domingo, 8 de julho de 2007

Brincamos às bonecas


A L. com a Clara e eu com a L.

Aproveitamos um sábado sem rapazes para deitar a mão à agulha e fazer roupas novas para a boneca que tinha acabado de chegar de França. Chama-se Claire, mas nós simplificamos para Clara. É linda, é loira como a L., mas como sempre, ela disse-me que preferia a outra, a Marie, que é morena e tem cabelos longos.
Nunca está satisfeita aquela rapariga!

Ultrapassada a animosidade, lá decidimos o que fazer:
- Uma saia de ganga igual à minha, a do capuchinho vermelho e uma camisola vermelha, para ficar como eu, pode ser mãe?

A saia que ela fala é uma que esteve em preparação durante a semana para receber o galão da Rosa, do capuchinho vermelho, que eu ansiosamente esperava aplicar. Ficou pronta ontem à noite (a verdade é que já era hoje) e já andou ao "arejo" durante o dia de hoje.
A Clara teve direito a uma saia igual e a L. estava feliz por parecer mãe dela.

Adorei brincar com a minha filha! E espero que ela também tenha gostado desta brincadeira só de "miúdas", numa casa em que eles estão em maioria e tão facilmente impõem as suas brincadeiras.

Que tal?


Temos um hóspede

Chegou ontem e tem feito a alegria do J.
É um canário e chama-se "Lelo".

(eu já não mando nada em matéria de bichos...)

Há muito tempo que o J. pedia um animal de estimação e o R. fez-lhe a vontade. Comprou o canário e até ficou entusiasmado ao saber que ele cantava muito bem.
Ficou, já não está, porque o bendito bicho canta que se farta e acordou toda a gente logo de manhã cedo. Qualquer dia já nem vais ser necessário despertador para acordar...haja alguma vantagem!
O bicho "voa" de quarto em quarto, já que o G. não lhe dá tréguas, mas tem residência fixa no quarto do J., que não abdicou desse direito para ninguém.


Aqui estão eles:


sexta-feira, 6 de julho de 2007

A língua dos de's

Quando eu era pequena, quero dizer, ainda mais pequena do que sou hoje, estava na moda a linguagem dos p's. Eu confesso que nunca cheguei a perceber muito bem como é que aquilo funcionava, acho que se substituíam todas as consoantes por p's, o que resultava numa intoxicação de p's por palavra, imperceptível (tchii, esta palavra até já tem 2 p's) para quem não fosse adolescente.
Eu nunca fui muito boa neste tipo de jogos linguísticos, até porque nem lhes achava utilidade nenhuma, para além do gozo que dava ver a cara de tonto de quem ouvia e não percebia patavina. Mas como eu era uma dessas tontas...

No entanto, agora, com os deslizes verbais dos meus filhos mais novos, acho que me dava jeito perceber um bocadinho destas adaptações às palavras, quem sabe até se não vêm aí neologismos?!
O J. é um caso à parte, porque desde que começou a falar, e o que ele demorou a começar a falar, é muito cuidadoso na dicção e na construção das frases, mesmo quando está "desatinado" e fala uma "oitava" acima do permitido. Até hoje, só lhe encontrei uma palavra distorcida, que é "problema", nas suas palavras "proglema", mas que já está resolvido, correndo o "g" dali para fora e colocando o "b" no seu devido lugar.
Mas os mais novos, não sei bem porquê, têm tendência a acrescentar o "de" no início das palavras:

O mega-êxito da L.:

"desqueci-me"

"eu vou comer derrápido"

G.:

"O arroz é devilhas"

"A sopa é despinhas" (quando, depois de ralada, ainda há vestígios de legumes)

"Olha eu de nu"

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Irrita-me também

...ouvir os pais a ameaçar os filhos de "porrada"...


"Não faças isso senão eu bato-te"


"Olha que vais levar"


"Anda aqui para eu te bater"(juro que já ouvi esta?)


