sexta-feira, 8 de junho de 2007

Festa da Eucaristia

Ontem foi a festa da Eucaristia do J., como se diz habitualmente, a 1ª comunhão. Foi um dia importante para a vida do meu menino, como eu acredito que tenha sido para todos os outros meninos que com ele comungaram Jesus pela primeira vez. Independentemente da Igreja a que pertencemos, religião que professamos ou crenças que temos, penso que cada um de nós acredita em alguém, que nos olha, nos dirige, nos protege e nos oferece a vida, com todos os seu desafios, para que nos tornemos cada vez mais HOMENS.
Se esta fé, esta convicção, existe na vida de cada um de nós, enquanto seres humanos, também é nossa obrigação, pais, fazer dela parte da vida dos nossos filhos. Ainda que explicada desta maneira, ou daquela, com mais fantasia ou mais realidade, na igreja ou em casa, na escola ou na rua, todos podemos, devemos, integrá-la na sua educação, porque isso faz parte do crescimento natural de cada um de nós.
Foi esta a educação que eu e o R. recebemos, é essa a educação que estamos a dar aos nossos filhos, uma fé que se alicerça no amor aos outros, no respeito pela sua liberdade, na partilha e na permanente disponibilidade para ajudar quem precisa de nós. Não é isto afinal em que todos nós acreditamos, cristãos, muçulmanos, ortodoxos, hindus e todos os crentes do mundo inteiro?!
A festa da Eucaristia do J. teve um momento de compromisso para os pais, que nós tivemos o privilégio de a transmitir e que, apesar de meros leitores, nos comprometeu aos dois como cristãos e sobretudo como pais.
Deixo aqui alguns excertos:
"Os nossos filhos são ainda pequeninos. Têm muito para aprender, para viver, para conhecer, para amar. Sem nós, não poderão crescer em sabedoria, em santidade e em graça, diante de Deus e dos Homens. (...) Sem nós, dificilmente chegariam hoje aqui. Mas também nós, os pais, temos muito que aprender dos nossos filhos. Temos de aprender a ser simples. A ter uma fé limpa de preconceitos. (...) Eis porque este é um grande dia, para os nossos filhos e para nós, os pais. Eles abeiram-se do altar da Eucaristia. E nós não podemos, não devemos, deixá-los caminhar sozinhos. (...) E nós não podemos ficar para trás ou parar a caminhada."

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A sorte da mãe!

Ultimamente, o J. anda um bocadinho mais nervoso que o habitual com as provas escolares. Não sei se é porque o 2º período não lhe correu lá muito bem, se é porque quer, porque quer, tirar um excelente, nem que seja uma vez na vida, ou porque simplesmente está a crescer e começa a ganhar alguma responsabilidade (bem gostaria!).
A verdade é que, nos últimos dias, só fala em sinónimos, antónimos, pontuações, afirmações, negações, e outros "palavrões" que lhe dão a volta à cabeça. Trabalhamos (eu e o pai, créditos sejam dados) no fim de semana e a coisa correu bem. Fizemos uma revisão à noite, e ele até prestou atenção durante...10 minutos (para ele já é uma boa média!).
Mas a melhor foi ontem de manhã quando, ao chegar à escola, me pediu para lhe desejar boa sorte. Eu, claro, desejei-lhe literalmente TODA a sorte do mundo, só para ele. (Cada mãe que trate dos seus!!!).
Então a L. que, como sempre, está solidária com o irmão, disse-lhe:
- Ó J., a mãe já estudou tudo o que tinha para estudar, já é mais inteligente que nós, por isso, pode pôr a mão dela, a de escrever, em cima da tua mão e vai-te passar toda a sorte que ela tem!
Ele olhou para mim e eu segui as instruções da L.. Nem sabia que tinha assim tantos poderes mágicos, mas a verdade é que o J. ficou feliz com o gesto e entrou tranquilo na escola.
Agora a sorte que trate do resto!!!

terça-feira, 5 de junho de 2007

Ai o amor...

