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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Esqueço-me

...da máquina fotográfica, mais vezes do que desejaria...


Sempre gostei de fotografar, apesar de nunca o ter feito bem. Não entendo nada de luzes, nem de sombras, nem de enquadramentos.

Interessa-me sempre registar o momento, em vários movimentos, como de uma cena de banda desenhada se tratasse.

Nas viagens é na minha mão que anda a máquina e parece que não estive lá, porque estou sempre do lado de cá da objectiva.

Às máquinas de filmar nunca prestei grande atenção, por não prever grandes oportunidades para ver o resultado das filmagens.

Para mim, as fotografias são diferentes, vejo, revejo, reproduzo e exponho. Nunca tão bem como a minha amiga, mas vou organizando uns álbuns para uns e para outros.


No entanto, desde que tenho a máquina digital, tiro cada vez mais fotografias e imprimo cada vez menos (não deve ser só comigo...)


Aos meninos nunca poupei no flash e o J. tem uma boa conta de albuns, mais do que um para o mesmo ano de vida.

Com a L. a quantidade diminuiu e com o G. nem se fala. O que vale é que ele é igual ao irmão e sempre se podem desviar algumas do J. para o album dele... ;)


O blog veio espevitar novamente o uso da máquina. Acho que este espaço tem mais piada com imagens.

Os meninos até já me dizem:


- Agora tira-me uma com cabeça...

No entanto, o título deste texto é esqueço-me...

É que eu esqueço-me tantas vezes de andar com a dita, sobretudo nas festas, de Natal, de fim de ano, nas audições ou nas aulas abertas.

Arrelio-me, lamento-me e já não me adianta nada porque a máquina ficou mesmo em casa e aqui o telemóvel da menina só faz e recebe chamadas.


Mas como não sou de me lamentar, e para aliviar a consciência, dou volta aos pais mais aplicados e troco mails para me enviarem as fotografias, que até são tiradas com máquinas XPTO...


Pelo menos nunca me esqueci das partituras nem do fato de ballet ... nem de nenhum deles pelo caminho ... já é bom! E poder vê-los com os dois olhos bem abertos e ter as mãos livres para bater muitas palmas é outro consolo!!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

na cama da mãe

Desde que sou mãe que são raras as noites em que não me aparece uma visita nocturna, ou duas, ou ... três na cama.

Seja à hora a que for, não me vale de nada oferecer resistência e tentar levá-los de volta para a sua cama, porque eles vêm para ficar, de preferência ao meio e todos do mesmo meio.


Eu li os livros (quase) todos sobre o assunto, sei que não se deve promover nem mesmo conformar com a invasão dos filhos na cama dos pais, que cada um tem o seu espaço e eu concordo com isso tudo...mas às 4 h da manhã também concordo que preciso de continuar a dormir porque dali a nada tenho que me levantar.


Enquanto era só o J., facilitávamos muito mais e qualquer gemido do menino dava direito a ninho dos pais.


Com a L., a coisa complicou-se mais um bocadinho, mas arranjava-se sempre espaço para os dois, senão ao J. cresciam os ciúmes.


Quando o G. nasceu é que o caldo se entornou, sobretudo durante o 1º mês em que ele ficou no nosso quarto, porque amanhecíamos 5 na mesma cama.

Isto do amanhecer é uma força de expressão, porque depois de ser arremessada por mais 3 na mesma cama, eu já não pregava olho.

Muitos eram as noites em que eu e o pai fazíamos a transfega para a cama de um deles e deixávamos a nossa cama entregue ... à criançada.


Por essa razão, o passaporte do G. para ir para o quarto do irmão chegou ao 1º mês de vida e foi a melhor coisa que fizemos. Não que isso tivesse eliminado as visitas durante a noite, mas reduziu-as substancialmente, porque os outros sabiam que já não estava ali um hóspede fixo.


Eu só estou a pagar por aquilo que fiz, bem sei, porque muitas vezes invadi a cama da minha mãe, que, por alguma razão, era especial.

Durante os anos em que o meu pai andou a servir a nação, eu e a minha irmã escalávamos a vez de cada uma de nós dormir na cama da minha mãe, e posso dizer que as negociações não era fáceis. O que vale é que o meu irmão, que não era tão mimalho quanto eu, nem se metia no assunto, senão era mais um candidato ao lugar.

