quinta-feira, 31 de maio de 2007

Vamos ao circo...

...em casa. Parecia que já nada me faria surpreender as façanhas dos meus filhos, mas, de facto, a sua imaginação é inesgotável.
Desta vez foi a L. que, desenvolvendo a sua arte de contorcionismo, malabarismo, equilibrismo e outros ismos que só acabam em tombos (agora já não rimou!), resolveu pendurar-se no...candeeiro...do TECTO da sala, qual Jane na liana do seu Tarzan. Apesar de baixinha (ou não tivesse a quem sair!) e levesinha (o G., que é 3 anos mais novo, está a 2 Kg de lhe igualar o peso), conseguiu suspender-se no dito objecto, normalmente destinado a iluminar a sala, e estatelar-se no sofá com a ameaça de levar com 6 lâmpadas e respectivos abajours na cabeça. O sofá, que antes utilizou como escada, serviu-lhe depois como amortecedor da queda. Ficou então o candeeiro preso ao tecto pelos fios eléctricos e na eminência de abrir mais uma fenda na cabeça da menina. Valeu a acção rápida da avó, que imediatamente subiu a uma escada, daquelas normais, para desligar os fios e retirar o candeeiro do sítio onde ele se encontra já há 20 anos. Pode-se dizer que esteve "por um fio" uma nova ida ao pediatra e um novo corte e costura na mesma cabeça sem juízo. E eu ainda digo que a L. é a mais sossegada...
A verdade é que esta menina tem realmente tendência para o abismo, não há objecto que ela não tropece, não há sofá que ela não escale, de cabeça para cima ou de cabeça para baixo e até a jantar ela se senta em pelo menos 25 posições. Nem me atrevo a tentar descrevê-las. Já todos lhe chamamos "macaquinha" tantas são as suas habilidades e contorções nos mais estranhos espaços e objectos.
Com uma grande "cara de pau", hoje de manhã, após uma breve dissertação sobre os tipos de fruta que ela aprecia, ela conclui dizendo:
- Sabes mãe, eu acho que a fruta que devia comer sempre é a banana!
- Porquê?-pergunto.
- Então eu não sou uma macaquinha???
(...)
Resta-me a esperança de pensar que, se a catraia não brilhar no ballet, sempre pode tentar o mundo do circo...!

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Conversas...

A caminho da escola, depois de o G. puxar o cabelo da L., "mesmo no sítio dos pontos, mãe", de a L. ter "ferrado" o G. com os dedos no braço dele e de o J. ter aviado uma galheta à L. para defender o "pobre" do G., que ainda é pequenino para a irmã lhe bater.... seguiram-se 15 m de silêncio, imposto pela mãe, como castigo para eles, e prémio para a mãe por ter sobrevivido a mais esta batalha campal. Só falta dizer que tudo se passou enquanto fui fechar o portão da garagem...
Dizia eu, conversas...
Entregue o primeiro passageiro, e terminado o período de silêncio obrigatório, a conversa entre a L. e o J.:
- Quando for adulto vou ser sócio do meu amigo L. numa fábrica de construção de carros! Ele é o único que é meu amigo e por isso nós vamos trabalhar juntos!
- Mas ó J., primeiro tens que casar.
- Porquê L.?
- Porque tens que ter uma família!
............................(silêncio)............................
Resolvo meter o bedelho:
- Então porque é que é preciso ter uma família?
- Para sermos felizes!- diz a L.
- Para termos companhia! - diz o J. ao mesmo tempo que a L.
- Hum, hum!- digo eu.
Continua o J.: A H. ainda não sabe se vai casar comigo, ainda não decidiu com qual dos 3 é que vai ficar. Acho que tenho algumas hipóteses, porque ela fez-me aqueles olhinhos...de amor.
E continuou a conversa da fábrica da construção de carros até chegarmos à escola e das várias profissões que iria ter e das corridas que iria fazer.
Fiquei com a sensação que por baixo daqueles devaneios animalescos dos meus filhos, há qualquer coisa de humano, de afectuoso, de ternurento, de amoroso até... Afinal sabem que ter família faz parte da vida de todos e não é uma "pastilha" que eles têm que "gramar". Mais ainda, é bom, porque nos faz companhia!
Tenho renovada a esperança que vou fazer deles uns homenzinhos....

