quinta-feira, 15 de novembro de 2007

com a Brigada de Trânsito no banco de trás

É assim que eu ando, todos os dias, com 3 agentes da Brigada de Trânsito sentados no banco de trás do meu carro, disfarçados de filhos.
A L. manda-me andar devagar quando entramos na auto estrada.

- Eh lá mãe, estás a andar tão de força!!!

Atrapalha-se quando ultrapasso um carro.

- Deixa lá o carro ir à frente...

E faz questão de me avisar ao segundo quando o semáforo muda para verde.

- Já estáááá!!!

Ao J. agora deu-lhe para me repreender quando estou a fazer crochet ou tricot nas filas de trânsito.

- Achas que isto é sítio para fazer isso?!
- O quê?-pergunto entretida.
- Isso dos fios e das agulhas...

Não satisfeito quando lhe digo que estou atenta aos carros e não faria nada que pusesse em causa a nossa segurança...

-Estás atenta, estás, olha o carro da frente a avançar?!!!

Não me dá tréguas, este menino!
Crochet ou tricot, só depois de os deixar na escola e antes de os ir buscar.
Hoje foi a vez do G., quando parei atrás de um camião de limpeza e aproveitei para espreitar de onde vinha a mensagem que apitou no telemóvel.

- Ó mããããee, não está verde!!!

Ainda por cima enganou-se nas cores....
Quando tiver que parar numa operação stop, apresento-os aos colegas e garanto que já fui fiscalizada.
Uma mãe assim acanha-se!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

está a render...


Depois de acabar este, a minha patroa do meio fez-me uma encomenda.

A L. gostou tanto do meu, que quis um poncho igual, mas noutras cores, de preferência vários ponchos, de várias cores ... porque não se conseguia decidir pela cor que mais gostava.

Percebi que ela não estava para esperar duas semanas de semáforos para o vestir, então decidi-me a fazê-lo no sábado à noite, na raríssima oportunidade que tive de ver um filme (ehehehehehe).

Ficou quase, quase pronto, mas a patroa era exigente e tive que o acabar no almoço de Domingo, para ela o poder levar à festa de anos de uma amiga, onde ele certamente lhe iria fazer muita falta...

Acabei-o por ela e por mim.
Fico feliz por vê-la tão animada, a rodar os fios de lã, e fiquei feliz por mim por ter acabado mais uma coisa (estou a ficar mesmo crescidinha!!!)

No Domingo, saiu de casa toda animada, não sem antes me dizer:

- Agora podes fazer o azul! E faz outro para a Mariana (a professora de ballet) porque ela hoje também faz anos.
- Mas a Mariana é muito alta filha, demora muito tempo...
- Só tens que o fazer para 2ª feira, quando eu for ao ballet.
(que por acaso era o dia seguinte)
Como era de se esperar, nem o comecei, porque a professora é mesmo grande e estou a negociar outro acessório. Além disso, só estou mesmo motivada para vestir a minha "patroa".

Já o veste há 2 dias e anda toda feliz!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

estranhamente educados...

...ou apenas cumpridores dos seus deveres.
Não sei.
Os condutores quando não são empatas, são normalmente apressados, aflitos, intrometidos e demasiadas vezes agressivos para as distracções de uns (oops), as aselhices de outros e para os azares de alguns.
Hoje fiquei parada atrás de um carro que avariou na subida de uma rua de via e sentido único. Parou, estrebuchou e não mais se mexeu. O condutor esforçou-se imenso, ainda saiu do carro tentando-se desculpar pelo que estava a acontecer, mas nada conseguia fazer porque o seu carro fez mesmo greve. Voltou a entrar, ia dando à ignição mas o carro apenas soluçava.
Atrás de mim estava mais de uma dezena de carros e, para meu espanto, e satisfação, ninguém buzinou, mas também ninguém se mexia. Como tinha mesmo que ir trabalhar, sai do carro e do alto do meu metro e meio ofereci-me para empurrar o carro para uma zona que permitisse a passagem dos outros, não sem antes apelar ao condutor do carro de trás, que era moço jovem e mostrava ter força nos braços.
Passados uns segundos já éramos uns quantos, uns de fato, outros de tacões e aqui a menina de sapatos de verniz, a dar ao carro aquilo que ele não tinha.
O dono ficou mais tranquilo, embora o seu almoço ainda fosse demorar bastante a chegar, e nós podemos ir todos à nossa vida.
Fiquei contente, afinal nós, os condutores, os portugueses, não somo assim tão arruaceiros no que toca a andar na estrada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

makeover


Um dia uma amiga disse-me que aquilo que podemos mudar em nós é apenas o cabelo. O resto temos que aceitar, gostando ou não.


Sabemos hoje que não é tanto assim, que se pode mudar a cor dos olhos, o formato do nariz, do queixo ou de qualquer outra parte do corpo, tentando melhorar aquilo que nos parece feio.


Eu continuo a concordar com a minha amiga e acho que as melhores mudanças são as do cabelo e sempre abusei do argumento.


Casei com um cabelo imenso, sem precisar de postiços para o penteado, mas antes de viajar em lua de mel, cortei-o ao nível do pescoço, para arejar no calor do Brasil.


Depois de os meninos nascerem, fui perdendo a farta "juba" que tinha (já herdada pela L.) e cheguei a fazer um levantamento de raiz (o nome horroroso que dão quando nos põem o cabelo com aspecto electrificado). Arrependi-me amargamente e lamentei não me ter dado uma dor de barriga valente antes de entrar no cabeleireiro.