Lembro-me que, quando já era mais crescida (outra força de expressão, porque eu não cheguei a crescer...), e já parecia mal despachar o meu pai para Lisboa para poder dormir com a minha mãe, agarrava-me ao seu pescoço, quando me vinha dar um beijo de boa noite e puxava-a para a minha cama, onde ela me mimava um bom bocado.


Enfim, sempre pensei que esta tendência para gostar da cama da mãe era uma coisa de mimo, de afecto, de aconchego...mas não, também tem uma explicação científica, que me foi revelada pelo G. quando há dias se enfiou no meio da nossa cama:


- Aqui está mais quentinho!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

com a Brigada de Trânsito no banco de trás

É assim que eu ando, todos os dias, com 3 agentes da Brigada de Trânsito sentados no banco de trás do meu carro, disfarçados de filhos.
A L. manda-me andar devagar quando entramos na auto estrada.

- Eh lá mãe, estás a andar tão de força!!!

Atrapalha-se quando ultrapasso um carro.

- Deixa lá o carro ir à frente...

E faz questão de me avisar ao segundo quando o semáforo muda para verde.

- Já estáááá!!!

Ao J. agora deu-lhe para me repreender quando estou a fazer crochet ou tricot nas filas de trânsito.

- Achas que isto é sítio para fazer isso?!
- O quê?-pergunto entretida.
- Isso dos fios e das agulhas...

Não satisfeito quando lhe digo que estou atenta aos carros e não faria nada que pusesse em causa a nossa segurança...

-Estás atenta, estás, olha o carro da frente a avançar?!!!

Não me dá tréguas, este menino!
Crochet ou tricot, só depois de os deixar na escola e antes de os ir buscar.
Hoje foi a vez do G., quando parei atrás de um camião de limpeza e aproveitei para espreitar de onde vinha a mensagem que apitou no telemóvel.

- Ó mããããee, não está verde!!!

Ainda por cima enganou-se nas cores....
Quando tiver que parar numa operação stop, apresento-os aos colegas e garanto que já fui fiscalizada.
Uma mãe assim acanha-se!!!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

makeover


Um dia uma amiga disse-me que aquilo que podemos mudar em nós é apenas o cabelo. O resto temos que aceitar, gostando ou não.


Sabemos hoje que não é tanto assim, que se pode mudar a cor dos olhos, o formato do nariz, do queixo ou de qualquer outra parte do corpo, tentando melhorar aquilo que nos parece feio.


Eu continuo a concordar com a minha amiga e acho que as melhores mudanças são as do cabelo e sempre abusei do argumento.


Casei com um cabelo imenso, sem precisar de postiços para o penteado, mas antes de viajar em lua de mel, cortei-o ao nível do pescoço, para arejar no calor do Brasil.


Depois de os meninos nascerem, fui perdendo a farta "juba" que tinha (já herdada pela L.) e cheguei a fazer um levantamento de raiz (o nome horroroso que dão quando nos põem o cabelo com aspecto electrificado). Arrependi-me amargamente e lamentei não me ter dado uma dor de barriga valente antes de entrar no cabeleireiro.


De há uns anos para cá, centímetro acima, centímetro abaixo, não tenho alterado o meu penteado, sem que me tivesse apercebido realmente dessa apatia visual.


Fui assim apanhada de surpresa, pela minha cabeleireira de sempre, quando, depois de dar um ajuste ao corte do J. (que já está na fase de querer o cabelo comprido, para "impressionar as miúdas"), me disse:


- Senta-te aí e vamos dar um jeito a essa cabeça. Já estou farta de te ver sempre igual!

Eram 19.30h, tinha dois filhos comigo, o jantar por fazer e uma festa de aniversário a seguir, mas sentei-me. Confiei nas mãos dela, que faz milagres com a tesoura e num salão vazio, que não permitia desculpas para escapar.


Fiz bem, o resultado renovou-me por fora e por dentro.


Como é que um corte de cabelo pode ter este efeito?!!

domingo, 4 de novembro de 2007

... em trânsito ...


