sábado, 29 de setembro de 2007

Artes decorativas



Não são minhas estas artes, são da Paula Lobo, uma antiga colega do curso de lavores que, tal como eu, se perde com estas coisas que nos saem das mãos. Não resiste a livros nem a experimentar novas técnicas, e é assim que nos temos encontrado nos bordados ou na feltragem.
A sua arte está particularmente vocacionada para a pintura e decoração e os resultados são surpreendentes, originais e adaptados ao dia a dia.
Hoje visitei o seu atelier no Porto, na Rua do Bonjardim (n.º 635 - 1ºF) onde dá formação todos os sábados.
Fiquei tão encantada com o que lá encontrei que trouxe este presépio para pintar em casa. Tenho pena de não o poder fazer naquele ambiente, que certamente seria mais inspirador, mas neste momento já preciso de duas agendas para chegar ao fim do dia...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Truta


Os últimos dias têm sido tão cheios, tão agitados e com tantas preocupações que não sei como me estou a dar ao luxo de vir aqui escrever.

O de ontem começou com um reprovável atraso na entrada da escola, recomendando eu que a L. pedisse desculpa à Sra. Professora pelo atraso.

Perguntei-lhe depois se ela se desculpou e ela disse que sim, explicou à Professora que:

- Esta manhã foi um bocadinho difícil!
Ando numa roda viva por causa da deadline que eu e a minha sócia nos auto impusemos para a abertura do nosso quiosque, com tantas coisas ainda por fazer, outras a surgir e o tempo a sumir-se por baixo dos nossos pés. A vontade é enorme, o entusiasmo é indescritível, mas o cansaço é indisfarçável, com umas olheiras que me chegam aos joelhos... Não vai lá nem com pozinhos mágicos...São horas a digitalizar, digitar, cortar, dobar, enfiar, catalogar, marcar preços e projectar.

Foi isso que ontem estive a fazer na marquesa da esteticista para um dos Kits de crochet que vão estar à venda na loja, de agulha e novelo em punho, enquanto ela ia fazendo o seu trabalho. O que vale é que ela é uma boa amiga e já me conhece tão bem que não chama o INEM nestas situações.

Está prestes a começar um outro projecto que me tem apaixonado, que é a formação em crafts, que vai decorrer aqui duas vezes por semana. Estou ansiosa por não saber se vou ser capaz de responder à expectativas, estou entusiasmada com as experiências que possamos fazer e a ferver com a reacção das pessoas que vão participar neste espaço.

Não fosse uma "corda" que me amarra os pés, e os faz estar ainda firmes na terra, e eu mandava-me de cabeça para tudo isto, que me enche as medidas e preenche os meus sonhos mais antigos.Tenho o projecto na cabeça há anos, a investigação acumulada, a experiência nas mãos, mas falta o resto, falta sempre alguma coisa... Talvez um dia seja completa a concretização deste sonho. Eu sou optimista por natureza e é assim que tenho encarado os meus dias.

Lamento não poder dar um beijo demorado aos meus filhos à noite, ler-lhes uns versos dos livros que chegaram ontem no correio e dar aquele abraço que os embala a noite toda.

Não pude dar ontem, dei hoje, e a recompensa foi enooooorme!

A L. acordou a dizer:

- Ó mãe, gosto tanto que tu me acordes assim, com um beijo e um abraço. Não há pais que gostem tanto de nós como vocês!!!
O J. acordou com cócegas e riu-se muito. Disse-me:

- Sabes porque é que eu não preciso de ti?! Porque tu estás sempre aqui!

(...)

- Tu és a "truta" das mães!

- "Truta"???

- A melhor de todas!
O G. não fez birras, vestiu-se sozinho e calçou as sapatilhas sem fazer ondas e eu, satisfeita, disse-lhes:

-Muito bem meninos, hoje vamos conseguir sair cedo de casa.
Dizem eles:

- A manhã está a correr mesmo bem...
Vindo da sala, ainda me diz o J.

- Quando for adolescente, ainda te vou deixar mandar em mim, porque eu quero ser um pai bom para os meus filhos!
E não é que o dia está a correr mesmo bem, até consegui escrever.

Talvez logo vá conseguir ler uns versinhos daqueles livros...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

ninguém imagina...

