terça-feira, 31 de julho de 2007

Manif

Os muitos estão esta semana entregues aos cuidados dos avós, os meus pais, que já estão bem habituados à animação garantida com a sua companhia.
Depois de uma semana de férias a dois, confesso que não tenho muita pena deles e até lhes faz bem recordar o rebuliço por que passam durante todo o ano. (cá p'ra mim já te estás a armar!)
Ontem, para estrear a semana, foi um daqueles dias em que eles estavam em "ponto de rebuçado" (isto para usar palavras doces...)
O G. cismou (ele que nem é de cismas!!!) que se queria sentar na cadeira do meio.
Do meio de quê ninguém chegou a perceber mas também não importa, porque a birra começou de imediato: esperneou, deitou a cadeira ao chão, gritou, berrou e até se candidatava para "afinfar" na avó...quando esta o segura e o leva para o "retiro" da sala para conversar com ele. Como o G. não estava para grandes conversas e a gritaria ouvia-se na vizinhança toda, os irmãos, que até estavam, na divisão ao lado, adiantam-se em defesa do pequeno, o que deixaria acanhado qualquer sindicalista de carreira, tal era a união contestatária.
"Não se faz isto, castigá-lo!"
"Ele não tem culpa porque só tem 3 anos."
"Ele é pequenino!"
"Uma vez ele foi sozinho para o ringue e o pai não ralhou."
(só não disseram que foram eles que o levaram...)
Só uma birra do irmão para juntar os outros dois na sua defesa! Até eles se devem ter admirado por estarem de acordo na manifestação contra a repreensão dos avós. Pobre do menino, tão mal comportadinho que ele é!!!
O J. voluntariou-se até para resolver o problema: "Eu vou acalmá-lo!"
Não foi preciso, a avó já o tinha feito e muito bem feito, porque ele vinha mansinho e já se sentava em qualquer cadeira ou banco.
O meu pai também se admirou: "O que é que lhe fizeste?"
Não fez nada! Apenas lhe deu tempo para se acalmar sem plateia! É um espectáculo a minha mãe!!! E como recompensa vai ficar com eles mais 4 dias...inteirinhos!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O J. é um "postal"!

A tentar convencer-me a ficar no andar de baixo até tarde e a ser o último dos muitos a deitar-se (como se eu já não estivesse vencida e convencida...), diz-me:
- Eu quero ficar contigo todo o tempo em que estiveres a fazer os teus trabalhos, para aprender como é que se faz. Não quero ser como o pai, que não passa a ferro!
- Mas o pai também trabalha. Ouves? Está a regar a relva e até já sabe fazer sopa!
- Pois eu sei. Sabes mãe, quando a minha mulher fizer anos eu vou dar-lhe um Ferrari!

Fiquei atordoada...

- Olha que isso é muito caro, custa pr'aí uns 80.000 contos! - tentando chamá-lo à terra...
- Mãããe, já não há contos!!!!

Afinal foi ele quem me chamou à terra...

- Está bem, tens razão, mas são muitos euros, é mesmo muito caro!
(...)

- Então compro uma loja no Shopping só para ela, para se maquilhar de manhã à noite!

Fui-me ver ao espelho, de facto estou a precisar de dar um jeitinho a esta cara!!!
Reinvisto na educação dele e avanço:

- Mas sabes que isso não é o mais importante. Se gostares da tua mulher, o que lhe deves dar é...

(Interrompe)

- Eu sei, eu sei! É amor e respeito, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...É o que os Padres dizem não é?!"

Pensei: "É!"

Esta conversa toda porque ontem eu deixei de ter 32 anos e ele não se conforma que Agosto seja só no próximo mês e que o dia 22 seja quase dos últimos dias!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

"Atropelei-me!"