"Queres apanhar?" (Será que estão à espera que lhes responda que sim)


"É agora que te vou dar uma galheta." (Vá lá que avisam...)


E depois...nada.


Não é que eu pense que o castigo físico resolva alguma coisa, porque para mal dos meus pecados, não castigo os meus filhos com palmadas e vejo-me bem negra para que me obedeçam. Eu já sei que se lhes batesse já não era eu que o fazia, mas toda a minha ira, toda a minha irritação e, apesar de ser advogada, não respondo por ela.


Mas irrita-me ouvir estas ameaças todas, alto e bom som em locais públicos, de preferência em supermercados, centros comerciais, salas de espera, de mão em riste, para que toda a gente saiba quem manda em casa e depois, nada, os meninos continuam a "pintar a manta", a "aviar" bofetadas uns aos outros e a arremessar objectos pelo ar.


Irrita-me esta tendência para impor a lei do mais forte, da aparência, da prepotência dos adultos em relação às crianças, não as tratando com o respeito e a dignidade que elas merecem, castigando-as quando assim tem que ser para que aprendam o que está certo e o que está errado.


Não é preciso bater, não é preciso gritar, basta acabar com a festa dos meninos, tirar-lhes da mão o que lhes dá prazer e ensiná-los a acalmar, ainda que a reflexão seja forçada, porque naquele sítio ninguém contratou palhaços para o espectáculo...!


Admito, tenho que admitir que não havia coisa mais eficaz para me fazer comer as ervilhas quando era pequena como o beliscão silencioso da minha mãe por baixo da mesa que só eu percebia, e de que maneira. Teve resultados: hoje como ervilhas, adoro ervilhas e nem imagino o que me incomodava comê-las quando era pequena.
Mas eu não ando irritada, só achei que era muito assunto para escrever só num post.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Irrita-me

Há coisas que me irritam, irritam-me muito.
Irrita-me ouvir pais chamar os filhos pelos seus nomes próprios, isolada e indistintamente.
"Anda cá Carlinhos"
"Olha que eu zango-me Daniel"
"Não batas ao teu irmão Eduardo"
"Huguinho anda beber o iogurte"
Olho para trás espantada, não, a Senhora não tem 4 filhos, são dois, cada um deles com 2 nomes e a mãe faz questão de os gastar bem.
Será que ainda ninguém explicou a estas pessoas que os nomes, sobretudo os nomes próprios, servem para individualizar cada pessoa e são para cada um de nós uma referência de identidade...
Não tenho nada contra os dois nomes próprios. Apesar de os meus filhos só terem um nome próprio, a L. quase esteve para se chamar Maria L., não fosse o pai embirrar com o nome. E bem falta me fazem os 2ºs nomes quando tenho que lhes ralhar...e lá vou recorrendo ao apelido para ver se o tom engrossa um bocadinho.
Escolhemos os nomes dos nossos filhos antes de os conceber (há gente para tudo!) e um dos critérios de escolha foi o dos diminutivos que lhes poderiam vir a "colar", e talvez por isso os nomes sejam tão importantes para mim.
Se calhar foi por só ouvir "Isabel Celeste" quando a coisa corria mal para o meu lado que fiquei a pensar assim.
Se calhar é mesmo paranóia, mas eu sou assim, pronto!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Julho.