Consegui acabar um poncho mesmo a tempo do frio do Inverno, com material já comprado para o Inverno do ano que passou.
Comecei e acabei no espaço de duas semanas, o que para mim é um bom tempo.
Mas só consegui dar-lhe o devido aviamento por aproveitar todo o tempo que tenho ... que é muito pouco.
Ao serão, que é quando tenho mais prazer em dedicar-me a estas lides, tenho cada vez menos oportunidades, porque só "desacelero" lá para a primeira hora do dia seguinte, que é a mais indicada para dar descanso ao corpo. Antes do jantar, então, é impensável (pensando bem, em muitos dias, o próprio jantar seria impensável, mas aí não há folgas nem take away).
Resta-me então o tempo passado nas horas de ponta e quando acompanho os meninos às actividades e às consultas.
Sim, eu faço a maior parte dos meus trabalhos de crochet ou de tricot em frente ao vermelho ou à espera de ordem do polícia na fila gerada à volta das obras do metro. Este poncho andou no meu colo todo o percurso e um vestido da L. também foi feito a olhar para os semáforos. É evidente que isto não dispensa umas buzinadelas, que eu considero amáveis chamadas de atenção para o sinal que já mudou...há que tempos.
Confesso que às vezes anseio pelo vermelho para acabar uma carreira ou rematar um ponto...
E nem vale a pena às autoridades aventurarem-se a me repreender, porque fazer crochet ou tricot nas filas de trânsito não está tipificado como infracção ao Código da Estrada, pelo que não poderá estar sujeito a punição (embora há quem defenda que não...blá, blá, blá...reminiscências da Faculdades de Direito). Por isso, até "multa" em contrário, assim vou continuar.
E valem-me também as horas que passo à espera na piscina, na música, no ballet (este ano escapei) ou na clínica médica, durante as longas consultas de terapia.
Não vejo mais ninguém nestas figurinhas, mas isso também não me incomoda nada. Um chama-me a "menina da renda", outra diz que pareço uma "avó", eu respondo que pareço é uma "neta", que o tricot está na moda e que não faz mal nenhum saber um pouco de tudo.
Há uns tempos, no Pediatra entregaram-me uma agulha, que foi encontrada no chão e pensaram que certamente seria minha, "porque é a única pessoa que faz bordados aqui...". Se não for a única, a minha fama já me traz vantagens.
Lamento apenas não ser conduzida até ao meu trabalho, porque em vez de duas semanas, fazia o poncho numa só, e a L. já me cobra pelo dela.
Por isso, quem vir uma maluquinha parada no verde a olhar para o regaço ou um carro a circular à noite com a luz de presença ligada, é porque eu ando lá por dentro. Não vale buzinar!!!

domingo, 28 de outubro de 2007

working


Não por falta de inspiração, nem de ocasião, se justificam as minhas ausências neste espaço com histórias novas dos meus muitos. Umas boas, outras engraçadas, outras bem ensarilhadas, com ralhetes e duros castigos à mistura. Mas também não me apetece pensar nisso porque hoje correu mal, ... mas já passou.

A verdade é que a falta de trabalho de há uns tempos atrás, levou-me à procura de uma solução que me impedisse de cair num estado a que me recusava a ceder.
Encontrei-a e "curei-me" com mais trabalho, muito trabalho...demasiado trabalho, e isso tem-me tirado tempo que devia ser deles.

Ando à volta das linhas, das agulhas, de referências, de fornecedores, facturas e outras papeladas menos divertidas, mas necessárias.

Para outro dos meus empregos, faço algum trabalho de casa e tenho sempre muitas dúvidas, até porque sou mais técnica que criativa, mais perfeccionista que intuitiva. E sempre que me surge um problema novo, um ponto que nunca executei ou uma técnica que nunca experimentei, lá vou cheirar aos livros, espreitar nos sites e, obviamente, pedir ajuda à minha artista de eleição.



Mais coca bichinhos do que eu, a minha mãe vira, revira, faz e desfaz até encontrar a solução, até descobrir o segredo.
Estes dias temos passado umas horas nestes preparos, que me lembram outros tempos de infância em que passávamos o serão com as minhas primas e a minha madrinha a cortar e a coser roupas, a crochetar colchas ou a tricotar camisolas. Ninguém percebia como é que isso nos divertia, mas ainda hoje me dá imenso gozo estar um par de horas com a minha mãe a descobrir como é que aquilo foi feito, nem que seja preciso tirar a amostra do álbum que ela fez na Escola de Formação Feminina. É lindo, rico e está tão perfeitinho, que não admira que lhe tenha dado a nota máxima no final do curso. Agora já é meu por afeição e por usucapião...