terça-feira, 29 de maio de 2007

O regresso

Chegamos, finalmente! Ou devo antes dizer, oh, já chegamos!
Não sei bem qual a sensação que tenho tantas eram as saudades e tanto era o cansaço que não foi integralmente aliviado...
Claro que estou a escrever no dia seguinte ao do regresso, porque ontem, desde que cheguei, apenas parei para respirar, e só de vez em quando...
Não me sairá nunca da memória o brilho dos olhos dos meninos quando nos viram, o calor do abraço que nos deram, a doçura dos seus beijos e o interesse, claro está, com que olharam para o saco dos presentes...
Estávamos felizes por nos encontrarmos todos no nosso espaço, em família alargada, se assim ainda se pode dizer, tantas são as vezes que nos "apranchamos" aos cuidados da minha mãe.
Eles não nos perdoaram um comentário de alegria pelos dias que tivemos, fazendo-nos recordar a toda a hora que foram dias a mais, que os pais não deixam os filhos assim tanto tempo e questionando eternamente a razão porque eles não puderam ir. E depois vêm as tentativas de destruir a nossa consciência, dizendo que eles só não foram porque são umas pestes, e que se portam muito mal, e que não dão sossego aos pais ....... e nós cheios de vontade de os abraçar para compensar o tempo passado, mas a pensar como eles até estavam a falar verdade.
Ficou de resto a promessa que lá iremos voltar, todos, muitos, e desfrutar de todo o conforto que os pais foram descobrir para os meninos. Com esta eles calaram-se! Corrijo, calaram-se com o assunto, porque até às 23h aquelas bocas não se fecharam!!!
Já estávamos à espera desta reacção, fizeram todas as birras a que tinham direito, apertaram-se e ferraram-se o mais que puderam, sabendo nós que só queriam chamar a atenção e mostrar que não acharam piada nenhuma a esta nossa lua de mel despropositada. E têm todo o direito! É assim que os educamos, não podíamos esperar outra coisa e eu adoro-os por isso! Resta-nos zangar, ralhar e perdoar, pois é para isso que servem os pais!
P.S.: Só faltou dizer que a L. nos brindou com um sinistro logo pela manhã, estávamos nós a acabar de aterrar em Lx, quando soubemos que abriu a cabeça na tentativa de resgatar um "tazo" que lhe tinha sido "gamado" pelo colega da escola. Ela, que é mulher de "pelo na venta", atacou-o directamente, enfaixando-se na esquina de uma coluna que, lamentavelmente numa escola do 1º ciclo, não estava devidamente protegida....
Resta a eficácia da avó, a competência do pediatra e a farta juba da L. que lhe vai cobrir mais esta marca da sua...agitação!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

De ferias

Estou a escrever num teclado azert a tentar acabar um post dentro do limite de tempo que o cartão comporta. Não esta a correr muito bem, porque o teclado esta em ÁRABE. Chegamos hoje do deserto, completamente estafados, mas o R. lembrou-se de virmos à net e eu achei muito bem. Aprendemos a dizer ola e adeus, desculpa e obrigado, tudo em árabe, que eu me recuso aqui a escrever fonologicamente, porque não quero que ninguém se ria de mim... Estamos a adorar estas ferias so nossas, de poucos e tão exóticas, como um pais árabe podia proporcionar. Andamos de dromedario, que dava dois de mim e de jipe, que deu cabo da minha coluna, tantas foram as dunas que aquele infeliz percorreu...
Admito que morro de saudades dos meus muitos, mas esta pausa esta a ser mesmo vital para a nossa saúde física e mental.
(Estamos a 10 m a tentar corrigir os erros e nao esta a correr bem....)
Bis lama (ou la como se diz)

domingo, 20 de maio de 2007

Enfim, férias!