"Caí-me!" "Bati-me!"
É com estes desabafos que a L. se sai quando se espalha contra tudo o que é obstáculo que lhe aparece à frente, de que toda a gente se desvia, menos ela...
Não é problema de visão, apesar de ela usar óculos para trabalhar (a tratar um ligeiro estigmatismo), nem sequer de audição, porque ela ouve tudo o que interessa e o que não interessa também.
É mesmo pura distracção, despiste, descuido, abstracção...
O meu pai diz que ela é filósofa ou vai ser artista, tais são as semelhanças de comportamentos com as características típicas dos artistas.
Eu, assim de mãe para mãe, penso que a L. é "natural", a direito, sem desvios e não tem culpa que as coisas lhe apareçam à frente, sem avisar.
Até agora, ela encarava esta sua característica com descontracção, sem trauma nem dramatismos (assim fosse o J.), ria-se, riamos-nos e pronto, lá saía um beijinho para mais uma pisadura nas pernas.
Mas hoje não foi isso que aconteceu: a L. tropeçou num banco que estava no sítio onde sempre esteve, quase mergulhou para o meio do tapete da sala e saiu-se com um "Atropelei-me!".
Rimo-nos e esperamos que ela se risse como habitualmente.
Mas não se riu, chorou, levou a mal, ofendeu-se e disse que acidentes destes acontecem a todos e não têm graça nenhuma! Atropelar quer dizer cair e não percebe porque é que se riram disso!!!
Como ela nos percebeu! Nós achamos graça foi à expressão, não foi ao tombo que ela ia dando, porque cada façanha destas deixa-lhe sempre um carimbo no corpo. Que diabo, a isso nós nunca achamos piada. Mas o modo como ela sempre reagiu a estas peripécias é que era singular!
Acabou-se! Já mais ninguém se ri (não respondo pelos irmãos)!
Está mesmo a crescer a minha "patanisca"!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Surpreendida

...fiquei eu quando ontem, ao chegar a casa a horas impróprias para uma mãe de muitos, me é servido um jantar delicioso feito pelo pai. Tive direito a sopa, de ervilhas com alho francês, fez questão de me elucidar, e a massa com carne, guarnecida com dois tipos de legumes!!!
Vejo-me por isso no dever de corrigir a imagem que transmiti dos (poucos) dotes culinários do R., podendo até afirmar que ele passou com nota máxima no teste da sopa.
Não importa se comi tudo de pé (porque já toda a gente tinha jantado e a minha consciência não me deu direito a descanso), mas a verdade é que me agradou especialmente esta novidade, depois de vários anos a tentar convencê-lo a aprender a cozinhar, aliás, a ter vontade de aprender a cozinhar.
Cheguei à conclusão que não foi a vontade que o fez cozinheiro, mas antes a necessidade.
De uma forma ou de outra o resultado foi excelente e eu já não me sinto tão insubstituível nestas lides domésticas.
Está a ficar um homenzinho o pai dos meus muitos!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O baú da minha avó


Fui ao baú da minha avó encontrar as roupas que enchem as recordações da minha infância. Por convite da Saloia e sugestão da Rosa, resolvi voltar a esses tempos.

Na então aldeia onde vivo (que agora é Vila e nem sei bem porquê), fazem-se, no início de cada ano, as romarias ao Menino Jesus, onde toda a freguesia se agrupa por lugares, organizando uma dança e reunindo oferendas para levar em cortejo até à Igreja Matriz, para aí beijar o Menino Jesus e depois leiloar todos os produtos numa sessão que se prolongava normalmente pela noite dentro.
A competição era imensa (agora nem tanto), o que tinha sempre o excelente resultado de se juntar ainda mais fundos para as obras paroquiais.
Vendiam-se produtos da terra, vinho, roupas, "monos" que já ninguém queria, mas sobretudo "prendas", que era o nome dado aos tabuleiros de refeições completas preparadas pela dona da casa, que depois ia ao salão paroquial comprá-las, para comer em casa com toda a família.

Sempre um bocado teatral, desde cedo me envolvi nestas coisas, mas nem tinha grande hipótese de escapar.


O meu pai, desde que me lembro, foi o leiloeiro. A quantidade de galinhas, cebolas, feijão, ovos e batatas que iam parar lá a casa era incomportável. Uma vez até comprou uma cabra e quem o mandou pastar a ele foi a minha mãe, coitada! Isto para não falar de uma cama ou até roupa que eu não sei a quem é que ele julgava que ia servir!!!