Mas para que não se pense que eu me desliguei das voltinhas dos meu filhos, uma das razões que me deixou mais agarrada a este teclado e menos abraçada a eles na hora de dormir, foi o esforço que eu e todos os pais da sua escola fizeram para salvaguardar o seu direito a ser crianças durante mais tempo, e que lhes fosse reconhecido o direito de não usufruírem de um benefício que alegadamente é facultativo, permitindo que cada um faça as suas escolhas.
Naturalmente que me refiro às actividades de enriquecimento curricular que se pretendiam intercaladas (chamam-lhe flexibilizadas) com as actividades curriculares (e não após o seu termo) e que os prendiam à escola para além do desejável.
Mas isso são outros quinhentos e com o alívio que agora sinto com a justa solução encontrada, também não me apetece falar disso.

Vou ali para o sofá continuar o meu trabalho de casa!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

XXL


Aquela sou eu, em tamanho XXL...


Sempre fui gordinha, cheinha, redondinha, pelas minhas palavras, espaçosa...que pelo menos tinha graça e não era tão piedoso.


Na infância sempre usei vestidos sem cinta, para esconder a barriga indisfarçável.


O peso a mais precipitou a minha saída do ballet, aos 12 anos, que é uma frustração ainda não resolvida, até porque, naquela idade, foi de uma profunda injustiça da professora, que me excluiu por esse facto (logo eu, que nem era prima da Moby Dick..., mas havia lá quem fosse...)


De uma família de barrigas generosas e ancas largas (há quem diga parideiras, mas nenhum dos meus filhos saiu por lá...), sempre me desculpei com o factor genético para esconder a minha lambarice. A viver ao lado da mercearia do meu avô, manter a linha não era muito fácil...


Cresci gordinha, sempre contrariando essa tendência com exercício físico e só alcancei o corpinho top model nas vésperas do meu casamento, para o que contribuiu uma brutal gastroentrite nervosa.. :)


Vieram os filhos, sem grandes intervalos no meio e só depois do 3º é que a coisa voltou ao sítio.


Há alguns anos que visto S e até XS (que gozo que me dá perguntar se não tem mais pequeno!!!) e até compro as roupas à primeira (sem apertar na cinta, alargar na anca...excepto subir a bainha, porque esse registo não se resolveu...). Até já tenho número certo de roupa, coisa impensável há uns anos atrás.


A quem me pergunta como é que isso aconteceu, eu respondo que tenho 3 personal trainner's em casa.


Porque é que estou a falar disto tudo, que devia ser íntimo e reservado?


Porque quando encontrei esta fotografia deu-me uma vontade de rir incontrolável...de mim!


(Agora posso!)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

fora de horas


Eu e a minha PFAFF temos trabalhado fora de horas, para encher o "quiosque" de peças bonitas e personalizadas.
Eu a dar ao pedal e a mana a dar às teclas.
Do lado de lá do telefone, está ela a falar em referências e eu a falar em linhas.
O sono ameaça, mas eu arregalo-lhe os olhos.
Porque diabo o dia não tem mais umas horitas?!!!
Se não ficarmos loucas, vamos ficar felizes...
Eu já estou!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O meu "quiosque" abriu!


...que não é meu, é nosso, da mana e do pai, que embarcaram na onda desta louca.

Nunca lhes vou agradecer o suficiente por isso.

Foram (estão a ser) uns dias suados, com poucas horas de sono, e mesmo estas sem descanso, para que tudo esteja perfeito, mas só se consegue o quase perfeito, com imprevistos a toda a hora...

Pedem-se conselhos, suplicam-se sugestões e agradecem-se visitas.

Encontramo-nos também...

domingo, 7 de outubro de 2007

La donna è mobile...