De há uns anos para cá, centímetro acima, centímetro abaixo, não tenho alterado o meu penteado, sem que me tivesse apercebido realmente dessa apatia visual.


Fui assim apanhada de surpresa, pela minha cabeleireira de sempre, quando, depois de dar um ajuste ao corte do J. (que já está na fase de querer o cabelo comprido, para "impressionar as miúdas"), me disse:


- Senta-te aí e vamos dar um jeito a essa cabeça. Já estou farta de te ver sempre igual!

Eram 19.30h, tinha dois filhos comigo, o jantar por fazer e uma festa de aniversário a seguir, mas sentei-me. Confiei nas mãos dela, que faz milagres com a tesoura e num salão vazio, que não permitia desculpas para escapar.


Fiz bem, o resultado renovou-me por fora e por dentro.


Como é que um corte de cabelo pode ter este efeito?!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

já se percebe...


As suas vontades, os seus apetites, os seus desejos e até os seus gostos gastronómicos já se percebem há muito tempo.
É verdade, custou a aceitar, mas já não faço resistência quando me pede que o abasteça substancialmente de enchidos (os mais escuros possível), feijão preto e milho doce, a que é incapaz de resistir. Ontem até me pediu "aquela coisa boa que os avós compraram que se pega com a mão e eu não me lembro do nome...", também chamadas, costelas de porco na brasa.
Agora também já se percebem os seus desenhos, que deixaram de ser as rodinhas rabiscadas, amontoadas num minúsculo pedaço de papel. As pessoas ganharam forma pelas suas mãos num quadro de desenho muito disputado entre os irmãos, sem tronco, é certo, mas isso também não tem importância nenhuma.

Hoje foi uma manhã "daquelas", em que tive que cumprir um castigo de que há algum tempo o vinha a avisar. Depois de me deixar com o coração desfeito ao lembrar a cara triste com que ficou na escola, levando na mão o leite que se recusou a beber em casa, tinha que lhe dar este mimo ... e mais logo dou-lhe outros mimos.

Tão "bandido", tão lindo e tão meu!!!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

made in na ponta d'agulha



Esta é a primeira peça produzida pela nossa loja, na ponta d'agulha, que foi feita por mim para oferecer à minha irmã, como presente de aniversário.


O cachecol foi executado em pouco tempo, mas a horas que não se podem revelar.


Ela merece-o bem e o resto são desvios...


Parabéns maninha! E vê lá se vem daí o frio para fazeres publicidade à casa!!!

domingo, 4 de novembro de 2007

... em trânsito ...


Consegui acabar um poncho mesmo a tempo do frio do Inverno, com material já comprado para o Inverno do ano que passou.
Comecei e acabei no espaço de duas semanas, o que para mim é um bom tempo.
Mas só consegui dar-lhe o devido aviamento por aproveitar todo o tempo que tenho ... que é muito pouco.
Ao serão, que é quando tenho mais prazer em dedicar-me a estas lides, tenho cada vez menos oportunidades, porque só "desacelero" lá para a primeira hora do dia seguinte, que é a mais indicada para dar descanso ao corpo. Antes do jantar, então, é impensável (pensando bem, em muitos dias, o próprio jantar seria impensável, mas aí não há folgas nem take away).
Resta-me então o tempo passado nas horas de ponta e quando acompanho os meninos às actividades e às consultas.
Sim, eu faço a maior parte dos meus trabalhos de crochet ou de tricot em frente ao vermelho ou à espera de ordem do polícia na fila gerada à volta das obras do metro. Este poncho andou no meu colo todo o percurso e um vestido da L. também foi feito a olhar para os semáforos. É evidente que isto não dispensa umas buzinadelas, que eu considero amáveis chamadas de atenção para o sinal que já mudou...há que tempos.
Confesso que às vezes anseio pelo vermelho para acabar uma carreira ou rematar um ponto...
E nem vale a pena às autoridades aventurarem-se a me repreender, porque fazer crochet ou tricot nas filas de trânsito não está tipificado como infracção ao Código da Estrada, pelo que não poderá estar sujeito a punição (embora há quem defenda que não...blá, blá, blá...reminiscências da Faculdades de Direito). Por isso, até "multa" em contrário, assim vou continuar.
E valem-me também as horas que passo à espera na piscina, na música, no ballet (este ano escapei) ou na clínica médica, durante as longas consultas de terapia.
Não vejo mais ninguém nestas figurinhas, mas isso também não me incomoda nada. Um chama-me a "menina da renda", outra diz que pareço uma "avó", eu respondo que pareço é uma "neta", que o tricot está na moda e que não faz mal nenhum saber um pouco de tudo.
Há uns tempos, no Pediatra entregaram-me uma agulha, que foi encontrada no chão e pensaram que certamente seria minha, "porque é a única pessoa que faz bordados aqui...". Se não for a única, a minha fama já me traz vantagens.
Lamento apenas não ser conduzida até ao meu trabalho, porque em vez de duas semanas, fazia o poncho numa só, e a L. já me cobra pelo dela.
Por isso, quem vir uma maluquinha parada no verde a olhar para o regaço ou um carro a circular à noite com a luz de presença ligada, é porque eu ando lá por dentro. Não vale buzinar!!!