A minha avó paterna era a distribuidora das roupas tradicionais usadas pelos dançarinos que desfilavam nas ditas romarias. Empreendedora, como sempre foi, comprou, alugou e confeccionou roupas de todos os tamanhos e sobre todos os temas (pescadores, lavradores, padeiros e tantos outros) que alugava anualmente a preços simbólicos, registando os destinos minuciosamente no "livro". Não lhe escapava nada e até para rentabilizar o negócio, dividia lenços de vianense a meio (que crime) que assim já dariam para duas cabeças.

Desde pequena que a ouvia dizer "Se me tivessem deixado estudar eu daria uma grande Advogada".
O feitiço caiu-me em cima e eu não achei grande piada!!!

A minha avó, que sempre foi muito vaidosa, e com razões para o ser, desfilava no centro do alinhamento de dançarinos, vestida com a roupa mais rica e com o lindo "chapéu de alamares" (que irei fotografar assim que o encontrar), levando à cinta o saco para recolher o dinheiro no peditório que era feito a caminho da Igreja.

Toda a família era convocada para dançar, representar (em cima de um camião) ou a tocar acordeão (esta era a parte do meu irmão), lá íamos nós "puxar" pelo nosso lugar, numa alegria que contagiava quem nos via passar.


sábado, 21 de julho de 2007

O meu quintal


...que nem é meu, é dos meus pais. Quer dizer, é mais do meu pai, é dele de coração e da minha mãe é mais produção (sempre foi uma mulher muito prática!).

Este magnífico quintal só é meu e dos meus porque vivemos ao lado dos meus pais, com o luxo de nem termos muros a separar as nossas casas.

O "nosso" quintal tem milhentas árvores de fruto, de todas as espécies que o senhor do horto podia arranjar (o meu pai é do género de ir aos sítios e pedir uma de cada e o pior é que eu tenho bem a quem sair...).
Tem também "novidades", isto é, legumes da época para os urbanos como eu, que só passado alguns anos a ouvir esta expressão é que percebi o que significava.

Neste quintal há também uma macieira por cada neto dos meus pais, e já vão em 6...e até medronheiros, nogueiras, aveleiras e até um sobreiro que ficou do tempo da fundação.

Até pareço entendida, mas não sou, sou completamente despistada e desligada destas coisas da terra e da agricultura e só era convocada para a apanha das batatas porque tinha que ser e até o "pianista" carregava os sacos com as ditas, não sem antes acondicionar as suas mãos com umas luvas.
Eu sou tão despistada que pergunto frequentemente à minha mãe se tem este ou aquele legume para pôr na sopa e ela diz-me que sim, entrega-mo num saco, mas informa-me que se eu quiser mais é só ir ao quintal, que eles estão mesmo em frente à porta da minha casa...sua cegueta!!!

É assim, com os legumes, com a fruta, com os ovos, noutros tempos e foi preciso o meu pai falar-me da romãzeira que plantou em frente à porta da minha casa, só por minha causa, porque gosto muito de romãs, para eu me dar conta que devia estar mais atenta.
Fui vê-la, e publiquei-a aqui para que vocês também a vejam! Está linda!

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Cheira a broa


...e foi o J. que a fez. Broa de Avintes, com direito a chouriço e tudo.

Foi preparada e cozida aqui, durante as Oficinas de Verão que tão bem o têm ocupado esta semana.

Ele estava radiante e eu fiquei esfomeada só ao sentir aquele perfume a pão acabado de cozer.

Ao admirar aquele trabalho, reacendeu-se a minha esperança em ter em casa alguém que cozinhe para além da mãe (o pai ainda não passou da lição das tostas mistas e das torradas e mesmo estas nunca aparecem ao pequeno almoço...).

É que ele nesta semana também fez gelatina com fruta aos pedaços, que fez as delícias da nossa sobremesa.

Mas como o J. também tem uma certa queda para o negócio, tratou de vender logo a broa e eu, para dar ânimo ao seu esforço, até lhe paguei 2 €, pensando estar a comprar a broa inteira. Enganei-me, comprei apenas metade, quase reduzida a 1/4 e praticamente sem chouriço, porque a outra metade era "para mostrar às pessoas que pudessem estar interessadas em comprar às fatias".
É bisneto de merceeiro e está tudo dito!
P.S.- "Ó J., já pus a fotografia da tua broa na Internet".
Responde: "Eh mãe, tu és jornalista?"