Viemos aqui mais uma vez, e este ano com a promessa de sermos mais fiéis aos programas.
Desta vez a "viagem" foi por Itália, com a Sinfonia Italiana de Mendelsson.
Como estes Concertos são especialmente pensados para as crianças, elas tiveram mais uma vez uma participação especial: acompanharam com passarinhos a melodia do 3º andamento da Sinfonia Italiana.
Os ditos pássaros foram sendo distribuídos a alguns meninos momentos antes da música e, dado o elevado número de espectadores infantis, não houve pássaros para todos.
Aos meus 3 só calhou um, e foi a L. a escolhida (ou escolheu-se porque foi directamente à fonte buscá-lo...).
No momento de se juntarem à orquestra com os seus pequenos pássaros, os felizardos lá foram, posicionando-se ao redor da orquestra.
O G., apesar de não ter sido contemplado com nenhum exemplar, também foi, empunhando na mão um carrinho de brincar que escapou na triagem da saída do carro. Ali se manteve, com algumas dezenas de meninos, a acompanhar a música com o seu carrinho no ar, quando os outros o faziam com os pássaros. À saída de cena, e quando percebeu que realmente havia alguma coisa que lhe faltava, deixou-se ficar para o fim e "fez-se" literalmente ao passarinho que estava nas mãos do apresentador.
Voltou satisfeito para o seu lugar e certamente a pensar que era mesmo assim.
É bem português e só pode ser mesmo desenrascado...!
A última obra do Concerto foi cantada, "La donna è mobile", por um extraordinário tenor, que representou exemplarmente a letra da música.
Como nos foi explicado, esta música relata as variações de humor típicas das mulheres que os outros, está-se mesmo a ver, os homens, têm que saber aguentar. Como se disse com muita piada: elas têm dias!!!
Eu, que até ando um bocado mal disposta, com uma telha considerável e o meu humor é capaz de não ser dos melhores, fiquei a pensar se aquela serenata não foi para mim?!!!!
...qual piuma al vento...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Quando eu for grande...


Nunca soube muito bem o que queria ser quando fosse grande.

Talvez porque nunca cheguei a ser propriamente de grande estatura, nunca me vi em termos de grandeza.

Ao contrário da minha mais velha, que sabia que ia ser gestora de uma grande empresa e do outro que desde os 9 anos decidiu que ia ser músico...


-Professor de música?

- Não, músico!
E é!!!

Eu ia atirando com uma vocação para professora, não sabia bem de quê, porque as notas eram jeitosinhas para todas as áreas (estudiosa, a menina!!!). Certamente por influência de uma família cheia de professores...

Aos 16 anos foi-me sugerido pelos meus pais o Direito (após uma primeira viagem de férias sem filhos, nunca me hei-de esquecer), dada a minha (insuportável) capacidade de argumentação. Todos me diziam igual à minha avó e também ela dizia...

- Se eu tivesse estudado, tinha sido Advogada!
A área foi bem sugerida. Do estudo do Direito eu gostei, da Advocacia é que nem quero ouvir falar... O estágio de 18 meses foi muito bom para eu saber que não quero ser Advogada e isso bastou-me. Antes fazer bolos para fora...

Felizmente continuo a trabalhar na mesma área e não se deu o tempo por perdido.


Os meus muitos todas as semanas tomam a decisão "firme" de ser alguma coisa: professora de piano, descobridor, bailarina e agora um deles quer ser cavaleiro... Tudo coisas simples.


Há dias, de manhã, o J., que passa rapidamente da neura à erudição profunda, pergunta ao G., a caminho da escola:

- O que é que queres ser quando fores grande?

- Adulto!- responde de seguida.
Haja alguém que tome decisões sensatas!!!

sábado, 29 de setembro de 2007

Artes decorativas



Não são minhas estas artes, são da Paula Lobo, uma antiga colega do curso de lavores que, tal como eu, se perde com estas coisas que nos saem das mãos. Não resiste a livros nem a experimentar novas técnicas, e é assim que nos temos encontrado nos bordados ou na feltragem.
A sua arte está particularmente vocacionada para a pintura e decoração e os resultados são surpreendentes, originais e adaptados ao dia a dia.
Hoje visitei o seu atelier no Porto, na Rua do Bonjardim (n.º 635 - 1ºF) onde dá formação todos os sábados.
Fiquei tão encantada com o que lá encontrei que trouxe este presépio para pintar em casa. Tenho pena de não o poder fazer naquele ambiente, que certamente seria mais inspirador, mas neste momento já preciso de duas agendas para chegar ao fim do dia...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Truta


Os últimos dias têm sido tão cheios, tão agitados e com tantas preocupações que não sei como me estou a dar ao luxo de vir aqui escrever.

