a mãe estava sozinha e não se consegue virar para 3 lados ao mesmo tempo. Além disso, estávamos mesmo em cima da hora e tínhamos que andar ligeiros para dar tempo para comprar pipocas.
A L. a ajudar:
- G. não podes parar em todos os carrinhos (aqueles onde nós não pomos as moedas), ok?
Fui ao cinema do costume e cheguei à bilheteira às 18.53h, onde me deparei com uma sessão na versão original e duas crianças abaixo dos 6 anos.
Lamentavelmente, não estudei suficientemente o cartaz. Mas sabia que noutro cinema a sessão era às 19h e esta sim, em português.
Galgamos mais uma vez para o carro e daqui para o cinema (que fica a uns 5-10 minutos de carro).
Chegados lá (em segurança, garanto), compramos os bilhetes, as pipocas e desviamos o G. de 2 ou 3 carros. Finalmente às 19.10h sentamos-nos calmamente a ver o filme que tinha acabado de começar (benditos anúncios).
O filme era "Uma história de encantar", que conta a história de uma princesa que caiu no mundo real, vinda do país dos contos de fadas. Aqui, trocou o seu príncipe encantado pelo homem por quem se apaixonou, com quem ficou a viver feliz para sempre. Durante a história, cantou muito, dançou mais ainda e sorria, sorria imenso. A cena final é da princesa na sua nova casa com a nova família a brincar, a pular e a cantar.
Ainda não tinhamos saído da sala do cinema e sou brindada com a seguinte afirmação:
- Ó mãe, podias ser uma mãe assim, como a princesa!!!
Não são de modernices, os meninos. Gostam é de uma mãe que faz vestidos com os cortinados e limpa a casa com a ajuda da bicharada.
Isto de ir ao cinema e comprar pipocas é programa sem piada nenhuma.
Depois disto eu ainda lhes dei batatas fritas. Eu mereço...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

:(

Custa-me menos ouvir dizer que o meu filho foi mal educado, rebelde, irreverente, irrequieto do que triste.

Não consigo suportar essa tristeza.

Sei cuidar dele, aliviar-lhe as dores de barriga, tratar as marcas das quedas, preparar-lhe a comida que mais gosta e ajudá-lo a estudar.

Sei brincar, construir legos e montar playmobil, só não consigo aliviar-lhe a tristeza.

Não consigo sequer perceber o que tanto o entristece, se a incapacidade de lidar com as suas próprias frustrações, se a falta de confiança, se algo mais ao fundo onde não consigo chegar.

Quando me apercebo de alguma fragilidade, ninguém me segura e vou até onde posso ir e se calhar onde também não posso.

Faço tudo o que a uma mãe é permitido, mas não lhe consigo aliviar a tristeza.

Choro, por tudo e por quase nada.

Mas não aguento ouvir dizerem-me que o meu filho é um menino triste...porque eu também sei disso e o meu amor não chega para lhe aliviar essa tristeza...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Upgrade


Os meus estudos comprovam que os 2ºs e 3ºs filhos vêm com upgrade de desenrascanço.
Não serão bem os meus estudos, talvez mais a minha experiência, mas como é vasta, acho que permite considerar-se de análise cuidada e avaliada.

O J., com os privilégios dignos de um primogénito, entrou aos 2 anos para o infantário a comer nada mais do que sopa e ainda esta à "lei da bala". Sólidos só mesmo os rissóis com que a avó o mimava ( e nós que tínhamos lidos nos livros que fritos, nunca antes dos 3 anos...).
Foi caricata a primeira entrevista com a Directora que nos perguntava qual era o alimento que ele não gostava e nós...não sabíamos...
- Ele não come nada, como é que vou saber o que ele não gosta?!!
Já cresceu entretanto, come todos os sólidos, aliás, muitos sólidos. É o leão das batatas fritas, como gosta de se gabar.
A L. já chegou mais expedita (ou não fosse mulher) e poucas resistências fazia na alimentação, nos cuidados de higiene e na hora de dormir (salvo um período conturbado em que se recusava a pregar olho, mas isso já passou e eu nem gosto de me lembrar...).
Desde cedo que se veste sozinha (ainda hoje é a primeira), come pela sua mão e estuda sem ninguém mandar.
Dificilmente espera que a atendam quando pede ajuda e resolve directamente as suas pequenas dificuldades.
Muitas vezes é ela quem acalma a fera que se dá pelo nome de G. e brinca às mães com o irmão mais novo.
Confesso que frequentemente me surpreendo com o seu crescimento acelerado.
Mas o G., definitivamente, veio com um upgrade de última geração.
Tem tanto de mau feitio como de independência. Tem pressa para atingir o ritmo dos irmãos e recusa-se a ser tratado como o mais pequeno.
Ontem mesmo, depois de quase se ter lançado ao pescoço da irmã para a destronar do banco do piano onde pensava que queria tocar, veio-me ajudar a arrumar a louça da máquina e a por a mesa e o resultado foi aquele, com os talheres alinhados e os copos distribuídos.
Depois, fez questão de tomar banho sozinho e de chuveiro (comigo à espreita, naturalmente).
Esta manhã, não me deixou ficar no quarto quando o acordei porque se queria vestir sozinho, mas mesmo sozinho, sem ninguém a vigiar. E é que não se esqueceu de nada.
Quase 4 anos, quase um homenzinho!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

com o leite...


As embalagens do leite que a pequenada bebe têm trazido um jogo de cartas com várias imagens de animais legendadas com o seu nome em inglês.
Para quem, como nós, que compra leite a granel (enquanto o pai não cumpre a ameaça de comprar directamente uma vaca e instalá-la no andar de cima da casa, nos tempos em que também trazia um copo de leite aqui para a mamã grávida), as ofertas que "gentilmente" os produtores juntam às embalagens podem ser um benefício ou um grande transtorno.
Depois de me fartar de apanhar pelo chão as imensas peças do puzzle do abecedário ou depois de esconder as bolas insufláveis, antes que eu própria não conseguisse entrar em casa, eis que surge "atrelado" ao leite uma oferta interessante.
Depois de bem distribuídas as cartas por cada um dos muitos, durante uns dias eles entusiasmaram-se a descobrir e memorizar os nomes dos animais em inglês.
O G. apreciou a oferta bem mais que os irmãos e, todas as manhãs, depois de deixar os mais velhos na escola, vamos os dois a jogar às cartas até ao infantário. Ele pergunta e eu respondo:

- Abelha?
- Bee.
- Certo! Rã? (não dá para ver o sexo do bicho???)
- Frog.
- Boa mãe! Cavalo? (Ah, é verdade, não diz gavalo)
- Horse.

Com as sucessivas repetições, o G. já vai fixando alguns nomes, e então é ele quem diz:

- Cat?
- Gato.
- Certo! Lion?
- Leão.
- Muito bem!...

Mas às vezes baralha-se...

- Max?
- Cão.
- Certoooo!!!

O dog ficará para a semana...