O J. anda há uns tempos a pedir para mudar de escola. Preocupo-me com este pedido, mas não o demonstro, porque ao J. é preciso dar-lhe a volta.
- Então porquê? - pergunto sempre.
- Porque não tenho nenhum amigo! - responde
Faço-lhe ver que não é assim como ele diz, que este, aquele e o outro gostam muito dele, até brincam muitas vezes juntos e lá por se "desaguizarem" de vez em quando, não quer dizer que deixem de ser amigos. É assim entre os adultos, não podia deixar de ser também com as crianças.
Hoje o J. voltou à carga com a história de mudar de escola.
-Então porquê? - pergunto novamente.
- Porque não tenho nenhum amigo! - repete-se a resposta.
- Mas afinal porque é que ninguém é teu amigo? - replico.
Responde que todos o gozam por causa da sua paixão pela H., todos se riem porque ele gosta muito dela e ainda se "abispam" a dizer que ele é feio e não vai ter nenhuma hipótese de ficar com ela.
Escusado será dizer que quem lhe faz estas agradáveis observações são os concorrentes à mesma miúda...
- Pois estão redondamente enganados. Tu és muito bonito, tens uns lindos olhos azuis e falas muito bem, tens conversas muito interessantes. Acredita que é isso que as meninas gostam!
- Ó mãe, mas porque é que ela não aceita namorar comigo???
Oh meu Deus, eu que já me resignei com meu namoro precoce com o pai dos meus muitos, desde os meus 14 anos e os 15 dele, tenho agora que explicar ao meu filho que os seus 8 anos de idade ainda lhe vão dar oportunidade de fazer muitas escolhas na vida, no caso que lhe interessa, na sua vida amorosa?!!!
Resta-nos as palavras de apoio da irmã que lhe disse que "isto de ser criança é mesmo assim. Hoje gostamos de alguém, amanhã já podemos não gostar. Estamos a crescer e a conhecer-nos melhor uns aos outros."
(Onde é que eles aprendem estas coisas...)
- Olha, se eu não fosse tua irmã, quem casava contigo era eu, porque tu és muito bonito e és o meu melhor amigo!!!

(Ufff...chegamos à escola!)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

"Morreu-se!"

Seria assim que a L. diria se lhe tivéssemos contado a verdade. Mas não contámos, nem a ela nem aos irmãos. Dissemos apenas que a gata desapareceu, se calhar à procura da sua mãe, de quem tinha saudades, de tão insistente que era o seu miar. O J. chorou, dizia que era de felicidade e de tristeza. Feliz porque a Kika ia para junto da sua mãe, mas triste porque a perdeu, logo agora que já estava habituado a ela e nem tinha medo...
- De certeza que ela está bem, não se preocupem nem fiquem tristes, ok? - disse.
(Mentiras destas não devem ser pecado?!)
Não queria dizer isto, mas vou ter que o fazer:
Eu não dizia que os animais têm um triste fim nesta casa (aqui refiro-me à casa onde cresci)?!
O pobre animal não sobreviveu a um atropelamento à entrada da garagem que, à cautela com as suas súbitas aparições, fez o condutor entrar bem devagarinho, a tentar ouvir o guizo da coleira. Eu não dizia que isto é uma tristeza?! Sim, eu, que acabei por ganhar uma certa aversão à bicharada, até já deixava a gata dar umas voltinhas no meu "burgo" e tinha mesmo uma caixa no terraço para o leite que ela bebia.
É por estas e pelas outras que já contei que eu prefiro os bichos de peluche, que podem ser grandes, pequenos, de várias raças, cores e proveniências e que, após um acidente não muito aparatoso, ficam novinhos em folha depois de uma ida à máquina de lavar!
Isto já não é feitio, é fado!!!

domingo, 3 de junho de 2007

A mamã pôs um ovo!

A primeira vez que tive necessidade de explicar aos meus filhos como nascem os bebés, estava grávida do G. e o J. e a L. perguntaram como é que ele foi lá parar. Por um acaso, "esbarrei" num livro chamado "A mamã pôs um ovo!" que, de forma lúdica, animada e até ousada, esclareceu as suas dúvidas.
Sempre que me questionam sobre o assunto, respondo da forma mais clara possível, como sendo um acto de amor entre 2 pessoas que se conhecem muito bem e se amam muito, como o pai e a mãe.
Há algum tempo atrás, o J., no auge dos seus 8 anos, perguntou-me:
- Ó mãe, tu e o pai fazem "séxico"?
Engoli o riso, corrijo o erro ortográfico e respondi calmamente que sim.
Agora foi ele que não conteve o riso. Piscou o olho à irmã e disse:
-Hi, hi, hi... o pai e a mãe fazem "séxico"!
(Está a ser difícil acertar na palavra...!)
Continuei dizendo que é normal entre namorados acariciarem-se, beijarem-se e abraçarem-se, demonstrando assim amor que sentem um pelo outro.
Passado algum tempo, eu e o pai fomos de férias sozinhos e uns dias após o nosso regresso, pergunta-me o J.:
-Nas férias, o pai pôs sementinhas dentro de ti, mãe?
-Sim filho, namoramos muito. - respondi.
O assunto acabou ali, acho que percebeu!

Assim têm sido as nossas conversas, sem grandes pormenores sem grandes fantasias.
O amor tal como ele é, a sexualidade tal como ela é, simples e íntima. Um desafio para se descobrir a dois, os dois que se amam! Foi assim connosco, espero que seja assim com eles!

sábado, 2 de junho de 2007

Temos atleta...