O de ontem começou com um reprovável atraso na entrada da escola, recomendando eu que a L. pedisse desculpa à Sra. Professora pelo atraso.

Perguntei-lhe depois se ela se desculpou e ela disse que sim, explicou à Professora que:

- Esta manhã foi um bocadinho difícil!
Ando numa roda viva por causa da deadline que eu e a minha sócia nos auto impusemos para a abertura do nosso quiosque, com tantas coisas ainda por fazer, outras a surgir e o tempo a sumir-se por baixo dos nossos pés. A vontade é enorme, o entusiasmo é indescritível, mas o cansaço é indisfarçável, com umas olheiras que me chegam aos joelhos... Não vai lá nem com pozinhos mágicos...São horas a digitalizar, digitar, cortar, dobar, enfiar, catalogar, marcar preços e projectar.

Foi isso que ontem estive a fazer na marquesa da esteticista para um dos Kits de crochet que vão estar à venda na loja, de agulha e novelo em punho, enquanto ela ia fazendo o seu trabalho. O que vale é que ela é uma boa amiga e já me conhece tão bem que não chama o INEM nestas situações.

Está prestes a começar um outro projecto que me tem apaixonado, que é a formação em crafts, que vai decorrer aqui duas vezes por semana. Estou ansiosa por não saber se vou ser capaz de responder à expectativas, estou entusiasmada com as experiências que possamos fazer e a ferver com a reacção das pessoas que vão participar neste espaço.

Não fosse uma "corda" que me amarra os pés, e os faz estar ainda firmes na terra, e eu mandava-me de cabeça para tudo isto, que me enche as medidas e preenche os meus sonhos mais antigos.Tenho o projecto na cabeça há anos, a investigação acumulada, a experiência nas mãos, mas falta o resto, falta sempre alguma coisa... Talvez um dia seja completa a concretização deste sonho. Eu sou optimista por natureza e é assim que tenho encarado os meus dias.

Lamento não poder dar um beijo demorado aos meus filhos à noite, ler-lhes uns versos dos livros que chegaram ontem no correio e dar aquele abraço que os embala a noite toda.

Não pude dar ontem, dei hoje, e a recompensa foi enooooorme!

A L. acordou a dizer:

- Ó mãe, gosto tanto que tu me acordes assim, com um beijo e um abraço. Não há pais que gostem tanto de nós como vocês!!!
O J. acordou com cócegas e riu-se muito. Disse-me:

- Sabes porque é que eu não preciso de ti?! Porque tu estás sempre aqui!

(...)

- Tu és a "truta" das mães!

- "Truta"???

- A melhor de todas!
O G. não fez birras, vestiu-se sozinho e calçou as sapatilhas sem fazer ondas e eu, satisfeita, disse-lhes:

-Muito bem meninos, hoje vamos conseguir sair cedo de casa.
Dizem eles:

- A manhã está a correr mesmo bem...
Vindo da sala, ainda me diz o J.

- Quando for adolescente, ainda te vou deixar mandar em mim, porque eu quero ser um pai bom para os meus filhos!
E não é que o dia está a correr mesmo bem, até consegui escrever.

Talvez logo vá conseguir ler uns versinhos daqueles livros...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Alfineteiro

Daqui...


para aqui...


Bastou estarem duas amigas a conversar sem horas numa agradável tarde sábado.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Mestra!



Depois de um fim de semana a dar ao pedal e ao olhar para o estado lastimável do meu quarto de costura, lembrei-me da "Mestra".

A "Mestra" da minha infância era uma costureira que ensinava a sua arte às meninas durante as férias escolares.

Normalmente juntava no seu "quartinho", agora chamado "atelier", 6 ou 7 meninas de várias idades, que passavam as tardes a costurar uma saco do pão, ou um pano da louça, a pregar botões, a pontear meias e, numa fase mais avançada, a fazer a sua própria saia.

Começava-se sempre com a costura à mão, com o básico ponto atrás, que se demorava até chegar ao fim da costura... Foi à mão que fiz (Afinal foi a minha irmã que fez. Que galo!) o saco do pão que está na imagem, com uma antiga chita de algodão, restos que a minha mãe ia juntando, onde caseei na beira de cima as passagens da fita de nastro.