...como são as minha manhãs. É impossível de imaginar o tormento por que passo todas as manhãs dos dias de semana até finalmente chegar ao meu local de trabalho, qual paraíso tão desejado...
Acho mesmo que já estava na altura de receber a medalha de mérito nacional por tão grandes feitos...
Concedo, abro duas excepções:
- sabe a minha mãe, porque de vez em quando também grama esta pastilha
- e sabem as mães de índios como os meus a quem também chamam de filhos.
Eu explico:
O J. acorda ( isto de "acorda" também já é um conceito amplo) todos os dias com uma neura descomunal, é literalmente içado da cama para que eu o consiga vestir, apesar dos seus 9 anos já bem feitos. Profere uns impropérios que eu seria incapaz de descrever e faz uns gestos e movimentos que demonstram, cientificamente, que o Homem descende mesmo do macaco. Tenho que o levar à casa de banho, lavar-lhe os dentes, deitar-lhe muita água naquela cara e despachá-lo lá para baixo para tratar dos outros.
A L., acorda muito bem, sempre com boa vontade, não fosse dar-se o caso de ultimamente se armar em top model e nunca se conformar com a camisola/saia/calças/meias/ganchos/sapatos que ela própria escolheu na véspera. Digo-lhe que está bonita, está liiinda, e que à noite já tinha chegado à conclusão que aquela roupa lhe ía ficar muito bem.
- Tu não percebes mãe?! Já não sei se o que eu escolhi ontem ainda fica bem hoje... e este gancho, e esta mola, tu não sabes que eu tenho um cabelo "gordo", não segura. Tu não sabes escolher...uaaaaa!!!!
E a quem apetece chorar é a mim!!!
O G., que normalmente é vestido como os "nenucos": tira meias, calça meias, tira calças enfia cuecas e calções, levanta, abre os olhos, tira camisola e enfia outra e é carregado ao colinho até ao andar de baixo, enquanto a "lady" acaba de se arranjar.
Mas hoje entornou-se o caldo também neste lado. Lembrou-se das sapatilhas novas, compradinhas ontem, e lembrou-se também da birra que fez durante duas horas (ai de quem duvide do que eu estou a dizer, porque tenho os vizinhos para o confirmar) porque os cordões, depois de 50 nós e contra nós, ainda ficam com uma pontinha de fora....
A culpa é minha eu sei, quem me mandou a mim fazer-lhe a vontade, comprar umas sapatilhas iguais às do irmão e não as habituais sapatilhas com fitas de velcro, em que fica tudo encaixadinho. Esquizofrenia do miúdo com que tenho que lidar, todos os dias, várias vezes ao dia.
De vez em quando, ele até faz um "jogo" comigo (não sei estou a parecer irónica...):
- Toma o iogurte G.
- Não é eeessse!!!
- Então vem ao frigorífico e escolhe.
- Escolhe tuuuuuu!!!
- Eu já escolhi, é este e se queres outro vem cá escolher.
- Escolhe tuuuuuu!!!
(....30 minutos nisto...começo a pensar que aquilo é uma espécie de password...)
A L. ainda me mima com palavras doces depois da passagem no "Cabo da Boa Esperança":
- Tu não podes ser nossa mãe, nenhuma mãe faz isto aos filhos, ralhar, logo de manhã?!!
(ralhar porque eu não grito para não provocar dores de cabeça em MIM!)
Final feliz: cada um vai pedindo desculpa a caminho da escola, uns antes de entrar no carro, outros durante a viagem e outros ainda com o beijinho de "bom trabalho"!

domingo, 23 de setembro de 2007

Viva a música!


Foram assim as primeiras palavras de Ruy de Carvalho na sua intervenção desta manhã no 1º do ciclo de Concertos Promenade do Coliseu do Porto do ano 2007/2008, à boa maneira de um excelente actor, com um tom de voz festivo e imponente.

Como já o fizemos muitas vezes, não tantas quanto o desejaríamos, assistimos a mais um Concerto deste ciclo que já se repete pelo 3º ano consecutivo e que tem reunido cada vez mais fiéis assistentes, sobretudo nas idades mais jovens.