Quinzena da praia. Chuva.
Assim é que deve ser, é assim já há pelo menos 7 anos, não percebi porque é que ontem foi diferente.
Sempre que se inicia a época de praia no infantário dos meus filhos, a chuva vem SEMPRE dar-lhes as boas vindas.
Mas ontem estava sol, anda parva a chuva ou quê?!
Hoje, que já tinha articulado cronologicamente os movimentos acordar 3-vestir 3-lavar dentes de 3 bocas-preparar 3 pequenos almoços-dobrar 3 mudas de roupa e por em 3 mochilas-colocar lá 3 pares de calçado-preparar 3 lanches-etiquetar 3 lanches-enfiar 3 lanches nas 3 mochilas....até que, olho lá para fora, e vejo que afinal há chuva em Julho e é daquela molhadinha, certinha, mais do que "morrinha". Telefono para o infantário e pergunto se ainda vão à praia com aquele tempo. Agora é a mãe que está parva! Há alguém que vá à praia com este tempo?!!! Claro que não! Inicia-se o processo exactamente ao contrário, à excepção dos lanches, que já estão feitos e são para se comer. Trocam-se as mudas na mochila, o calçado inverte-se nos pés e convenço os meninos a deixar o fato de banho para outro dia. Depois dos amuos e das birras, lá os consegui tirar de casa passados 20 m da hora prevista e deixá-los na "santa casa" que me vai domar as feras durante todo o dia, separados, peço eu, porque apesar de serem irmãos, não se podem ver uns aos outros. Diz-me uma das educadoras: "Eu já percebi isso..."
Olho para os meus pés, estou de sandálias...
Eu não estou mesmo boa da cabeça!

domingo, 1 de julho de 2007

Fomos às festas!

Ontem fomos às festas, duas, no mesmo dia, com artistas diferentes.
À tarde foi a do lagarto com óculos escuros, sim , porque ainda me custa a acreditar que dentro daquele disfarce (magnífico, diga-se) estivesse o meu filho G., a rastejar pelo chão, a fazer vergonha a qualquer lagarto que se preze, a respeitar, imagine-se, toda a coreografia que a educadora lhe ensinou. E eu que às vezes nem uns calções lhe consigo enfiar e ontem, lá estava ele de meia calça verde e um fato feito de esponja, sem se queixar da comichão ou do desconforto de não conseguir manter a cabeça de fora.
A festa foi linda, todos os meninos tiveram um desempenho exemplar, só esta mãe é que falhou, porque se esqueceu de levar a máquina fotográfica para a festa (até estava na mala do carro...) e passou a noite com a consciência no chão por não se ter preocupado com isso. Porque é que somos diferentes com o 3º filho. Que vergonha!!!
Eu falei em festas, porque à noite foi a nossa bailarina a brilhar como pássaro azul no espectáculo da Bela Adormecida que a sua escola de dança apresentou. Depois de uns ensaios em que as coisas não correram de feição e depois das dúvidas esclarecidas (porque não aguento choros em casa só porque não percebeu como é que se faz!), o espectáculo correu lindamente. Como sempre, esta escola brinda-nos com espectáculos de excelente qualidade, de grande rigor técnico, e com toda a prata da casa.
A L. saiu eufórica, com uma rosa na mão (na foto) e perdida de riso com o que a professora lhes mandou dizer antes de entrar em palco "muita m...", para dar sorte. Pode não ser educativo, pode até nem ser bonito, mas que dá sorte dá! Ou eu não fosse irmã de músico e não conhecesse já estes rituais. Achei fantástica aquela sensação de confiança no palavrão, mas não o demonstrei em demasia porque o diabrete não se calava com aquilo e até lhe disse que se fosse dito depois do espectáculo podia dar azar. Calou-se imediatamente!
O meu companheiro da noite foi o J. que, apesar de louco de ciúmes pelo protagonismo da irmã, rápido percebeu que só teria lugar no estrelato se se unisse a ela e até já queria ser bailarino...
Só foi pena unir-se de mais: pegou nela ao colo e não a largou no chão quase até chegarmos ao carro.
No regresso a casa, vieram as conclusões de moralidade típicas da minha filha:
- Sabes mãe, disse à professora que a dança é para se esforçar e divertir. Se fosse só para divertir, não corria tão bem. Também que lhe disse que nunca mais na vida ia deixar aquela escola, porque gosto muito do ballet e fazemos espectáculos muito bonitos!
- E a tua professora o que disse.
- Deu-me um abraço muito apertado.