Suspeito que o G., daqui a alguns anos (muitos, espero) se vá dedicar a uma área desportiva, tal é a sua tendência, predisposição, apetência....OK, jeito, para o desporto.
Não há modalidade que lhe escape, ele é basket ("bashet", na versão dita por ele), futebol (até dá um jeitinho de lado a chutar, apesar de o padrinho sempre insistir para que ele trabalhe também com o pé esquerdo. Acho que um dia destes vou ter que lhe dizer que o miúdo só tem 3 anos), ténis, bilhar (mesmo que acima da mesa só se vejam olhos e só porque eles são grandes) e agora também bowling.
Pois o nosso presente do dia da criança aos nossos filhos foi um jantar no sítio do costume e 10 longas partidas de bowling. Até eu tive que alinhar na partida, apesar de me ter esquivado até ao limite dos meus argumentos, e olhem que eu sou boa nisto dos argumentos (antigas e não saudosas recordações da advocacia...).
Bem, o miúdo é um delírio! Em pleno jogo ele caminha à "matador", grita "yes" depois de lançar a bola e quer lá saber dos resultados, apesar de ter estado à frente nas classificações quase até ao final! A melhor dele foi quando, depois de lançar a bola a 1ª vez, e não tendo deitado todos os pinos ao chão, se queixava "só tem poucas?!"
Os outros até estavam a gostar, estavam entusiasmados com o jogo, espantados por ver a mãe com aqueles sapatos ridículos nos pés e amuada por não poder estar sossegadinha só a observar e até me entusiasmavam com um "vai-te a eles mãe!", "o truque está na manga!", ditos pelo J., porque a L. estava demasiado concentrada no seu desempenho, que não lhe estava lá muito favorável. O problema era mesmo o quadro das classificações, que não tinha nenhum espírito maternal e não sabe que os meninos TÊM que ter resultados iguais, e teve a grande lata de pôr uns a ganhar e outros a perder...!
Confesso que até eu estava com vontade de ganhar, quanto mais não seja para calar o pai que não se cansa de gozar a minha falta de jeito para desporto, mas não desperdiça uma oportunidade para me "atirar às feras". Juro que até consegui fazer um "strike" (eu nem sabia os que isso era) e nem eu queria acreditar!
A recordar: o estilo do J. a jogar, a euforia do G. a festejar ("dá cá 5 mãe"), a alegria da L., mesmo estando a perder, que dava vontade de soprar na bola para ela chegar até aos pinos.
Apesar de os resultados finais terem dado a vitória ao pai, que fez 2 "strikes" (estou a ficar boa nisto), o grande vencedor foi mesmo o G., que teve o desempenho mais constante, o melhor espírito desportivo e o que se divertiu mais! É definitivamente, um desportista em potência!!!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Dia da criança


Depois do dia do seu próprio aniversário, e da noite de natal, não há dia mais esperado pelos meus filhos como o dia da criança. Não sei se é porque há festa na escola, se é porque vêm para casa mais cedo, ou porque nem sequer levam pasta. Ainda pensei que a razão para tanto entusiasmo fosse a expectativa de receber um presente dos pais, mas este é normalmente simbólico ou aparece na forma de um fim de tarde/noite bem passado. Hoje fiquei convencida de que o que os anima é mesmo a importância que é dada às crianças neste dia num mundo de adultos. É como se eles dissessem (e até dizem mesmo): "Olha lá, hoje quem manda sou eu!". O azar dos meus é que há 3 "eu's" na mesma casa e só por milagre do Espírito Santo concordam todos com a mesma coisa.

A L. dizia-me que aprendeu na escola que no dia da criança, e passo a citar "as crianças escuras, claras, chinesas, portuguesas e espanholas são todas iguais, todas têm direito a ter carinho. Ir à escola, é um direito. Brincar no parque, é um direito. E eu, mãe, para além do presente que me vais dar vou pedir outra coisa. Não, não é outro presente, é muito carinho para a nossa família!!! E brincar no parque, olha que é mesmo um direito das crianças!!!"
E com esta é que ela me levou!

A verdade é que o carinho que eles trazem consigo, nas palavras, nos gestos, nos olhares, nos sorrisos é que o faz a nós, mães, seres completos e plenamente harmoniosos.
Quando o J. nasceu, a primeira coisa que eu disse foi : nunca mais sou sozinha! E é assim que ainda me sinto hoje, "em carinho" com os meus filhos e com todas as crianças do mundo que tudo o que desejam da vida é ser amadas, acarinhadas, valorizadas e protegidas, independentemente da cor, raça, religião ou riqueza.
Na tentativa de ilustrar este post, pedi aos meus filhos para "posar" para a fotografia com as suas mãos unidas. Como é fácil de perceber, não fui muito bem sucedida e o máximo que consegui foi uma imagem dos fantoches que eles escolheram apresentar no fantocheiro cá de casa.
(Segredo: o G. amuou, não quis mostrar o elefante azul e o urso verde, pelo que a L. empunhou os seus príncipes para, juntamente com o pirata cabisbaixo do J., termos 3 personagens. Tudo fruto da harmonia das crianças...).


P.S.: A imagem do topo é de um quadro que bordei há uns tempos para um concurso de lavores subordinado ao tema Grandes Acontecimentos do Séc. XX. Eu decidi conceber um trabalho homenageando a Declaração Universal dos Direitos da Criança.
Elas mereceram toda a minha dedicação!