...como são as minha manhãs. É impossível de imaginar o tormento por que passo todas as manhãs dos dias de semana até finalmente chegar ao meu local de trabalho, qual paraíso tão desejado...
Acho mesmo que já estava na altura de receber a medalha de mérito nacional por tão grandes feitos...
Concedo, abro duas excepções:
- sabe a minha mãe, porque de vez em quando também grama esta pastilha
- e sabem as mães de índios como os meus a quem também chamam de filhos.
Eu explico:
O J. acorda ( isto de "acorda" também já é um conceito amplo) todos os dias com uma neura descomunal, é literalmente içado da cama para que eu o consiga vestir, apesar dos seus 9 anos já bem feitos. Profere uns impropérios que eu seria incapaz de descrever e faz uns gestos e movimentos que demonstram, cientificamente, que o Homem descende mesmo do macaco. Tenho que o levar à casa de banho, lavar-lhe os dentes, deitar-lhe muita água naquela cara e despachá-lo lá para baixo para tratar dos outros.
A L., acorda muito bem, sempre com boa vontade, não fosse dar-se o caso de ultimamente se armar em top model e nunca se conformar com a camisola/saia/calças/meias/ganchos/sapatos que ela própria escolheu na véspera. Digo-lhe que está bonita, está liiinda, e que à noite já tinha chegado à conclusão que aquela roupa lhe ía ficar muito bem.
- Tu não percebes mãe?! Já não sei se o que eu escolhi ontem ainda fica bem hoje... e este gancho, e esta mola, tu não sabes que eu tenho um cabelo "gordo", não segura. Tu não sabes escolher...uaaaaa!!!!
E a quem apetece chorar é a mim!!!
O G., que normalmente é vestido como os "nenucos": tira meias, calça meias, tira calças enfia cuecas e calções, levanta, abre os olhos, tira camisola e enfia outra e é carregado ao colinho até ao andar de baixo, enquanto a "lady" acaba de se arranjar.
Mas hoje entornou-se o caldo também neste lado. Lembrou-se das sapatilhas novas, compradinhas ontem, e lembrou-se também da birra que fez durante duas horas (ai de quem duvide do que eu estou a dizer, porque tenho os vizinhos para o confirmar) porque os cordões, depois de 50 nós e contra nós, ainda ficam com uma pontinha de fora....
A culpa é minha eu sei, quem me mandou a mim fazer-lhe a vontade, comprar umas sapatilhas iguais às do irmão e não as habituais sapatilhas com fitas de velcro, em que fica tudo encaixadinho. Esquizofrenia do miúdo com que tenho que lidar, todos os dias, várias vezes ao dia.
De vez em quando, ele até faz um "jogo" comigo (não sei estou a parecer irónica...):
- Toma o iogurte G.
- Não é eeessse!!!
- Então vem ao frigorífico e escolhe.
- Escolhe tuuuuuu!!!
- Eu já escolhi, é este e se queres outro vem cá escolher.
- Escolhe tuuuuuu!!!
(....30 minutos nisto...começo a pensar que aquilo é uma espécie de password...)
A L. ainda me mima com palavras doces depois da passagem no "Cabo da Boa Esperança":
- Tu não podes ser nossa mãe, nenhuma mãe faz isto aos filhos, ralhar, logo de manhã?!!
(ralhar porque eu não grito para não provocar dores de cabeça em MIM!)
Final feliz: cada um vai pedindo desculpa a caminho da escola, uns antes de entrar no carro, outros durante a viagem e outros ainda com o beijinho de "bom trabalho"!