A qualidade da música e a participação das crianças são os factores diferenciadores destes concertos, aqui como em Londres, onde têm a sua génese, e hoje não foi excepção.
Começam por chamar a Orquestra, que "obedientemente" aparece num palco instalado no centro da zona da plateia do magnífico Coliseu do Porto.
Depois da Orquestra vem o Maestro, e todos chamam "Maeeeestro". E ele também vem, em cada concerto, um Maestro diferente, à frente de uma orquestra diversa.
As crianças são chamadas a participar em pequenos concurso de perguntas, onde ganham uma pequena lembrança.
Uma das vezes foram convidadas a levar um instrumento de percussão para marcar o ritmo numa das obras. E como estes convites são feitos de uns concertos para os outros, o J. levou um instrumento feito por si: uniu duas tampas metálicas de sumo, colocando no interior pequenas pedras, que quando agitadas, produziam um som bem animado.
As obras de hoje incluíam vários momentos de percussão, a que o apresentador chamou os instrumentos de "pancadaria"...
Os miúdos adoram ir a estes concertos, sabendo que se podem sentir à vontade, com um pacote de bolachas ou um rebuçado na boca e sem que o barulho do papel incomode o vizinho do lado...
Todos os Concertos têm um convidado especial que, já o disse, neste foi o actor Ruy de Carvalho, que nos contou que, apesar de ser filho de uma pianista, se considera um "analfamúsico". Revelou-nos que, apesar disso, quando chega ao carro liga primeiro a música e só depois roda a ignição, poque o que gosta mesmo é de ouvir música bem tocada...
Ele pode não saber o valor das colcheias ou a entoação dos solfejos, mas sabe ouvir boa música, o que ficou demonstrado na escolha que fez para o Concerto, o Prelúdio de Tristão e Isolda (que já deu nome a uma das nossas gatas...), que vivem uma história de amor impossível.
Isolda estava prometida em casamento com o Rei Marke, tio de Tristão. Mas Tristão ama Isolda, que corresponde com o mesmo amor. Em face da impossibilidade de ficarem juntos, tomam os dois uma poção de morte, mas que é trocada pela aia de Isolda pela poção do amor. Os amantes entregam-se à sua paixão, mas conscientes que não poderiam ficar juntos, tomam a derradeira poção da morte, que efectivamente se cumpre. Compadecido com o amor dos dois, o Rei Marke manda sepultá-los juntos.
Tal como já havia avisado, Ruy de Carvalho emocionou-se no final da obra. É de facto emocionante!
Para as crianças esta é também uma oportunidade de aprender história, da música ou universal, como aconteceu com a interpretação da Abertura Solene 1812 de Tchaikovsky, que relata a derrota das tropas de Napoleão frente à Rússia. É que a música é acompanhada da projecção de imagens com pequenas notas indicativas da sucessão dos acontecimentos.
O que realmente apanhou de surpresa adultos e crianças foram os sons dos canhões (pirotécnicos) que rebentaram estrondosamente em pleno Coliseu do Porto e que intensificou as emoções que iam acompanhando a evolução das batalhas.
O J. ficou tão espantado que disse:
- Mas eles pensam em tudo?!!!
O G., que se manteve atento o concerto todo, rematou:
- Eu não "assustei-me"!
A última obra interpretada foi a Marcha de Pompa e circunstância de Elgar, que envolveu a participação de todo o público, a cantar, a bater palmas e até a acenar. Fomos todos cobertos por uma "chuva de brilhos" que cairam do cimo da sala e que enriqueceram mais o ambiente de fantasia que se sentia ali.
Os meninos vêm de lá encantados e identificam as músicas que vão escutando nos seus divertimentos do dia-a-dia.
Cresceram mais um bocadinho!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A mercearia do meu avô!


Hoje, pela manhã, encontrei na farmácia um tratamento que só estava habituada a assistir na mercearia do meu avô. O farmacêutico lia os resultados das análises de uma cliente e aconselhava-a a ir ao médico, tranquilizando-a que parecia estar tudo bem. Antes de eu sair ainda chegaram 4 senhoras, todas vizinhas, conhecidas ou mesmo amigas que conversavam e se animavam juntas ali, na farmácia.

Lembrei-me então da mercearia do meu avô, que existiu no mesmo lugar, dirigida por duas gerações de "Cesários", durante mais de 70 anos. Como vivi até aos 12 anos numa casa ao lado da dos meus avós e como até nasci em casa, aquela mercearia, a loja, como lhe chamávamos era mais uma divisão da minha casa. E quem a fazia assim era o meu avô!

A inicial comparação com a farmácia deve-se ao facto de também lá se vender "de tudo", desde alimentos, bebidas, carnes frescas, salgadas ou congeladas (já na fase da minha avó, o que dará tema para mais de 10 post's...), produtos de higiene da casa e pessoal, calçado, linhas ou aviamentos de costura, material escolar e brinquedos, pregos e petróleo e até pastilhas para as dores de cabeça à unidade (que escândalo que pode parecer para quem não conhece o lugar...). Descontavam-se vales e ofereciam-se conselhos.

Era e ainda é terra de pedreiros, da magnífica serra de Canelas (ou de Negrelos, para amenizar divergências) e de cultos estranhos à volta da Capela do Senhor do Calvário, onde se acendiam umas velas (que o meu avô vendia) e se "deitavam" umas rezas.