Vou de férias, ou melhor, vamos de férias, nós, os poucos, os que estamos em minoria em casa!
Passados 10 anos desde que casamos, eu e o R. vamos viajar para aqui, renovar forças e recuperar energias e voltar cheios de saudades dos muitos que ficam. É claro que vai custar sair, é claro que vão fazer falta os gritos, os sustos, a confusão à mesa, as refeições à vez, os saltos para a água e as brincadeiras na praia. Acho que nem vamos saber estar deitados na areia, de tal forma estamos desabituados disso. Mas a verdade é que vai saber muito bem, vai fazer ainda melhor e nós e eles merecemos esta oportunidade.
Tranquiliza-nos deixá-los com os meus pais, que são mais do que avós para eles e mantêm o seu dia-a-dia praticamente inalterado. Praticamente, dizia, porque ai deles que não sintam saudades....
Tenho andado a prepará-los aos poucos para a saída e quando, há dias, se aperceberam que o "vamos de férias" não os incluía, e numa fase pré-choro, pré-reclamação, pré-reivindicação (que nós é que somos uns desgraçados, que temos que ir para a escola enquanto vocês estão de férias, etc e etc...), um deles se lembra que férias dos outros é igual a presente para eles, então pergunta: "e vão-nos trazer um presente?". "Claro", respondo. "Então podem ser dois jogos para o Game boy, porque da outra vez quando vocês foram sozinhos no fim de semana compraram 1 jogo, e foram só 2 dias, Agora, que é uma semana, têm que nos comprar pelo menos 2". Uns vendidos estes meus filhos!
Devem-se interrogar como é que esta mãe de muitos consegue ir de férias ou de fim de semana com esta facilidade?! Pois ninguém tem uma mãe como a minha, que me diz de modo preocupado "Vocês ainda não foram ao cinema esta semana! Marquem lá o dia!".
Esqueçam, não a empresto a ninguém!

sábado, 19 de maio de 2007

pequenos jornalistas

Os meus filhos mais velhos chegaram ontem a casa com uma edição do jornal da sua escola, ou melhor, 3 edições cada um, cujo custo terá que ser suportado pelo orçamento familiar... Até eles já só fazem contas de multiplicar por 3!
Estavam tão felizes por ver os seus escritos num papel que tanta gente podia ler (mesmo que 6 exemplares estejam cá em casa)! De facto é um consolo ver a nossa letra impressa...

Puxando a brasa para a minha sardinha, vou-me dar ao direito de publicar a sua participação neste projecto escolar:


Ser mãe é "uma grande responsabilidade porque é preciso cuidar dos filhos". J.


Se eu fosse muito alto "podia-me sentar em cima de uma nuvem e tocar o céu". L.


O J. até deixou a sua marca na capa do jornal, quem sabe não virá por aí um arquitecto, ou um designer (já desisti de viver à custa dele fazendo dele um jogador de futebol!!)


sexta-feira, 18 de maio de 2007

Óculos

Ontem à noite, ainda no banho expresso e em trânsito para o sono:
- L., usaste os óculos hoje?
- Xiiii, "desqueci-me" (começo a achar que esta falha de linguagem da L. já traz a intenção de se desculpar do seu esquecimento... Quem sabe não surgirá no léxico da língua portuguesa uma nova palavra?!).
- Mas foi só hoje que te esqueceste, não foi?-pergunto.
- Não, não, já me "desqueço" há muitos dias.
- Mas não pode ser L., os óculos fazem-te falta.- replico.
- Para quê?- questiona inconformada.
- Para veres melhor!- respondo ainda com calma.
- Mas eu vejo bem! Olha! Vês?! Vejo-te bem!- já engrossando a voz.
- Mas tem que ser, filha. - Eu, já quase sem argumentos.
- Porquê??? - desatina ela.
- Porque o Sr. Dr. disse que tu precisavas...- Já sem mais argumentos e com vontade de acabar ali a conversa e ela, com a sua resposta, ajudou:
- Oh!

Para lá das 22h, eu achei que falar de estigmatismo e outros "ismos" não ia incrementar aquele diálogo.
Não há nada que um beijinho de boa noite não resolva! Chuac!

Para quem estava sem óculos, o desenho não saiu nada mal....