As mais avançadas já faziam as costuras na máquina de pedal, ficando as principiantes a morrer de inveja por tamanha velocidade.

Eu também andei na "Mestra", que para mim era especial porque era a minha madrinha. E eu bem puxei dos meus galões de afilhada, fazendo questão de me sentar sempre que podia na cadeira que ficava ao lado da sua, para estar sempre a importuná-la com as minhas dúvidas ou a lamentar-me com os meus enganos.

- Ó madrinha, eu não consigo!!!!

Passava lá então parte das minhas férias de Verão, sentada num banquinho baixo de madeira, daqueles que têm um buraco no meio do assento, a confeccionar os meus primeiros trabalhos de costura. Cozi à mão, depois à máquina, na velha máquina de ferro da minha avó, supostamente mais segura para os desastres das aprendizes. Ainda assim eu consegui partir uma agulha enquanto inadvertidamente "cozia" o meu dedo indicador... A marca aqui continua...

Depois de muito faz e desfaz (porque a minha "Mestra" não dava folga...) e boas gargalhadas à mistura, chegava a hora de arrumar o quarto. Estávamos escaladas para os diversos trabalhos: uma para a vassoura, outra para empilhar os bancos e outra para apanhar os alfinetes de novo para a caixa (porque então, como agora, não era tempo de desperdício...)

Ontem, no meu quarto de costura, acabei o meu trabalho, olhei para mim e estava com a roupa pintalgada de pontas de linhas, apanhei do chão os alfinetes e tive saudades desses tempos!

domingo, 9 de setembro de 2007

Costurando...



O dia de ontem valeu mais do que 10 sessões de psicanálise (digo eu, que nunca fiz).

Consolei-me a costurar o dia inteiro e o trabalho rendeu imenso.

Com a chegada da Maria, que se veio juntar à amiga Clara, tivemos que lhe fazer uma roupa nova, cujo tecido e modelo foi escolha da L. Fizemos também com o mesmo tecido uma colcha fofinha para a cama das duas.


O dia deu ainda para fazer dois individuais de mesa, reversíveis, como protótipo de uma experiência de futuro (???)

Adiantei aquele outro trabalho que já iniciei há algum tempo e que está agora prestes a ser quiltado.


Ainda fiz um presente para uma amiga que não posso ainda fotografar porque ela só faz anos em Outubro e assim estragava a surpresa...


Há dias que correm mesmo bem!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Leituras

Hoje comprei este livro para mim...




Mas ando a ler este...
Estes ainda estão à espera de tempo...

Os meninos também receberam um presente pelo bom regresso à escola...

Quando compro um livro, sinto-me sempre um bocadinho mais rica, ainda que o vá ler dali a muito, muito tempo.
Como diz a minha amiga Fatinha, os livros não se emprestam, só se recomendam!
E a verdade é que, depois de ler um livro, já não me consigo separar dele...


domingo, 2 de setembro de 2007

Os tempos estão mudados!


Depois de um Julho sem chuva e de um Agosto ventoso, temos um Setembro com sol.

Está tudo doido!

Desde miúda que me lembro de o mês de Agosto ser o mês da praia por excelência, com autocarros cheios de crianças, bóias e lancheiras. Até os carros iam a abarrotar de passageiros.

Lembro-me de a minha mãe ir connosco (quando ainda éramos só dois) para a praia de Miramar, mesmo junto à Capela do Senhor da Pedra. Levávamos também os nossos primos quase todos e éramos pr'aí uns 7 "índios" a bordo (a Brigada de Trânsito que não saiba...).

Naqueles tempos era a única forma de os meus primos irem à praia, porque a vida era mais difícil para alguns e com uma Titi professora, as coisas iam-se compondo.

(Que sorte tem a geração dos meus filhos!)

A praia era então de dia inteiro, com direito a barraca montada pelos primos mais velhos e habitualmente levava-se refeição quente para todos.

As brincadeiras de praia, com muitos menos baldes e pás, eram inventadas por nós, boicotadas ou "radicalizadas" pelos mais velhos. Quem não se lembra do ski de areia, ou das coroas de rei feitas com a toalha da praia...?!

As mães até tinham mais tempo para os acabamentos de costura com trabalhos de mão...

Confesso que às vezes gostava de ter sido mãe naquela época.