Qualquer produto desejado por um cliente, e que não estivesse disponível no momento para a venda, seria comprado na tarde de 2ª feira (único período em que a loja estava fechada), onde o meu avô e o seu irmão Carlos (que era alfaiate) iam à baixa do Porto fazer as suas compras tão especiais.

Recordo-me tão bem de o ver chegar com os embrulhos de papel atados com cordel para facilitar o pesado transporte das suas compras.

Na mercearia do meu avô, que se localizava na rua a que deram o nome do meu bisavô, seu pai, o 1º Cesário de tantos da família, os pedreiros iam beber o seu copito de vinho ao fim da tarde. Sentados nos bancos aí colocados propositadamente, deitavam conversa ao ar, trocavam desabafos e esqueciam os problemas da vida.

Foi nesta mercearia que, do lado de dentro do balcão, ensinei 3 ou 4 pedreiros a assinar o seu nome, enquanto substituía o meu avô na sua hora de jantar (que para não prejudicar os clientes, era sempre desfasada da nossa). Com a energia de uma criança de 8 anos e o atrevimento que nunca me sossegou, obriguei-os a comprar cadernos de duas linhas (daqueles horizontais, de folhas fininhas...), lápis e borracha e marcava-lhes diariamente trabalhos de casa. E eles faziam, não sei se por gosto e orgulho de dizer que sabiam assinar o seu nome, ou se para fazer a vontade à neta do Sr. Cesário, que muito estimavam.

Já está ser difícil escrever este post, porque sinto tanto a falta do meu avô e dos sábios conselhos que sempre me deu, das histórias que contava, camuflando um sermão e do seu assobio de mãos fechadas que alegravam os nossos encontros, os meus e o dos meus filhos, que ainda o conheceram muito bem...

Tal como "traçava" com gasosa os copos de vinho dos seus clientes para que, quando chegassem a casa, o álcool não os fizesse bater nas mulheres e nos filhos, também me aconselhava (nunca me proibiu) a não comer a lambarice que lhe pedia "porque depois a tua mãe vai ficar triste contigo por não teres apetite para a comida e depois, é capaz de te castigar...mas se mesmo assim quiseres eu dou-te"... Eu é que já não queria.

Ao fim de semana e sobretudo ao final do mês íamos todos ajudá-los a servir as clientes de mês, para dar uso à máquina calculadora onde nunca premiu uma tecla. A única oportunidade que nos dava era a de adicionar todas as parcelas dos preços que sabia de cor e do resultado apurado mentalmente do peso aferido na balança decimal (com pesos e contra pesos).

O meu avô também tinha um livro do deve e do haver, de cada um dos seus clientes a crédito. O dele era preto e grande, e cada cliente tinha o seu pequeno, para saber a quantas andava. E em tempos difíceis como eram aqueles, saiam da loja a dizer...

"Ó Sr. Cesário, é pr'ó livro"
O meu avô era muito bonito (quem não se conformava era a minha avó que, apesar de ser linda, perdia-se de ciúmes dele), de quem herdei os olhos azuis, tinha um porte atlético, que mantinha todas as manhãs, fazendo flexões entre os balcões da loja, minutos antes de a abrir (nunca depois das 7h) e dormia a sesta todas as tardes...no chão...para não se deixar ir pelo sono.

Dele fiquei com algumas recordações materiais, porque as da memória não se apagarão nunca, com as quais tenho mais afinidade: o metro, as linhas, as fitas, o papel mata borrão e as canetas de pena.

O texto é grande, mas não consegue retratar a grandiosidade do meu avô!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Ainda à volta da bola...

Estavam os 3 a discutir futebol no carro, a caminho de uma festa de aniversário (os pobrezinhos...), dizendo que o jogador CR é o maior, e que o Porto é um espectáculo, e que os outros só marcam faltas, e que os bons adeptos são os que gritam golo, e tudo, e tudo, e tudo...
Com uma nuance: é que nenhum deles se apercebeu que estavam os 3 a defender o mesmo clube e os mesmos jogadores e as mesmas jogadas...
Simplesmente decidiram que tinham que discutir e que o tema seria futebol.
A meio apanhei-lhes esta:
- É, é, boas jogadas, vocês nem um golo conseguem marcar! - gabava-se o J.
- Tu também não sais da frente da baliza para eu marcar um golo!!!
Pois claro! E então não era mais fácil?! Até o tal CR ia gostar da ideia...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Alfineteiro

Daqui...


para aqui...


Bastou estarem duas amigas a conversar sem horas numa agradável tarde sábado.