Como éramos muitos, ninguém se atrevia a escapar e mantinhamo-nos todos por perto até à hora de ir ao banho. Sim, porque havia hora de ir à água, após as sincronizadas 3 horas de digestão.

Lembro-me perfeitamente de a minha prima Lete fazer-me o baptismo de água do mar. Fartei-me de gritar, porque sempre fui uma mimalhona!

Hoje recordei esses dias porque, depois de 3 semanas de férias em Agosto e com 3 idas à praia por pouco mais de 1 hora, corridos que vínhamos com o temporal que se sentia nestas praias do Norte, estou no dia 2 de Setembro na praia com um sol esplêndido e sem ponta de vento.
Estive a jogar raquetes com 2 dos meus filhos, já a começar uma discussão, porque queriam que eu fosse a "lançadora" para os dois, não admitindo passes um para o outro (alguém me explica como é que isto se faz???). Logo eu, que já estava frustrada depois de estar a tentar jogar "futebol fintado" com o J.. Porque é que ele não se convence que eu só percebo de fitas e não de fintas?!

O.K., só me estou a queixar porque o babby sitter das crianças, que por acaso também é o pai delas, resolveu ir correr à beira mar e me deixou entregue à "bicharada" (salvo seja, senão faz de mim também bicho...), sempre faminta de jogos de praia. E eu não tenho mesmo jeito nenhum para a "poda"!

Assim se prevêem os dias de Setembro, sem as nortadas de outros tempos e com um sol que só vamos poder "provar" ao fim de semana...
(A imagem do topo foi digitalizada do livro "Gaia por revelar")

sábado, 1 de setembro de 2007

Grande Empresa

Enquanto eu e a minha irmã vamos preparando o nosso "quiosque", os meus filhos resolveram criar a sua própria empresa, por iniciativa do J..
As tarefas foram distribuídas e os salários fixados.

A L. e o G. são ambos colaboradores, a L. na investigação (dever andar perto do chamado estudo de mercado) e o G. na execução das tarefas. O J., obviamente, é quem manda no estaminé!
- Eu sou o Gestor! - diz ele - E vou pagar aos meus empregados 1 € por mês.
(Não começa bem o rapaz, a investir tão miseravelmente no trabalho da classe operária...)


Quando os vi assim a trabalhar, de forma tão entusiástica, lembrei-me de uma outra menina que, em criança, dizia sempre:
- Quando eu for grande, vou ser Gestora de uma grande empresa!
Coincidência ou não, o que é facto é que essa menina é agora minha sócia naquela que esperamos que seja uma grande, grande empresa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sou uma rapariga cheia de sorte!

Recebi esta semana uma edição de 1973 da colecção Mulher - Método prático de corte e confecção. São cinco volumes, em excelente estado de conservação e com a ilustração e explicação detalhada das melhores técnicas de corte e costura e a exposição de alguns assuntos na então chamada formação feminina.


Estou a deliciar-me página a página, com o rigor dos desenhos, os pormenores das explicações e os curiosos ensinamentos das senhoras de outra geração.


Como esta edição é mais velha do que eu, dessa época só conheço o que os meus pais me contam, no contexto em que foram sucedendo.



Estes livros vieram-se juntar a uma outra colectânea do mesmo estilo, esta intitulada Portugal Feminino, com edições desde o ano de 1931 a 1937.


Ambas as colecções foram-me oferecidas pelo meu pai que, depois de nos ter transmitido de forma tão intensa o gosto pelos livros, agora alimenta-nos o vício.
E é de rir vê-lo a procurar em todos os alfarrabistas que conhece, todas as exposições que visita e em tudo o que é feiras de livros que aparecem, os livros bem ao gosto aqui da menina!!!
Estou mesmo a ouvi-lo a perguntar:


- Ó amigo, não tem por aí nada de bordados, rendas e essas coisas de costura?!!

E é sempre o meu pai que faz os melhores achados e de gosto requintado!
Há uns tempos, numa venda de livros na Fundação Calouste Gulbenkian, comprou para me oferecer a Arte na Pérsia Islâmica da Colecção Calouste Gulbenkian, de 1985.


Foi assim que trouxe esta nova/antiga colecção, depois de me ter dito que a viu na montra de uma livraria da baixa do Porto e que era capaz de me interessar... Interessou, interessou e muito!